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Uma Loucura Discreta

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Uma Loucura Discreta

Minha Classificação:
Uma Loucura Discreta goodreads
de
Publicação: em 2016
Gêneros: ,
ISBN: 9788592783020
Título Original: A Madness So Discreet
Páginas: 388
Tradução: Fábio Bonillo
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Capa original

Boston, 1890. Grace Mae foi internada no Asilo Psiquiátrico Wayburne, porém não é louca. Ela sabe todos os segredos de sua família e foi enviada à reclusão porque isso foi demais para aguentar a ponto de sua voz sumir. E quando ela tem um ataque, é enviada ao porão onde conhece seu primeiro amigo em muitos anos, Dr. Falsteed, que pode ajudá-la a mudar sua vida miserável para melhor.

Grace aprendera havia muito tempo que os verdadeiros terrores deste mundo eram as outras pessoas.

Quando vi Uma Loucura Discreta na prateleira de uma livraria, sua capa e sinopse me chamaram a atenção. Lá ele estava na categoria “jovem adulto”, mas sinceramente, esse livro tem uma história muito pesada para estar junto de YAs de romance e etc. Grace está num asilo para insanos em Boston, sua cidade natal, a mando de seu pai para que ninguém saiba que está esperando um filho – já que isso denegriria a imagem da família do Senador Mae – e ela sofre e já sofreu tanto que penso que se fosse ela, talvez tomaria uma certa atitude que ela tomou. Tentarei discutir o mínimo de spoilers aqui, pois alguns são inevitáveis porque fazem parte até da sinopse oficial, embora não vá discutir detalhes.

Eles empurram sua discreta loucura em nós, seu poder e sua dor, e nós nos apegamos às nossas verdades aqui na escuridão.

Achei incrível a forma como Mindy McGinnis consegue construir uma história tão cheia de nuances – e parabéns, em um só livro. Temos feminismo, direitos humanos, estigmas de doenças psiquiátricas e ainda sobra espaço para casos policiais. Grace e o Dr. Thornhollow formam uma dupla maravilhosa para tentar desvendar o assassinato de mulheres, só que em momento algum os traumas passados de Grace são deixados de lado e o dia-a-dia no asilo deixa de ser interessante. Até bom humor a autora consegue colocar em alguns momentos pontuais, de forma sábia a ponto de não quebrar o clima de tensão do livro.

– Muito pelo contrário, minha definição é muito abrangente. Penso que somos todos loucos. Mas alguns de nós simplesmente são mais discretos em relação a isso.

Em Uma Loucura Discreta vemos a força que as mulheres tinham (e ainda têm) de ter que sobreviver em uma sociedade fundamentalmente patriarcal, e como elas fizeram uso disso para seguirem suas vidas como podiam. Na história temos diversos personagens, mas preciso destacar a amiga de Grace, Nell. Que mulher sensacional! Tanto a sua história quanto a de Lizzie são contadas de forma explícita por elas mesmas, enquanto a de Grace é lida nas entrelinhas até ela conseguir lidar com o trauma: isso faz com que o leitor sinta parte da agonia que ela sente, o que dimensiona mais a personagem. Porém mesmo tendo esse trauma enorme, a inteligência de Grace é tão grande quanto a de seu parceiro, o Dr. Thornhollow. A maneira que a autora encontrou de manter Falsteed na história também merece destaque – e a razão pela qual ele é mantido no asilo de Boston é muito grotesca, mas achei que fez um contraponto ótimo com a proposta do personagem. Gostei muito do desfecho do mistério dos assassinatos (e o entendi no contexto do livro, o que é mais importante) e também do final de toda a trajetória. Penso que livros profundos assim andam fazendo falta no mercado de hoje, e honestamente, não ligaria de comprar mais uma série de livros caso fosse protagonizada por Grace e Thornhollow…

 

Um Estudo em Vermelho – Sherlock Holmes 1

por • 5604 Acessos

    Livros da série Sherlock Holmes:

  1. Um Estudo em Vermelho
  2. O Signo dos Quatro
  3. As Aventuras de Sherlock Holmes
  4. As Memórias de Sherlock Holmes
  5. O Cão dos Baskervilles
  6. O Retorno de Sherlock Holmes
  7. O Vale do Medo
  8. O Último Adeus de Sherlock Holmes
  9. Histórias de Sherlock Holmes
Um Estudo em Vermelho – Sherlock Holmes 1

Minha Classificação:
Um Estudo em Vermelho goodreads
de
Publicação: em 2013
Gênero:
ISBN: 9788537810873
Título Original: A Study in Scarlet
Páginas: 190
Tradução: Maria Luiz X. de A. Borges
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Capa original

Um estudo em vermelho é o primeiro romance protagonizado pelo famoso detetive Sherlock Holmes, nesse volume acompanhamos a dupla dinâmica, Holmes e Watson, sendo apresentados e indo morar juntos. As peculiaridades de Holmes e seu senso aguçado para desvendar os mistérios que rondam crimes. Após demonstrar sua capacidade de análise para o Dr. Watson, Holmes reclama sobre não ter um criminoso que faça frente a sua capacidade e por isso todos os crimes podem ser solucionados pelo mediano corpo policial.

“Você parece espantado”, disse ele, sorrindo diante de minha expressão de surpresa. “Agora que sei disso, farei o possível para esquecer”.

É nesse contexto que dois chefes de polícia, Lestrade e Gregson, pedem a consultoria de Holmes em um caso estranho que ambos estão investigando, quem o convence a ir até o local do crime é Watson e mediante o absurdo que todos sentem com a situação inusitada, Holmes começa a conjeturar o que pode ter acontecido ali e sai em busca do criminoso.

“Não há crimes nem criminosos hoje em dia”, disse ele, em tom de queixa. “De que adianta ter cérebro em nossa profissão? Sei muito bem que tenho condições de tornar meu nome famoso.”

ilustracao-sherlock-holmesQuem narra a história é o Dr. Watson, ele faz as anotações durante o caso e depois transcreve numa tentativa de elucidar o papel de Holmes na solução do crime, já que todos os méritos vão para os policiais encarregados do caso. A narrativa é leve e fluída, com capítulos curtos e, no caso dessa edição da Zahar,  ilustrações, por isso quando se percebe o livro já acabou. No meio da história tem uma quebra de ritmo na narrativa, ela vira um relato de acontecimentos passados, que vai ajudar o leitor entender sobre o crime e os motivos do criminoso, mas parece que você foi transportado para outra história, outro livro, durante essas páginas. Essa quebra acontece bem no ápice da primeira narrativa, então o sentimento de frustração acontece, porém logo o autor te envolve de novo naquilo que ele está contando agora e quando percebe chegou no fim da história.

“Este caso vai causar sensação, senhor”, comentou. “Supera qualquer coisa que eu já tenha visto, e não sou nenhum frangote”.

Para uma apreciadora de romances policiais era uma tremenda vergonha não ter lido nada de Sherlock ainda, apesar de ter visto os dois filmes com Robert Doney Jr., que achava muito bom até assistir a série Sherlock da BBC com o Benedict Cumberbatch, – e isso é muito sério, se você ainda não viu a série, para tudo o que você está fazendo e vai ver, porque vale muito a pena – não substitui a leitura dos livros, então estou feliz por finalmente ter iniciado essa jornada que será ler os livros de Sherlock Holmes. 

O Bicho-da-Seda – Cormoran Strike 2

por • 8780 Acessos

    Livros da série Cormoran Strike:

  1. O Chamado do Cuco
  2. O Bicho-da-Seda
  3. Vocação para o Mal
  4. Livro 4 (sem título)
O Bicho-da-Seda – Cormoran Strike 2

Minha Classificação:
O Bicho-da-Seda (Cormoran Strike, #2) goodreads
de ,
Publicação: em 2014
Gênero:
ISBN: 9788532529589
Título Original: The Silkworm
Páginas: 464
Tradução: Ryta Vinagre
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Capa original

Esse é o segundo livro de romance policial escrito pela J.K Rowling sob o pseudônimo de Robert Galbraith, para entender toda a história você pode ler a resenha do primeiro livro aqui.

No que eu fui me meter?, perguntou-se Strike com irritação, olhando fixamente o bilhete.

Após alcançar uma considerável fama com o último caso, Cormoran passa a ser mais procurado e os negócios começam a melhorar. A relação entre ele e Robin também está mais madura, já que ambos estão construindo um relacionamento de confiança e parceria. Nesse livro, Strike é procurado pela esposa de um excêntrico escritor, que está sumido há algum tempo.

Acostumada a passar por essas situações com o marido, Leonora Quine não está muito preocupada com o sumiço do marido, é mais como uma irritação por estar precisando dele e não encontrá-lo. Porém, quando Strike tenta encontrar o escritor, se depara com uma cena de crime monstruosa, encontrando Owen Quine morto numa imitação grotesca de uma cena do seu último romance ainda não lançado, Bombyx Mori, título em Latim que significa bicho-da-seda.

O romance de Quine é uma crítica visceral ao mercado editorial, com personagens retratando as pessoas do meio editorial e pessoas que faziam parte da sua vida, expondo segredos e apontando o dedo para vários nomes conhecidos do mercado. Ao descobrir o número de pessoas que teve acesso ao manuscrito, Strike vai tentar descobrir quem são essas pessoas no livro e se de fato elas matariam por ele.

Eu tenho alguns problemas com esse livro, a narrativa foi lenta e parece que demos várias voltas para chegar no mesmo lugar. Mas o maior problema, na minha opinião, é o noivo da Robin, o Matthew, e as cenas como essa abaixo que se repetem por toda história.

As sequelas da briga dos dois sobre a decisão dela de levar Strike a Devon grudavam nela como fumaça. A discussão ferveu e explodiu repetidamente por toda a viagem de carro de volta a Clapham; os olhos dela ainda estava inchados de chorar e da falta sono.

A maioria das brigas da Robin com o Matthew são sobre o serviço dela e como ele pensa que ela poderia estar sendo melhor aproveitada e remunerada em outro lugar, além de sentir ciúmes do Strike. E acho isso irritante, pois parece que o autor está tentando construir um romance entre a Robin e o Strike. Sim, é usado vários recursos em que os personagens renegam qualquer possível envolvimento amoroso, mas ainda assim, eu sinto que o ~espetáculo ~ está sendo armado. 

Principalmente pelo Matthew sendo retratado como um babaca, quase nenhuma discussão dos dois é narrada ~ao vivo~, preferindo na maioria das vezes narrar apenas a lembrança da briga como no quote acima. Quase sempre a Robin aponta algum ~defeito~ do Matthew quando está pensado no relacionamento dos dois, e você fica apenas pensando que já que o relacionamento está ruim, acaba logo com isso. 

Nos romances policias a força está nos personagens, a Robin é forte e decidida e luta o livro inteiro para provar que merece estar onde está e quer continuar ali, e o Matthew parece ser só um ponto para atrapalhar a personagem na sua linha de evolução. Espero que isso mude nos próximos livros, e que o personagem seja melhor explorado ou que saia de cena, pois é como se ele estivesse presente apenas para impedir e mais tarde empurrar a Robin para o Strike.

Apesar de não ser difícil adivinhar quem é o assassino, dessa vez somos confrontados com mais suspeitos plausíveis do que no primeiro livro e tirando a enrolação do meio, foi uma boa história, acredito inclusive que a J.K Rowling se divertiu escrevendo, principalmente pelas críticas ao mercado editorial. Merecia 3,5 estrelas, mas no arredondamento ficou com 4 ;)