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American Gods

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Para conferir a resenha do livro "Deuses Americanos", clique aqui.

American Gods

Minha Classificação:
American Gods - 2017 The Movie DB
de Neil Gaiman
Status: 1 temporada (renovada)
Episódios vistos: 8
Elenco: Ricky Whittle, Emily Browning, Bruce Langley, Yetide Badaki
Gênero: Ficção científica, Fantasia, , Drama, Mistério
Canal Original: Starz
Duração do Episódio: 60 minutos

Dia 30 de abril deste ano estreou pelo canal estadunidense Starz a série American Gods, baseada no livro homônimo de Neil Gaiman, Deuses Americanos. Shadow Moon acaba de sair da cadeia após passar três anos encarcerado, porém ele sai alguns dias antes do previsto pois sua esposa morreu num trágico acidente de carro. Indo para o velório, no avião ele conhece Mr. Wednesday, um senhor misterioso que lhe oferece emprego e, sem rumo algum em sua vida e sem muita vontade de pensar, Shadow aceita o trabalho e acaba se envolvendo na perigosa guerra entre os velhos e novos deuses. Esse post não contém spoilers!

… Sim, eu gosto de marshmallows.

Admito que estava com um medo maior que a expectativa para assistir essa série, pois como amei infinitamente o livro, pensei que a possibilidade de conseguirem estragar a história ia ser grande – ainda mais que o livro se passa no começo dos anos 2000, onde a internet era muito mal uma realidade e a série é adaptada para os dias atuais. Acompanhei o casting (escolha de elenco), as imagens que saíam, os pôsteres dos personagens, o trailer (clique aqui para assisti-lo, lembrando que CONTÉM SPOILERS do livro)… Portanto, esperei três episódios saírem para vir aqui escrever sobre o que achei e sobre os pontos negativos e positivos até agora e preciso deixar claro logo de início que todas as minhas expectativas foram positivamente superadas por American Gods e fiquei extremamente feliz que foi renovada (porque realmente a história é densa demais para ser reproduzida em apenas 8 episódios, que vão ao ar nessa temporada). Tenho a sensação que o Starz entregou o projeto nas mãos do Bryan Fuller, do Neil Gaiman e do Michael Green e disse: façam o que vocês quiserem. Mesmo de início (a temporada não está nem na metade) já dá para dizer que a adaptação é seriamente fiel à obra literária, o roteiro é praticamente o livro e existem momentos que os diálogos parecem transcritos exatamente como estavam nas páginas de Deuses Americanos. Além disso, a direção de arte é excepcional de forma a tornar cada episódio linda e visualmente espetacular, e tudo é feito de forma a manter a pegada meio doida/psicodélica/fantástica/épica do livro.

Raiva é boa.

Mesmo sendo uma série de ficção, American Gods anda trazendo questões muito relevantes (também presentes no livro) para os Estados Unidos da América, como por exemplo, a confirmação de que o país é miscigenado culturalmente mas que até hoje sofre com racismo. Os fatos de que a deusa da beleza e do amor é negra, o protagonista é negro, deuses africanos estão sendo representados, egípcios são representados por negros e homens árabes e muçulmanos estão sendo retratados como seres humanos complexos e sentimentais como quaisquer outros são de extrema importância, principalmente na TV americana que adora enfiar gente branca (o famoso whitewashing) em tudo. Temos também deuses nórdicos e europeus, é claro. A série ganhou manchetes em seu primeiro episódio porque mostra uma deusa “engolindo” um homem por sua vagina (o que também ocorre no livro), porém no terceiro episódio foi ao ar a cena de sexo gay (entre homens) mais explícita e longa da história da televisão, e a mídia ficou mais pasma ainda enquanto euzinha fico apenas feliz por ver mais representatividade de todos os gêneros em algum show de TV. Sem contar que há nus frontais masculinos e femininos em igual proporção – coisa que não acontece em Game of Thrones, por exemplo.

Eles sentam lado a lado, ignorando uns aos outros, e se rendem à mim.

A escolha de elenco foi muito acertada. Tive um receio gigante de que Ricky Whittle não fosse ser um bom Shadow, mas me encontro perdidamente apaixonada por ele (obrigada por tirarem a camisa dele em todos os episódios, que corpinho cremoso!) e, por incrível que pareça, o ator conseguiu dar mais vida e carisma ao protagonista! Ian McShane é um ator sensacional e está conseguindo transferir todo o carisma misterioso necessário para Wednesday e a química entre ele e Ricky Whittle é fantástica – a cena dos Jesuses é uma obra prima. Pablo Schreiber está ótimo de Mad Sweeney, um dos meus personagens favoritos do livro (também um corpinho cremoso); Yetide Badaki é lindíssima e uma deusa real como Bilquis; Peter Stormare é o melhor Czernobog que qualquer um poderia querer; Gillian Anderson obviamente excepcional como Media; e mesmo que Emily Browning ainda não tenha aparecido muito, aposto que dará um show como Laura que com certeza é minha personagem favorita do livro. Outros personagens queridos por mim ainda não tiveram suas grandes aparições, contudo já amo Mr. Nancy (Orlando Jones), Mr. Jacquel (Chris Obi) e Mr. Ibis (Demore Barns) porque não tem como não amar. Duvido muito que a série vá desandar daqui pra frente porque dá para perceber o afinco e o cuidado com os quais cada cena é feita, sendo uma homenagem ao clássico contemporâneo de Neil Gaiman extremamente bem feita – até porque tem as mãos dele nisso também. Ando vendo uma galera comentando que não está entendendo muito da série, no entanto continua assistindo porque sim e tenho um comentário a fazer: no começo do livro não dá para entender muita coisa, principalmente porque estamos acompanhando os acontecimentos com o olhar forasteiro de Shadow, só em meados do livro – penso que da série idem – que começamos a compreender aquela maluquice toda. Costumo dizer que Deuses Americanos é uma viagem de ácido muito louca de um jeito maravilhoso, porque é diferente e inspirador e único à sua maneira, e a série felizmente está seguindo o mesmo caminho. 

Shadow enorme e xícara pequena = ♥