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O Oceano no Fim do Caminho

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O Oceano no Fim do Caminho

Minha Classificação:
O Oceano no Fim do Caminho goodreads
de
Publicação: em 2013
Gênero:
ISBN: 9788580573688
Título Original: The Ocean at the End of the Lane
Páginas: 205
Tradução: Renata Pettengil
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Capa original

Sussex, Inglaterra. Um homem sai de um funeral para visitar a casa onde passou sua infância, e lá se lembra de quando conheceu Lettie Hempstock quarenta e tantos anos antes, e como ela lhe mostrou o oceano no fim do caminho da Fazenda Hempstock.

Gostei disso. Livros eram mais confiáveis do que pessoas, de qualquer jeito. Pág. 18

Em mais um livro fantástico de Neil Gaiman, temos uma narrativa sobre infância, sempre com elementos de fantasia, mas que não são exagerados – afinal, tudo é possível na mente de um garoto de 7 anos. Ele conhece Lettie Hempstock numa situação bem difícil para a sua família (aqui o chamo de “Ele” porque o protagonista não tem nome), pois um minerador de opalas que estava hospedado com eles, se asfixiou no carro de seu pai e desencadeou uma série de eventos que dão o pano para a manga do livro. No começo, não entendi muito bem quem eram as Hempstock, mas com o decorrer da história, consegui compreender o que elas representam, e creio que esse é o objetivo dessa obra de Neil Gaiman: o quanto nossas experiências quando crianças moldam nossas vidas como adultos.

As crianças, como eu já disse, seguem caminhos alternativos e secretos, ao passo que os adultos vão por ruas e caminhos predeterminados. Pág. 131

Durante todo O Oceano no Fim do Caminho senti um saudosismo imenso, porque a história nada mais é que uma ode à infância. Não sentimos o peso da responsabilidade, da adultez e de tudo que significa crescer e se moldar ao mundo. Tudo isso é associado a elementos criativos muito interessantes, em que as Hempstocks tem um grande papel (amei que são todas mulheres que não precisam de homens) e, por mais que seja um livro, ainda que pequeno, cativa o leitor a ponto de você se preocupar e se chatear com o que Ele passa. O epílogo é incrível, dá um quentinho no coração depois do final agridoce típico de Neil Gaiman, mas mantém o tom de mistério do livro. Enfim, não posso falar muito sobre O Oceano no Fim do Caminho sem estragar o enredo ou a delícia que é ler essa obra tão carinhosa. Só posso dizer que meu amor pelo Gaiman só aumenta!

Belas Maldições

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Belas Maldições

Minha Classificação:
Belas Maldições: as justas e precisas profecias de Agnes Nutter, Bruxa goodreads
de ,
Publicação: em 2017
Gênero:
ISBN: 9788528622003
Título Original: Good Omens: The Nice and Accurate Prophecies of Agnes Nutter, Witch
Páginas: 350
Tradução: Fábio Fernandes
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Capa original

Belas Maldições conta a história de um anjo e um demônio que estão na Terra desde a Criação, e que sabem que o Armagedom será onze anos depois de o Adversário ser entregue ao mundo. Quando a hora mais escura chega, os exércitos do Bem e do Mal estão se preparando para a Grande Guerra, que arrastará a humanidade de volta para a estaca zero, mas o mundo é tão legalzinho e tão recente… Pra que acabar com ele?

Pode ajudar na compreensão das questões humanas ter uma noção clara de que a maioria dos grandes triunfos e tragédias da história é provocada não porque as pessoas são fundamentalmente boas ou más, mas porque são fundamentalmente pessoas. Pág. 33

A sinopse de Belas Maldições é muito interessante, mas o motivo pelo qual pus minhas mãos nele foi claramente o nome de Neil Gaiman estampado na capa. Lamentavelmente Terry Pratchett faleceu em 2015, mas uma de suas séries, Discworld, é super famosa e até me deu vontade de ler depois desse livro. Achei o conteúdo muitíssimo equilibrado. Existem elementos característicos de Neil Gaiman – a jornada até um objetivo grandioso, personagens complexos -, mas também (acredito) um humor negro e tiradas interessantíssimas adicionadas pela sua parceria com Pratchett. É impossível finalizar esse livro desgostando de personagens ou não compreendendo seus papéis nas Justas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa, isto é, na doideira que o mundo se torna antes do apocalipse. Aziraphale ♥ é um anjo apaixonado por livros e que, como todo ser inefável, possui a tendência de sempre praticar o Bem. Já Crawley , um demônio (que já foi uma cobra bastante conhecida, numa história que envolve uma maçã) adora simples prazeres terrenos como dormir, ter um bom apartamento e acabar com o sinal de celular em toda Londres. Sinceramente, acho até um pouco cruel da parte dos autores me fazer apaixonar por um demônio…

Ele estava apenas matando tempo até o evento principal, mas o estava matando de modo exótico. Tempo e, às vezes, gente. Pág. 62

A narração em terceira pessoa é crua e realista (com eventuais toques de ironia e sarcasmo), e não poderia encaixar melhor nessa história. As notas de rodapé dão um tom de maior seriedade ao livro, mas assim que se lê a primeira, percebe-se que elas não passam de detalhes bem humorados para complementar a narrativa da jornada. O livro se passa no século XX, então temos referências à fitas cassete e LP’s e computadores primitivos como uma realidade presente, e se brinca o tempo todo com a ideia de quais criações modernas seriam dos demônios (game shows e trânsito ruim) e quais seriam dos anjos; ou até quais teriam escapado das mãos das instâncias Inferiores e Superiores, sendo responsabilidades apenas da humanidade em sua própria confusão. Não recomendaria esse livro para pessoas que são bastante voltadas para religião – seja ela qual for – porque tem muito humor negro e brincadeiras que podem ser tidas como de mau gosto para alguns (particularmente, ri alto de várias).

Ficou sentado no teto do carro, na chuva, sentindo a água entrar pelos fundilhos. Pág. 265

É incrível a maneira que os autores conseguiram pegar um assunto sério como o Apocalipse e tratá-lo com tanto bom humor. Não sei que mentes cabulosas seriam capazes de pensar num Anticristo (Adversário, Destruidor de Reis, Anjo do Abismo, Grande Besta que é chamada de Dragão, Príncipe Deste Mundo, Pai das Mentiras, Filho de Satã e Senhor das Trevas) de 11 anos que adora Star Wars, num demônio que adora Queen e cuida de plantas (de uma maneira muito duvidosa, diga-se de passagem), num anjo colecionador de livros que não os vende e perde uma espada flamejante e num bando de personagens com bizarrices e peculiaridades que se encaixam tão bem para talvez evitarem o Fim dos Tempos. Até sobra tempo para umas críticas sociais como o consumo extremo de comida não saudável pelos humanos, a eterna busca pelo padrão de beleza e quais são seus custos, guerras civis e outras coisas mais. O único defeito do livro, para mim, foram pequenos erros de edição e digitação; parece que queriam tanto lançar o livro que não quiseram ter o trabalho de revisar, por isso, às vezes aparecem erros bem grosseiros, mas nada que prejudique a leitura. Enfim, recomendo Belas Maldições até dizer chega caso você aí curta rir bastante em casos de fim de mundo.

O Retorno do Rei – O Senhor dos Anéis 3

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    Livros da série O Senhor dos Anéis:

  1. A Sociedade do Anel
  2. As Duas Torres
  3. O Retorno do Rei
O Retorno do Rei – O Senhor dos Anéis 3

Minha Classificação:
O Retorno do Rei (O Senhor dos Anéis, #3) goodreads
de
Publicação: em 2002
Gênero:
ISBN: 9788533615571
Título Original: The Return of the King
Páginas: 592
Tradução: Lenita Maria Rímoli Esteves
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Capa original

Enfim, chegamos ao terceiro e último livro e também ao apogeu da Guerra do Anel: Pippin e Gandalf estão em Gondor para ajudar na Cidade Branca; Gimli, Legolas, Aragorn e Merry estão em Rohan; e Frodo e Sam, guiados por Gollum, finalmente chegaram às portas de Mordor para tentar completar a Demanda do Anel e estão com o destino de todos da Terra-Média em suas mãos. Leia a resenha do primeiro livro aqui e a do segundo aqui. Essa resenha tem, claramente, SPOILERS!

– O que teme, senhora? – perguntou ele.
– Uma gaiola – disse ela. – Ficar atrás de grades, até que o hábito e a velhice as aceitem e todas as oportunidades de grandes feitos estejam além de qualquer lembrança ou desejo. Pág. 59

Há exatamente um ano atrás, postei a resenha de As Duas Torres. Demorei esse ano inteiro para ler O Retorno do Rei porque estava com pena de terminar a trilogia, por isso, coloquei muitas leituras na frente até o momento que não deu mais. Como não assistia os filmes há anos, não me lembrava de quase nada da história, por isso fiquei muito tempo pensando e pensando sobre o que aconteceria no fim de tudo – principalmente com Frodo e Sam. O terceiro livro é o menor de todos, também sendo um compilado dos livros V e VI, onde a tensão do terror que mora ao Leste paira o tempo todo e sufoca o leitor até o incrível final. Os personagens apresentados no segundo livro aqui tem seus papéis muito bem definidos, além de claro, haver a introdução de novos personagens – apenas para enriquecer e adicionar complexidade à história. Posso dizer que O Retorno do Rei é o ápice da trilogia, até porque é quando a Guerra do Anel finalmente ocorre, e não deve nada aos outros dois volumes da série. Recheado de batalhas épicas, surpresas e laços bem dados, o fim de O Senhor dos Anéis é esplendorosamente bem escrito.

[…] Pois o Senhor da Torre Escura tinha ainda uma outra arma, mais rápida que a fome: o medo e o desespero. Pág. 116

Na primeira parte do livro acompanhamos o preparo para a guerra que está vindo para Gondor, com a chegada de Gandalf e Pippin em Minas Tirith, ao passo que Gimli, Legolas, Aragorn e Merry estão em Rohan após a vitória da batalha do Abismo de Helm. Ao contrário do que ocorreu em As Duas Torres, a minha agonia aqui foi muito bem distribuída. Tolkien consegue deixar o leitor tenso o tempo todo, porque ninguém sabe ao certo quais são os planos do Senhor do Escuro, só sabemos que o seu exército ultrapassa e muito em números o dos homens do Oeste; além de claro, ocorrerem desafios paralelos como (alerta de spoiler! Passe o mouse para ler) a passagem de Aragorn, Legolas e Gimli nas Sendas dos Mortos e a loucura do Regente de Gondor. Quando finalmente nossos heróis da Sociedade do Anel e seus aliados partem para as batalhas, é uma aflição infinita porque em muitos momentos parece que vai dar tudo errado e o leitor fica torcendo por todo mundo – só que Tolkien mata alguns personagens que se tornaram queridinhos ao longo dos livros.

Todos os que lhe eram caros haviam partido para dentro da escuridão que pairava sobre o céu distante do leste, e restavam-lhe pouquíssimas esperanças de que um dia voltasse a ver qualquer um deles. Pág. 206

Para não perder o costume, Sam e Frodo só aparecem no livro VI, exatamente onde acabou o livro IV. Frodo nas mãos dos orcs e Sam desmaiado e com o Anel. É claro que as coisas só vão ladeira a baixo e percebi que li O Retorno do Rei quase inteiro suando frio de nervoso! Tolkien consegue construir um mundo tão lindo na Terra-Média que você não quer que aquilo acabe nas mãos de um ser ruim, por isso é uma leitura densa que é feita de forma rápida porque a curiosidade vence qualquer pena de acabar o livro. Adorei a forma que o autor conseguiu amarrar bem os arcos de todos os personagens, não só aqueles da Sociedade, dando a devida importância a personagens secundários e não deixando nada mal explicado.Também gostei muito do modo como a Demanda do Anel é completada, é ao mesmo tempo épico e anticlimático – porém as pistas de como seria feito foram deixadas ao longo dos dois primeiros livros. Oficialmente, essa trilogia virou uma das minhas séries de livros favoritas.

Agora a grande nuvem paira sobre toda a região daqui até as Montanhas da Sombra; e está ficando mais densa. A guerra já começou. Pág. 83

Assim como das outras vezes, assim que terminei o livro, fui assistir o filme. Peter Jackson deixou o final de As Duas Torres para o filme de O Retorno do Rei para que a tensão do espectador fosse levada a níveis alarmantes (agradeci ao universo por não ter assistido esse filme no cinema, pois ia passar bastante vergonha). Temos o túnel de Laracna, a torre de Cirith Ungol, as batalhas de Gondor e a Destruição do Um em apenas quatro horas e vinte de filme (versão estendida) e, honestamente, poucas adaptações são tão fiéis ao livro como essa. Dá para sentir o carinho e o amor de todos os atores e também do diretor para com O Senhor dos Anéis, e a direção é construída de modo a desesperar, mas também emocionar muito o espectador. Afinal, é o fim do épico que você acompanhou por dois anos e foi um fim tão bem feito que merece aplausos infinitos. Acho muito difícil algum fã de O Senhor dos Anéis não gostar das adaptações, já que poucas coisas são cortadas, e o que foi cortado realmente foi porque não tinha tanta necessidade de transmitir no filme. Quando os créditos começaram a passar na TV, minha blusa estava ensopada de lágrimas e meu corpo seco de água de tanto que chorei – talvez, apenas talvez, eu tenha me apegado loucamente aos personagens. Obviamente virei fangirl dessa série e o próximo passo é em direção às aventuras de Bilbo Bolseiro, mais conhecido como O Hobbit.

P.S.: Você pensou que não ia ter gif dele, não é mesmo???? Rá! Aqui está Aragorn (vulgo Viggo Mortensen):

Me faça sua rainha por favor!