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Las Chicas del Cable

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Las Chicas del Cable

Minha Classificação:
Las Chicas del Cable - 2017 The Movie DB
de Gema R. Neira
Status: 1 temporada (renovada)
Episódios vistos: 7
Elenco: Blanca Suárez, Nadia de Santiago, Ana Fernández, Maggie Civantos, Ana Polvorosa
Gênero: Drama
Canal Original: Netflix
Canal no Brasil: Netflix
Duração do Episódio: 50 minutos
Assistir Las Chicas del Cable online: Netflix

Madri, 1928. Alba Ramirez é uma ladra. Após um roubo não dar certo, ela é obrigada a conseguir dinheiro para um policial mafioso, e para isso, se infiltra como Lidia, telefonista na Companhia Telefônica da Espanha. Lá, conhece Carlota, Marga e Ángeles, e então Lidia percebe que talvez não esteja tão sozinha no mundo.

Após uma indicação, comecei a assistir Las Chicas Del Cable e estou apaixonada. É uma pena que a Netflix não esteja divulgando essa série, porque é incrível. Na verdade a divulgação é tão pouca que penei para achar gifs para este post, pois nem na internet as pessoas estão falando muito sobre. A divulgação está sendo mais boca-a-boca, e no ano de 2017 acho que é importante assistirmos uma série que se passa em 1928 para nos darmos conta de que sim, muita coisa mudou, mas a nossa sociedade continua retrógrada mesmo 90 anos depois. Na primeira cena do primeiro episódio Alba dá o tom da série com uma declaração que, infelizmente, não é datada:

Se você fosse uma mulher em 1928, liberdade parecia impossível de atingir. Para a sociedade, nós éramos somente donas de casa e mães. Não tínhamos o direito de ter sonhos ou ambições. Para procurar um futuro, muitas mulheres tinham que viajar para muito longe, e outras tinham que confrontar normas de uma sociedade conservadora e chauvinista. Ao final, todas nós, ricas ou pobres, queríamos o mesmo: sermos livres.

Temos Alba/Lidia, uma mulher intuitiva e determinada que faz tudo para conseguir o que quer, seja por meios lícitos ou ilícitos. Marga é a típica menina tímida e descontraída do interior, uma romântica com alma de guerreira. Carlota é durona e intensa, tem personalidade muito forte. Ángeles é centrada e generosa, devota em tudo que faz. Cada uma tem seu arco na série, embora Lidia seja a protagonista, e o roteiro consegue abordar eficientemente todas as histórias de forma paralela e ainda existem ganchos enormes e reviravoltas às vezes previsíveis, porém ainda assim intensas. Las Chicas del Cable aborda problemas como violência à mulher, repressão ao voto feminino e leis baseadas em privilégio masculino. É o tipo de história que nos faz sofrer junto com as personagens, que nos faz acreditar nelas e torcer para tudo dar certo. É recheada de sororidade e feminismo que esquenta o coração da gente, por mais que ali seja retratada a vida real de forma bem crua.

Lindonas <3

Las Chicas del Cable é toda linda: fotografia incrível, direção boa, entrada da série linda e figurinos mais lindos ainda. Existem cenas lindas e as frases que Lidia/Alba fala em suas narrações são muito verdadeiras e poéticas, sempre abordando o tema do episódio – cada um tem um tópico, como “família”, “passado”, “amor”. Me incomoda um pouco o fato de a série ser espanhola, mas a trilha sonora (maravilhosa) ser toda em inglês; acho que poderiam ter dado mais valor à música espanhola já que a trilha tem umas músicas pop contemporâneas. O último episódio terminou com mil ganchos e espero que a segunda temporada seja liberada logo no começo de 2018 porque estou super curiosa para continuar acompanhando a história dessas mulheres incríveis. Agora que leu o post, abre sua Netflix por favor e vai assistir essa série!

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American Gods

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Para conferir a resenha do livro "Deuses Americanos", clique aqui.

American Gods

Minha Classificação:
American Gods - 2017 The Movie DB
de Neil Gaiman
Status: 1 temporada (renovada)
Episódios vistos: 8
Elenco: Ricky Whittle, Emily Browning, Bruce Langley, Yetide Badaki
Gênero: Ficção científica, Fantasia, , Drama, Mistério
Canal Original: Starz
Duração do Episódio: 60 minutos

Dia 30 de abril deste ano estreou pelo canal estadunidense Starz a série American Gods, baseada no livro homônimo de Neil Gaiman, Deuses Americanos. Shadow Moon acaba de sair da cadeia após passar três anos encarcerado, porém ele sai alguns dias antes do previsto pois sua esposa morreu num trágico acidente de carro. Indo para o velório, no avião ele conhece Mr. Wednesday, um senhor misterioso que lhe oferece emprego e, sem rumo algum em sua vida e sem muita vontade de pensar, Shadow aceita o trabalho e acaba se envolvendo na perigosa guerra entre os velhos e novos deuses. Esse post não contém spoilers!

… Sim, eu gosto de marshmallows.

Admito que estava com um medo maior que a expectativa para assistir essa série, pois como amei infinitamente o livro, pensei que a possibilidade de conseguirem estragar a história ia ser grande – ainda mais que o livro se passa no começo dos anos 2000, onde a internet era muito mal uma realidade e a série é adaptada para os dias atuais. Acompanhei o casting (escolha de elenco), as imagens que saíam, os pôsteres dos personagens, o trailer (clique aqui para assisti-lo, lembrando que CONTÉM SPOILERS do livro)… Portanto, esperei três episódios saírem para vir aqui escrever sobre o que achei e sobre os pontos negativos e positivos até agora e preciso deixar claro logo de início que todas as minhas expectativas foram positivamente superadas por American Gods e fiquei extremamente feliz que foi renovada (porque realmente a história é densa demais para ser reproduzida em apenas 8 episódios, que vão ao ar nessa temporada). Tenho a sensação que o Starz entregou o projeto nas mãos do Bryan Fuller, do Neil Gaiman e do Michael Green e disse: façam o que vocês quiserem. Mesmo de início (a temporada não está nem na metade) já dá para dizer que a adaptação é seriamente fiel à obra literária, o roteiro é praticamente o livro e existem momentos que os diálogos parecem transcritos exatamente como estavam nas páginas de Deuses Americanos. Além disso, a direção de arte é excepcional de forma a tornar cada episódio linda e visualmente espetacular, e tudo é feito de forma a manter a pegada meio doida/psicodélica/fantástica/épica do livro.

Raiva é boa.

Mesmo sendo uma série de ficção, American Gods anda trazendo questões muito relevantes (também presentes no livro) para os Estados Unidos da América, como por exemplo, a confirmação de que o país é miscigenado culturalmente mas que até hoje sofre com racismo. Os fatos de que a deusa da beleza e do amor é negra, o protagonista é negro, deuses africanos estão sendo representados, egípcios são representados por negros e homens árabes e muçulmanos estão sendo retratados como seres humanos complexos e sentimentais como quaisquer outros são de extrema importância, principalmente na TV americana que adora enfiar gente branca (o famoso whitewashing) em tudo. Temos também deuses nórdicos e europeus, é claro. A série ganhou manchetes em seu primeiro episódio porque mostra uma deusa “engolindo” um homem por sua vagina (o que também ocorre no livro), porém no terceiro episódio foi ao ar a cena de sexo gay (entre homens) mais explícita e longa da história da televisão, e a mídia ficou mais pasma ainda enquanto euzinha fico apenas feliz por ver mais representatividade de todos os gêneros em algum show de TV. Sem contar que há nus frontais masculinos e femininos em igual proporção – coisa que não acontece em Game of Thrones, por exemplo.

Eles sentam lado a lado, ignorando uns aos outros, e se rendem à mim.

A escolha de elenco foi muito acertada. Tive um receio gigante de que Ricky Whittle não fosse ser um bom Shadow, mas me encontro perdidamente apaixonada por ele (obrigada por tirarem a camisa dele em todos os episódios, que corpinho cremoso!) e, por incrível que pareça, o ator conseguiu dar mais vida e carisma ao protagonista! Ian McShane é um ator sensacional e está conseguindo transferir todo o carisma misterioso necessário para Wednesday e a química entre ele e Ricky Whittle é fantástica – a cena dos Jesuses é uma obra prima. Pablo Schreiber está ótimo de Mad Sweeney, um dos meus personagens favoritos do livro (também um corpinho cremoso); Yetide Badaki é lindíssima e uma deusa real como Bilquis; Peter Stormare é o melhor Czernobog que qualquer um poderia querer; Gillian Anderson obviamente excepcional como Media; e mesmo que Emily Browning ainda não tenha aparecido muito, aposto que dará um show como Laura que com certeza é minha personagem favorita do livro. Outros personagens queridos por mim ainda não tiveram suas grandes aparições, contudo já amo Mr. Nancy (Orlando Jones), Mr. Jacquel (Chris Obi) e Mr. Ibis (Demore Barns) porque não tem como não amar. Duvido muito que a série vá desandar daqui pra frente porque dá para perceber o afinco e o cuidado com os quais cada cena é feita, sendo uma homenagem ao clássico contemporâneo de Neil Gaiman extremamente bem feita – até porque tem as mãos dele nisso também. Ando vendo uma galera comentando que não está entendendo muito da série, no entanto continua assistindo porque sim e tenho um comentário a fazer: no começo do livro não dá para entender muita coisa, principalmente porque estamos acompanhando os acontecimentos com o olhar forasteiro de Shadow, só em meados do livro – penso que da série idem – que começamos a compreender aquela maluquice toda. Costumo dizer que Deuses Americanos é uma viagem de ácido muito louca de um jeito maravilhoso, porque é diferente e inspirador e único à sua maneira, e a série felizmente está seguindo o mesmo caminho. 

Shadow enorme e xícara pequena = ♥

Dear White People

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Dear White People

Minha Classificação:
Dear White People - 2017 The Movie DB
de Justin Simien
Status: 1 temporada (renovada)
Episódios vistos: 10
Elenco: Logan Browning, Antoinette Robertson, Ashley Blaine Featherson, DeRon Horton, Brandon P Bell
Gênero: Drama, Comédia
Canal Original: Netflix
Canal no Brasil: Netflix
Duração do Episódio: 30 minutos
Assistir Dear White People online: Netflix

Em Dear White People temos um grupo de estudantes negros, que são minoria no campus, passando por uma série de situações de preconceito numa das universidades mais caras da Ivy League, a Winchester University. O preconceito é velado até, em uma resposta ao programa de rádio de Samantha White, estudantes promovem uma festa de blackface (prática associada ao estereótipo historicamente racista em que brancos pintam o rosto para parecerem negros), onde o racismo é escancarado de forma irreversível na faculdade. Essa resenha NÃO contém spoilers! ;)

Às vezes ser negro e despreocupado é um ato de revolução.

Como mulher negra, me senti na obrigação de assistir essa série, por mais que seja num contexto não brasileiro. Em 2017, com a eleição de um presidente extremamente racista nos Estados Unidos, e a ascensão da extrema direita em muitos países – principalmente europeus -, Dear White People é incrivelmente necessária. Vira e mexe na internet vemos atos de racismo saírem impunes agora nesse novo governo estadunidense e muitas pessoas cancelaram suas contas na Netflix por conta dessa série, além de o teaser dela ter recebido milhares de negativações no Youtube. Por mais que a classificação pela crítica especializada no Rotten Tomatoes seja de incríveis 100%, essa série desagradou muita gente, e minha dica inicial é: se as pessoas se sentiram tão aborrecidas por essa série, é por isso mesmo que ela deve existir. Por mais que seja contundente, Dear White People consegue ser leve ao mesmo tempo que trata de assuntos sérios de forma direta e reta. São 10 episódios de 25/30 minutos fantasticamente bem escritos por negros, dirigidos por negros e atuados por elenco quase todo negro. O roteiro tem um timing cômico inserido em momentos sempre oportunos – ter um narrador (que é ninguém menos que Giancarlo Esposito) foi uma tirada maravilhosa -, ao passo que as cenas de tensão são construídas de forma fabulosa. Quero deixar claro aqui que o fato de essa série precisar existir em pleno século XXI é um motivo pelo qual todos os seres humanos deveriam se envergonhar.

Exatamente. Esta é a diferença. O fato de que você não liga e eu sim.

A série faz piada com típicos shows norte americanos de forma super descarada, porém em níveis diferentes: a paródia de Scandal é ridícula de tão bem feita, e a parte de Game of Thrones me fez ficar reflexiva e o que eles disseram sobre o Tarantino fez muito sentido; e o melhor é que ali não existe isso de “não vemos porque é cultura de branco” mas todos assistem os programas e têm aquele prazer culposo. Essa é uma das partes que destacam a não dicotomia na série: nem todo mundo é bom e nem todo mundo é mau, todas as pessoas negras têm tantas nuances como as brancas, por mais que somente agora as redes de TV e Hollywood estejam se atentando a este fato. Para enfatizar essas sutilezas pessoais os episódios enfocam um personagem por vez, mostrando suas histórias prévias e porquê eles são do jeito que são e como tudo foi culminar no Capítulo X, o último episódio: no desenrolar dos acontecimentos podemos ver que não há lado bom ou ruim na militância e que cada um se porta e se representa de um jeito diferente e isso é normal. É assombrosa a forma como a série conseguiu manter a sua qualidade impecável do primeiro ao último episódio, mas o destaque vai para o Capítulo V dirigido por ninguém menos que Barry Jenkins, ganhador de melhor filme no Oscar por Moonlight e assim como o filme me emocionou muito, o episódio destruiu meu coração (percebemos aqui uma tendência do diretor de acabar comigo).

Cara gente branca, vocês me fizeram me odiar quando criança, então eu os odeio agora e essa é minha vergonha secreta.

A protagonista é Samantha White, militante de um dos movimentos negros da Winchester University e tudo começa por conta do programa de rádio dela, que é extremamente sincero e por isso incômodo para todos os níveis de preconceituosos da faculdade, mas meu amor pelos personagens foi totalmente fragmentado. A Coco é fenomenal e depois de sofrer com estereótipos a vida toda ela só quer um pouco de paz; o Lionel é muito peculiar e retraído, porém consegue ser engraçado e foi uma das pessoas que mais evoluiu na série; e por fim, Joelle que é a responsável pelas melhores tiradas da série e pelas blusas mais legais. Na verdade todo mundo é maravilhoso do seu jeitinho ♥ menos o Gabe que foi uma adição necessária, porém para mim faltou um cadinho de carisma no ator (que, por exemplo, o Thane e o Kurt tiveram de sobra mesmo tendo menos destaque). O episódio dele foi fundamental para dar um toque a mais em questões que todo negro passa mas que são desconfortáveis para brancos, ainda mais quando são eles que estão do outro lado dos estereótipos. A única ressalva negativa é que não gostei como abordaram o movimento negro de forma a excluir os outros, por mais que hajam menções aos outros movimentos eles são banalizados, portanto a série acabou fazendo com outras reivindicações válidas o que ela não queria fazer com o movimento negro. Ademais, só queria deixar o link para um texto que achei muito importante, discute um pouco sobre a temática racial em Dear White People e o que isso tem a ver com 13 Reasons Why: para lê-lo clique aqui.