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Experimento Belko

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Experimento Belko

Minha Classificação:
The Belko Experiment The Movie DB
de Greg McLean
Título Original: The Belko Experiment
Roteiro: James Gunn
Elenco: John Gallagher Jr., Tony Goldwyn, Adria Arjona, John C. McGinley, Melonie Diaz, Josh Brener
Estreia: 17/03/2017
País: EUA
Gênero: Ação, Terror, Thriller

A empresa Belko fica no meio do nada e no que parece ser um dia comum de trabalho, os funcionários ouvem uma mensagem pelo alto-falante que diz que eles devem escolher dois deles para morrer nos próximos 30 minutos. Todos pensam ser apenas uma brincadeira até que placas de ferro cobrem as portas e janelas e pessoas começam a morrer.

Não acontece nada com o cachorro, pode se acalmar.

Eu não quis colocar nenhum spoiler, mas só para explicar melhor, o filme não tem nada de sobrenatural; são apenas pessoas matando pessoas. Dito isso, eu não posso deixar de comparar Experimento Belko a Circle, onde um grupo de pessoas também está presa num tipo de “experimento social” onde tem que decidir quem merece morrer e ainda bolar uma estratégia que poupe a própria vida. Os dois tem um final bem louco, mas enquanto a resolução dos personagens foi melhor em Circle, o motivo do experimento foi melhor em Belko.

O roteiro foi escrito pelo James Gunn (que escreveu e dirigiu os dois “Guardiões da Galáxia“) então não vou negar que esse foi um dos motivos que me deixou curiosa pelo filme. Mas enquanto em Guardiões James tem todo um cuidado na hora de desenvolver seus personagens e nos fazer gostar deles, aqui ele trata todos apenas como números a serem mortos então foi difícil me importar com qualquer um. Tratar pessoas como números é mais ou menos o que empresas fazem com funcionários? Sim. Pode ter sido intencional e parte da crítica social? Sinceramente acho que não porque ficou muito difícil entender a motivação de qualquer um sem conhecê-los. Por que essa pessoa em particular não vê problema em sair matando todo mundo e o outro se recusa a fazer isso? Antes que o experimento comece o filme se preocupa mais em estabelecer relações entre eles do que em mostrar quem são.

Apesar da ideia boa, depois de explicado para os personagens e público o que está acontecendo, o filme vira um daqueles de terror que não tem medo de ser nojento. Tem muita morte horrível, muita gritaria, muito personagem fazendo burrice e muito sangue. Eu sinceramente não ligo de ver essas coisas e adoro filme de terror, mas não ter para quem torcer faz uma GRANDE diferença nessas horas. Independente do que acontecesse minha reação era dizer apenas “ok”. Não acontece nenhuma reviravolta e o final se preocupa mais em deixar o caminho aberto para possíveis sequências do que em resolver a história que criou.

O final deu a entender que uma possível continuação vai ser mais interessante que o filme inicial, mas ainda assim eu tenho medo de que eles caiam novamente nos clichês do terror em vez de desenvolver melhor a situação, portanto eu não pretendo rever esse e nem ver os próximos. Se você tem curiosidade de saber o que vai acontecer, veja, mas não vá com grandes expectativas.

Antes Que Eu Vá

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Para conferir a resenha do livro "Antes Que Eu Vá", clique aqui.

Antes Que Eu Vá

Minha Classificação:
Antes Que Eu Vá The Movie DB
de Ry Russo-Young
Título Original: Before I Fall
Roteiro: Maria Maggenti
Elenco: Zoey Deutch, Halston Sage, Logan Miller, Elena Kampouris, Jennifer Beals, Cynthy Wu
Estreia: 03/03/2017
País: EUA
Gênero: Drama, Mistério, Thriller

Samantha Kingston é uma adolescente que faz parte do grupo das populares na escola. Ela é feliz e tem a vida aparentemente perfeita, até que no dia 12 de fevereiro ao voltar de uma festa ela sofre um acidente fatal, mas fica presa nesse dia e é obrigada a revivê-lo diversas vezes até que consiga entender que suas ações tem consequências e que há coisas que podem ser mudadas e outras que devem permanecer como estão.

Eu adoro o livro que deu origem a esse filme. Acho a ideia interessante e o “efeito borboleta” das ações da protagonista é bem executado, mas eu não veria a adaptação se não fosse pela minha Rose Hathaway. Por mais que a história seja ótima, ela tem detalhes demais para funcionar da mesma forma em pouco mais de 90 minutos. As minhas cenas favoritas foram deixadas de lado porque, apesar de serem ótimas, não contribuíam para a jornada da protagonista. Logo, sem surpresa nenhuma, achei o livro muito melhor, mas reconheço que dado o tempo existente para contar a história, o filme fez o melhor que pôde.

Acho a Zoey Deutch uma atriz muito competente, mas a Sam acabou ficando sem graça. Ela tem uma grande evolução nos dias repetidos, mas não deu pra notar muito na interpretação, o que é uma pena porque isso tem muita importância no desenrolar dos acontecimentos. Fora ela, os outros atores cumpriram bem seus papéis e deram vida a personagens algumas vezes mais complexos e interessantes que a própria protagonista.

Antes que eu vá aborda alguns assuntos sérios de uma forma bem casual e acabou ficando mais com cara de “sessão da tarde” do que deveria. Continua porém sendo um bom suspense e sendo salvo pelo final que te faz terminar o filme com uma sensação melhor do que se tivesse escolhido a saída clichê e fácil que muitos escolhem.

O Mestre dos Gênios

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O Mestre dos Gênios

Minha Classificação:
O Mestre dos Gênios The Movie DB
de Michael Grandage
Título Original: Genius
Roteiro: John Logan (roteiro), A. Scott Berg (livro)
Elenco: Colin Firth, Jude Law, Nicole Kidman, Laura Linney
Estreia: 10 Jun 2016
País: UK, EUA
Gênero: Biography, Drama
Duração: 104 min

Algum filme chama mais atenção de um apaixonado por literatura do que a relação entre editor e autor? Acho que não. A cinebiografia O Mestre dos Gênios baseado no livro Max Perkins: Um Editor de Gênios me emocionou no primeiro trailer que assisti do filme. Perkins foi editor de F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway e outros nomes famosos da literatura americana. Entre eles, Thomas Wolfe , autor que terá a relação com o editor explorada no filme. Após ser recusado por várias editoras Wolfe vai buscar seu manuscrito com Perkins, acreditando que será rejeitado mais uma vez, por isso  antes de receber a resposta já inicia um discurso inflamado sobre o seu material, até Perkins dizer que publicará sua obra.

Perkins era um editor respeitado e extremamente dedicado ao trabalho, deixando sua família de lado inúmeras vezes para mergulhar nas histórias que editava. Wolfe era extremamente passional, agitado e peculiar, quase megalomaníaco em sua escrita e a relação entre os dois foi amplamente explorada no filme, uma relação que vai desnudando camadas a medida que as expectativas são ou não correspondidas entre os dois. Colin Firth dá sustância ao editor, mas é Jude Law quem rouba cena com seu Wolfe. E isso pode ser um problema. Não li o livro e nem sabia da sua existência até assistir ao filme, porém a intensidade de Wolfe e o foco quase que exclusivo nos seus relacionamentos acaba diminuindo a importância e a narrativa do Perkins, que deveria ter o maior destaque.

Temos pequenas pinceladas do que poderia ter sido se o editor tivesse sido mais explorado, sua relação com Fitzgerald quando o autor não consegue mais escrever, a relação direta com Hemingway e seu modo de encarar a vida e um pequena crise no casamento dado o total descaso do Perkins com a sua família e com o sonho de ser atriz da esposa. Tudo isso fica em segundo plano mediante a chama brilhante de Wolfe que queima todos a sua volta, até a crise que Perkins tem sobre o papel do editor e se ele ajuda ou atrapalha o autor é pouco explorado.

O filme nos remete ao romantismo literário, a preocupação do editor com seus autores e o amor pelas palavras e pelos livros que elas podem gerar. Eu recomendo o filme e mesmo não achando genial desculpe o trocadilho ainda acho que vale a pena assistir e está disponível na Netflix. 

Não se pode conhecer um livro até chegar ao final, e então todo o resto precisa ser modificado para se adequar a ele – Perkins.