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Melhores e Piores Livros de 2017

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Essa é a nossa lista de melhores e pior livros de 2017. Não necessariamente lançamentos do ano, mas livros que lemos neste período.

Melhores

Camila

O Ano em que Disse Sim – Ler Shonda foi maravilhoso de uma forma que eu não esperava, ela é engraçada e espirituosa e sua narrativa te prende e vai te ganhando ao ponto de você pensar que também deveria fazer um ano do sim, para se desprender e se libertar de velhos paradigmas. É uma narrativa poderosa sobre retomar as rédeas da vida e se permitir fazer as coisas que antes assustavam. É definitivamente um livro que vai ser relido.

Fúria Vermelha – Apesar de estar na minha estante há muito tempo foi apenas esse ano que resolvi ler e fui surpreendida pela história, não esperava gostar tanto como gostei. A mistura de distopia, mitologia e ficção científica deu muito certo e conseguiu explorar bem todos os elementos dessa construção. O ritmo da narrativa é rápido, cheio de ação e reviravoltas, um ótimo começo de série.

Menções Honrosas: Corte de Névoa e Fúria, Outros Jeitos de Usar a Boca

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Outros Jeitos de Usar a Boca

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Outros Jeitos de Usar a Boca

Minha Classificação:
Outros Jeitos de Usar a Boca goodreads
de
Publicação: em 2017
Gênero:
ISBN: 9788542209303
Título Original: Milk and Honey
Páginas: 204
Tradução: Ana Guadalupe
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Capa original

Você tinha tanto medo da minha voz que eu decidi ter medo também

Não leio muita poesia, na verdade sendo extremamente sincera esse gênero literário nunca me atraiu muito. Me lembro uma vez na aula de Português, na faculdade de Jornalismo, uma professora, que ama Cecília Meireles, declamou uma poesia e fez a interpretação, me lembro que pensei, ah então é assim que se lê poesia. Para fazer a interpretação ela levou em conta o contexto social e histórico, além da biografia da poeta para dar sentido aqueles versos. Nunca consegui fazer igual, nunca consegui me deter por muito tempo em poesia, nem ultrapassar a barreira superficial que aquelas palavras significavam para mim. 

Você estava tão distante que eu esqueci que você estava lá

Dito isso sobre a poesia tradicional, com a licença poética colocada nessa tradicional, ano passado me deparei com outros tipos de poesia, que falavam mais diretamente comigo e portanto me chamaram muito mais atenção. Para o meu TCC eu vi todos os vídeos do Super Libris, uma série com 52 episódios sobre Literatura, e quando assisti o episódio: Uma ideia na cabeça e um mimeógrafo na mão  com o Chacal, em que ele vai falar da poesia marginal, que fugia dos padrões estabelecidos de métrica, tamanho e rima, me apaixonei ali pela forma simples de expressar as coisas.

E aí veio 2017 e com ele esse soco no estômago que foi a Rupi Kaur e seu Outros Jeitos de Usar a Boca, divido em quatro partes ele entrega a alma da sua autora e escancara a nossa, pois não se engane a Rupi pode estar falando dela, mas também está falando de todas nós. As partes são: a dor, o amor, a ruptura e a cura.

eu sou um museu cheio de quadros mas você estava de olhos fechados

A forma direta com que ela diz e disseca seus sentimentos é absurdamente cru, visceral, poderia ter sido eu dizendo aquilo, eu sei que eu já senti aquilo, poderia ser você. Essa identificação acontece porque a Rupi vai falar não só da sua dor, mas da dor de ser mulher, do sexo, do abuso, da diminuição feminina, da necessidade de nos amarmos como somos, do processo de cicatrização e cura. Segue com os poemas algumas ilustrações que tornam a experiência de ler o livro mais enriquecedora e detalhista. As ilustrações são feitas pela própria autora. 

você fala demais ele sussurra no meu ouvido conheço jeitos melhores de usar essa boca

Poesia ainda é assunto espinhoso para mim, tenho muito o que ler e estudar para conseguir dar opiniões sólidas sobre o assunto, mas acredito que esse livro tenha ultrapassado algumas barreiras e que pode abrir caminho para outros livros do gênero. Torcendo para que essa mulher escreva cada vez mais, que já estou esperando o próximo soco. 

PS: Aconselho loucamente a série Super Libris!