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The Handmaid’s Tale – Parte 2

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The Handmaid’s Tale – Parte 2

Minha Classificação:
The Handmaid's Tale - 2017 The Movie DB
de Bruce Miller
Status: 1 temporada (renovada)
Episódios vistos: 10
Elenco: Elisabeth Moss, Alexis Bledel, Samira Wiley, Yvonne Strahovski, Joseph Fiennes, Max Minghella
Gênero: Drama, Sci-Fi & Fantasia
Canal Original: Hulu
Canal no Brasil: Nenhum
Duração do Episódio: 50 minutos

A parte 1 desse post, escrita pela Mayra, pode ser lida aqui.

The Handmaid’s Tale é uma série do serviço de streaming Hulu, concorrente da Netflix, que foi baseada no livro de 1985 de mesmo nome que no Brasil foi lançado pela Rocco como “O Conto da Aia”. Sempre ouvi falarem muito bem do livro (que não li) e desde a estreia da adaptação também só ouço elogios. Eu não tinha conseguido começar a ver até ontem. Terminei toda a primeira temporada há alguns minutos e aqui vai a minha opinião.

A série é uma distopia onde as mulheres não conseguem mais engravidar e mesmo quando conseguem os bebês tem pouca chance de sobrevivência. Os religiosos americanos então dão um golpe de estado nos EUA assumindo o governo e com isso escravizam mulheres férteis para serem engravidadas pelos homens do alto escalão. Assustador, né? Além disso, muito Black Mirror.

Eu não li a sinopse então fui ficando horrorizada aos poucos cada vez que a sociedade da história se revelava mais cruel. Apesar de trabalhar muito bem o suspense, a série consegue mostrar ainda no primeiro episódio tudo o que precisamos saber sobre o que está acontecendo. E mesmo sem guardar informações consegue entregar uma temporada completa e sem muita “encheção de linguiça”.

A fotografia da série é uma das mais bonitas atualmente competindo apenas com Better Call Saul no quesito “caraca olha esse quadro” e “que escolha maravilhosa de ângulo da câmera”. A trilha sonora é incrível sabendo dosar tensão e alegria usando, além da excepcional interpretação do elenco, as músicas e sons da cena. Já que mencionei o elenco, quero falar aqui de Elisabeth Moss que vive a protagonista June/Offred. Infelizmente ainda não vi Mad Men e The West Wing, que são as séries anteriores onde ela esteve, mas não é todo dia que a gente tem a chance de ver uma atriz dar um show de atuação como ela deu aqui. A direção usa muitas tomadas em primeiríssimo plano para expressar as emoções dos personagens, e é possível ver Elisabeth transitando entre uma gama de sentimentos em poucos segundos. Espero que ela ganhe todos os prêmios que merece no ano que vem.

Não queria ter que te dizer isso mas há chances de você morrer de medo do Shakespeare Apaixonado.

Dificilmente uma série vai ser impecável e, não vou mentir, The Handmaid’s Tale bem que tentou e quase conseguiu, mas teve um grande problema pra mim: a passividade da protagonista. Ela durante a maior parte dos episódios não age e fica basicamente esperando alguma coisa acontecer com ela. Somos tomados por uma série de flashbacks sobre ela e outros personagens importantes onde vemos uma June forte e que luta para conseguir o que quer e, apesar de mostrarem que ela passou por um monte de coisas ruins que obviamente a fizeram mudar, eu não consegui entender essa falta de ação. Se você quer fazer o seu personagem ir de encontro ao esperado, você precisa desenvolvê-lo melhor para que eu consiga entender as motivações dele.

Como não quero me estender muito nos detalhes da trama, me limito a dizer que ela tem muito porque lutar, mas prefere apenas, literalmente, torcer pelo melhor. Existem outras personagens fortes, mas são apenas coadjuvantes e agindo conseguem mais em um dia do que a June em três anos. Talvez tanta passividade seja só para conseguir mover a história a passos de tartaruga enquanto uma Handmaid diferente resolveria rápido. Fica a reflexão.

Apesar desse pequeno grande problema The Handmaid’s Tale é maravilhosa e merece todos os elogios que vem recebendo. Eu pretendo ler o livro, mas não tenho previsão de quando vou conseguir fazer isso, de toda forma fico aqui torcendo para que os eventos do final da temporada despertem June para ser a protagonista forte que eu sei que ela pode ser e leve a série para ainda mais perto da perfeição.

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The Handmaid’s Tale – Parte 1

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The Handmaid’s Tale – Parte 1

Minha Classificação:
The Handmaid's Tale - 2017 The Movie DB
de Bruce Miller
Status: 1 temporada (renovada)
Episódios vistos: 9
Elenco: Elisabeth Moss, Alexis Bledel, Samira Wiley, Yvonne Strahovski, Joseph Fiennes, Max Minghella
Gênero: Drama, Sci-Fi & Fantasia
Canal Original: Hulu
Canal no Brasil: Nenhum
Duração do Episódio: 50 minutos

Desde quando estreou, The Handmaid’s Tale vem causando burburinhos na internet. A adaptação do famoso livro de Margaret Atwood “O Conto da Aia” pelo canal online Hulu foi muito esperada, e como os comentários eram muito positivos e todas as críticas citavam as palavras “feminismo radical” resolvi assistir e estou amando cada semana mais. Esse post não tem spoilers!

Eles fazem isso muito bem. Nos fazem desconfiar umas das outras.

Gilead é o que foi um dia os Estados Unidos da América. Estamos num futuro onde a natalidade é baixíssima, os natimortos altos e a fertilidade quase nula são uma realidade comum, portanto a humanidade se torna rarefeita. Através de um golpe de Estado, os Líderes dos Fiéis tomam o controle e instalam um regime ditatorial cujo objetivo é seguir estritamente as ordens de Deus e tornar o mundo fértil novamente, através das Handmaids (ou Aias).

Agora estou acordada para o mundo. Estava dormindo antes.

Nessa sociedade do futuro distópico temos a divisão de mulheres em três categorias (sem brincadeira): Handmaids, Esposas e Marthas. As Handmaids andam de vermelho e só podem sair na rua em pares, elas são as mulheres férteis que devem “cumprir seu dever biológico” dando a luz à crianças para o mundo. As Esposas vestem verde petróleo e são mulheres dos Coronéis dos Líderes dos Fiéis e são na maioria não férteis, por isso elas ficam com os filhos das Handmaids. As Marthas vestem cinza e bege e são cozinheiras comuns e também trabalham na limpeza da casa. Por incrível que pareça, sim, as mulheres são distinguidas por cores. As Esposas não podem ler nem contrariar seus maridos, as Handmaids podem ser mutiladas (mas sem estragar o aparelho reprodutor, claro) caso leiam ou se revoltem de alguma maneira. Estas últimas foram sequestradas, treinadas e sofreram uma “educação especial” (mais conhecida como lavagem cerebral) para que sejam dóceis e submissas e cumpram com seu dever de engravidar e dar à luz sem muitos problemas. Em Gilead, todo mundo é vigiado o tempo todo e as ruas e casas são patrulhadas por homens armados 24 horas por dia, 7 dias por semana. Gays e lésbicas são traidores de gênero e por isso eliminados. Que mundo maravilhoso para se viver, não é?!

A série é protagonizada por Offred – que era June -, uma Handmaid de um Coronel muito importante, e acompanhamos a história prévia de Gilead através de flashbacks que também nos ajudam a ter noção de como o mundo era antes desse absurdo todo. Ela narra a série em primeira pessoa, mas em alguns episódios temos um destaque maior para outros personagens da trama, o que não faz o espectador sofrer menos por tudo que está acontecendo. A maneira como as Esposas tratam as Handmaids, a perseguição aos opositores nas ruas, tudo é muito sofrido. The Handmaid’s Tale é brutal. A série é construída de forma a deixar toda e qualquer pessoa incomodada, desconfortável e revoltada – ainda mais se for mulher: as cenas, o roteiro, a fotografia e a direção são lindos, marcantes e poderosos para que quem estiver vendo se impressione com a possibilidade (hoje em dia nem tão remota assim) de aquilo vir a ser uma verdade concreta. 

Na verdade, The Handmaid’s Tale é uma ampliação exagerada (ou nem?) de tudo que vivemos hoje: extremismo religioso, caça à comunidade LGBT em alguns países e mulher sendo posta como biologicamente predisposta apenas a ter filhos e cuidar de casa. Portanto, penso que é uma série que não deveria ser mas é necessária em pleno 2017. Se falar mais sobre a série, darei spoilers, então apenas deixo um apelo: assistam essa série por favor!

A parte 2 desse post, escrita pela Cibele, pode ser lida aqui.