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Antes Que Eu Vá

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Para conferir a resenha da adaptação "Antes Que Eu Vá", clique aqui.

Antes Que Eu Vá

Minha Classificação:
Antes Que Eu Vá goodreads
de
Publicação: em 2011
Gêneros: ,
ISBN: 9788580570595
Título Original: Before I Fall
Páginas: 368
Tradução: Rita Sussekind
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Capa original

Sam é uma adolescente e faz parte do grupo das populares na escola. Um dia ela sofre um acidente grave e tem a chance de reviver o mesmo dia sete vezes e com isso rever o que podia ter feito diferente e, quem sabe, consertar as coisas.

“Se você repete bastante alguma coisa, quase consegue acreditar nela.”

Eu li essa história pela primeira vez em 2011, mas como o filme vai ser lançado no Brasil este mês resolvi reler porque já tinha esquecido praticamente tudo. Eu adorei o livro. Achei genial a forma como a Lauren Oliver deu vida a uma adolescente chata e a faz evoluir ao longo da história. É muito interessante acompanhar as idas e vindas de Sam enquanto ela vê o mesmo dia se repetir várias vezes.

“Tente não me julgar Lembre-se que somos iguais, eu e você. Também pensei que fosse viver para sempre.”

Apesar de essa coisa de “ficar preso num dia para consertar as coisas” não seja um conceito nada novo (que o digam Feitiço do tempo e Meia-Noite e Um) é inevitável torcer para que a protagonista consiga o que quer que seja que ela procure. O livro é narrado em primeira pessoa e algumas vezes a narradora se dirige diretamente ao leitor para questionar suas próprias atitudes. Será que o que ela faz é tão errado assim? Será que você nunca fez nada parecido? Ela mostra que é muito fácil julgar os outros, mas é difícil olhar para os próprios erros. Um dos temas centrais do livro é bullying, como é comum nesses casos, os populares costumam pegar no pé do resto da escola e aqui não é diferente. Vemos também a relação de Sam com a família, os amigos e os relacionamentos amorosos.

“(…) talvez você possa se dar o luxo de esperar. Talvez para você haja um amanhã. Talvez para você haja mil amanhãs, ou três mil, ou dez, tanto tempo que você pode se banhar nele, girar, deixar correr como moedas entre os seus dedos. Tanto tempo que você pode desperdiçar. Mas para alguns de nós só existe hoje. E a verdade é que nunca se sabe.”

Esse continua sendo um dos melhores livros que já li no gênero por se esforçar ao máximo para passar uma boa mensagem sem cair em clichês desnecessários. O final também foi uma agradável surpresa para mim justamente por ter feito uma coisa corajosa que nem todo autor consegue. Com a releitura fiquei ainda mais ansiosa pela adaptação e espero que não mudem muita coisa pois, para mim, Antes Que Eu Vá está perfeito assim. Vamos torcer.

Minha Vida (Não Tão) Perfeita

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Minha Vida (Não Tão) Perfeita

Minha Classificação:
Minha Vida (Não Tão) Perfeita goodreads
de
Publicação: em 2017
Gênero:
ISBN: 9788501109927
Título Original: My Not So Perfect Life
Páginas: 406
Tradução: Carolina Caires Coelho
Nível no Idioma Original: Intermediário
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Capa original

Katie/Cat cresceu no interior com o sonho de um dia viver e trabalhar em Londres. Aos 26 anos finalmente o sonho se tornou realidade mas não exatamente do jeito que ela esperava. Ela tem um emprego bem menos glamouroso do que o planejado e mora num apartamento minúsculo com duas pessoas estranhas. Essa é a verdade da vida de Katie/Cat, mas quando ela posta suas fotos nas redes sociais tenta passar a impressão de ser mais feliz do que realmente é. Mas como o que está ruim sempre pode piorar, Katie/Cat acaba passando por uma série de imprevistos que a fazem questionar seus sonhos e escolhas.

“Eu quero o toque dele. Mas quero a voz dele também. Seus pensamentos e piadas… suas preocupações e tristezas… suas teorias e devaneios. Todas as suas partes secretas que eu nunca imaginei que existiam.”

Eu adoro (quase) tudo que a Sophie Kinsella escreve, se vai lançar livro dela eu já tô planejando comprar sem nem ler a sinopse. Dito isso, eu preciso falar que esse livro infelizmente não me conquistou. Todas as coisas que eu amo nos livros da autora – protagonista cativante, par romântico interessante, situações de extrema vergonha alheia – não aconteceram aqui. Eu não consegui simpatizar com a Katie/Cat e o romance instantâneo me incomodou demais. A história em si também não trouxe nada de novo, as reviravoltas podiam ser previstas com muitas páginas de antecedência e as vergonhas foram tão poucas que pareciam ter sido inscritas por alguém que se inspira na Kinsella ao invés de ter sido por ela própria.

No último livro único adulto da autora (A Lua de Mel), ela focou um pouco mais em família e amizade feminina e repetiu a fórmula em My Not So Perfect Life, dando mais atenção a essas partes da vida da personagem, deixando carreira e principalmente romance como assuntos menos importantes. Apesar de ser uma coisa nova no trabalho da Kinsella, isso foi o que mais gostei nesse livro, além de ter adorado ver coisas da vida real na história, como a necessidade de “vender” uma vida perfeita nas redes sociais e a crise de 20 e poucos anos onde você já esperava estar com a vida toda no lugar, mas na verdade não sabe nem por onde começar ainda.

“Ela é um pesadelo. Ela é perfeita e ela é um pesadelo. As duas coisas.”

Apesar de eu ter dado “só” 3 estrelas na avaliação, não é que o livro tenha sido de todo ruim, eu consegui sim dar umas risadas, mas passei muito tempo evitando continuar a leitura porque nada do que acontecia me interessava. De todos os livros que já li da autora esse é o que menos gosto, inclusive considerando Becky Bloom que acho bem ruim, e fiquei muito decepcionada porque os livros dela costumam ser sucesso garantido na minha vida. Obviamente vou ler os outros livros que forem lançados futuramente, mas vou torcer para que o próximo me faça chorar de rir na rua como os anteriores.

OBS: Esse livro foi lido originalmente em inglês, mas após o lançamento nacional as informações técnicas foram atualizadas. Em seu idioma original, o nível de dificuldade é intermediário.

Clímax

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Clímax

Minha Classificação:
Clímax goodreads
de
Publicação: em 2015
Gênero:
ISBN: 9788544102633
Título Original: Beautiful You
Páginas: 224
Tradução: Érico Assis
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Capa original

Eu estava precisando muito de um livro relativamente fino para ler ~entre leituras~ (quem nunca?) e resolvi pegar esse do Palahniuk porque a história sempre me chamou atenção, e não poderia ter sido melhor!

Penny Harrigan é uma recém formada em direito de 25 anos, que pensa que sua vida está sendo desperdiçada porque na firma onde trabalha, BB&B ela serve apenas para pegar cadeiras para reuniões e buscar cafés para os executivos porque ela não tinha passado no exame da Ordem não uma, mas duas vezes. Num dia particularmente agitado, Penny está toda enrolada para conseguir uma cadeira, então tropeça e cai (cheia de café derramado) na frente do cara mais rico do mundo: C. Linus Maxwell. Ele pede para jantar com ela, e quando ela se vê envolvida nesse “romance”, percebe que não só ela como todas as mulheres do mundo podem estar em perigo.

“Sob quele olhar, Penny sentiu-se menos mulher e mais um experimento. Um ratinho de laboratório.” Pág. 50

Confesso que quando peguei o livro pra ler, minhas expectativas estavam lá no céu porque oh, Chuck Palahniuk, e confesso que não me decepcionei. O plot do livro é muito bom, ele te prende e você se vê virando incessantemente as páginas para saber o fim dessa trama maquiavélica. Eu até comentei com algumas pessoas que eu tenho medo do Palahniuk porque as coisas que saem da cabeça dele são muito bizarras mas ao mesmo tempo extraordinárias e diferentes de todos os autores que eu conheço. Seu humor negro e crítica à sociedade moderna estão sempre presentes, e nesse livro, de forma mordaz. CLíMax é o apelido de C. Linus Maxwell, o bilionário mais bilionário do mundo, que vê em Penny uma ótima cobaia para experimentar seus brinquedinhos sexuais que logo estarão disponíveis no mercado para todas as mulheres do mundo por meio da linha Beautiful You.

O problema é que o prazer é tão intenso e os orgasmos tão incríveis que as mulheres se tornam escravas dos produtos, viram viciadas como se fosse uma droga, e acabam vivendo apenas para aquilo. É um eufemismo maravilhoso de como a sociedade subjuga mulheres de todo o mundo através do padrão de beleza e insatisfação pessoal – Penny passa o começo do livro todo se autodepreciando – que o mínimo de satisfação sexual se daria tão raramente (numa pesquisa recente foi constatado que apenas 22% das brasileiras atingem o orgasmo – agora imagina isso em escala mundial, e temos o ambiente certo para a “dependência de estímulo” de que se trata o livro) que qualquer apetrecho de “empoderamento” e “libertamento” seria uma ameaça. Aí junta isso com o dono da marca sendo homem, toda a tecnologia de hoje em dia e temos escravidão mundial de mulheres. Isso aí. Por isso que eu fiquei com medinho, quando vocês lerem o livro, vocês entenderão.

“A superestimulação artificial parecia ser a maneira perfeita de sufocar uma geração de jovens que queria mais em um mundo que havia cada vez menos.” Pág. 129

O livro não é dividido em capítulos e acho que isso ajuda muito a criar a tensão que permeia o livro desde o começo. Ah, falando nisso, desde o início da história vemos que Clímax é uma sátira carregada de ironia desses livros eróticos que romanceiam o relacionamento abusivo que estão para lá de presentes no mercado *cof cof Cinquenta Tons de Cinza cof Belo Desastre*, só que com conteúdo ao mesmo tempo divertido e sério. E Palahniuk também debocha bastante de livros de vampiros, rs. Penso que o autor tenha posto esses fatores e algumas coisas bem absurdas para quebrar um pouco da tensão que eu disse ali em cima, porque poxa, escravidão mundial de mulheres através do prazer é um tema sério e a forma como o autor trata disso no livro me fez pensar loucamente no “e se fosse verdade?”. Nesse momento que vivemos aqui no Brasil atualmente, não a escravidão sexual em si, mas a misoginia do ato te faz parar pra rever os acontecimentos atuais, sabe?! Além disso, também tem um pouquinho de crítica à impaciência dos jovens de hoje e todo um contexto que nos ensina a aprender e respeitar os mais velhos – fora a heroína forte e sexualmente liberta que é Penny! Ah, Palahniuk, quanto amor!

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