Você está em: Início / Resenhas De Livros / Genero / Jovem Adulto

O Ceifador – Arc of a Scythe 1

por • 3595 Acessos

    Livros da série Arc of a Scythe:

  1. O Ceifador
  2. Thunderhead
O Ceifador – Arc of a Scythe 1

Minha Classificação:
Scythe goodreads
de
Publicação: em 2017
Gêneros: ,
ISBN: 9788555340352
Título Original: Scythe
Páginas: 448
Compre em lojas confiáveis:
saraivaculturasubmarinoamazonkobokindle
A compra pode render comissão ao blog.

Capa original

Em um futuro distópico a humanidade venceu a morte, as doenças e os problemas sociais. Tutelados pela Nimbo-Cúmulo, uma evolução da nuvem, essa inteligência artificial media e pondera todas as relações e providencia todas as necessidades da sociedade. Persiste um único problema, espaço, mesmo com todo o conhecimento possível disponível na Nimbo-Cúmulo, a humanidade não foi capaz de colonizar outros planetas e por isso é criado a Ceifa uma “instituição” separada e independente da Nimbo-Cúmulo que tem como missão coletar vidas.

Somos instruídos a anotar não apenas nossos atos, mas também nossos sentimentos, porque deve-se saber que temos sentimentos. Remorso. Arrependimento. Sofrimentos grandes demais para suportarmos. Porque, se não sentíssemos nada, que espécie de monstro seríamos?

Os Ceifadores possuem total liberdade de coleta desde que se mantenham próximos das metas numéricas, sociais e raciais estipuladas pela Ceifa, quem e como será coletado depende unicamente da vontade do Ceifador. Nesse contexto conhecemos Citra e Rowan que se tornarão aprendizes de Ceifadores e serão treinados nas várias formas de matar/coletar.

 Uma ceifadora havia coletado pouquíssimas pessoas ricas. Ela foi repreendida e recebeu ordens de coletar apenas milionárias até o próximo conclave.

O ponto forte desse livro, na minha opinião, é o enredo e os dilemas apresentados por essa sociedade que estão teoricamente livres de problemas. Talvez o que mais me fez refletir foi sobre a percepção de imortalidade que eles possuem. Já que a única forma de morrer é sendo coletado e a coleta é aleatória, as pessoas vivem como se não fossem morrer e isso é deprimente aqui. Uma vez que todo conhecimento está guardado na Nimbo-Cúmulo e as pessoas não precisam mais fazer diferença em nenhuma área de conhecimento, elas ficam sem objetivos na vida, com vidas pessoais bagunçadas e sem laços muitos fortes, e isso reflete uma sociedade deturpada, preocupada apenas com coisas fúteis e vivendo sem razão. E é bizarro pensar assim, porque afinal não queremos erradicar a fome? a miséria? encontrar a cura de todas as doenças? sim, queremos -só para deixar claro- mas já que ninguém mais morre, essas coisas não fazem mais diferença para eles. Isso me deixou extremamente angustiada, inclusive em alguma parte do livro é insinuado que a Nimbo-Cúmulo ainda mantém uma certa dose de desigualdade social para que as pessoas não fiquem completamente em estupor, vivendo todas iguais, e sim aqui faz sentido.

Nesse mesma sociedade temos os ceifadores, que estão acima da lei e são ao mesmo tempo as pessoas mais importantes da pirâmide social e párias completos. Eles vivem com o peso de matar em um mundo que não há mortes e com o peso de se matar quando acharem que a hora chegou. E apesar de terem que cumprir os mandamentos da Ceifa, há brechas e distorções e isso ocasiona em um questionamento da causa deles e de como eles devem agir, no final de cada capítulo foi colocado a entrada de diário de um ceifador e é interessante entender o sentimento deles para com a morte, as diferentes formas de coletar vidas e principalmente como eles imaginam o futuro.

Nunca houve tantas maquinações e armadilhas na Ceifa.

Falei pouco dos personagens, porque acho que eles ficaram diminuídos em comparação com a história, porém cada um deles tem seu momento. Não gostei muito como certas atitudes e sentimentos ficaram sem desenvolvimento, por ter dois protagonistas o foco ficou muito em um só, e portanto apesar do outro falar da mudança que estava ocorrendo, eu não vi muito dessa mudança acontecer e o final pareceu levemente forçado. Não é um livro perfeito, ou mesmo redondinho nas explanações, mas é um livro que traz questionamentos e me fez pensar sobre porque vivemos e queremos alcançar. Estou com uma expectativa alta para o segundo livro, principalmente pelo rumo que o autor decidiu tomar para dar seguimento nessa história, espero, de verdade, não me decepcionar.

0
comentário

Antes Que Eu Vá

por • 4191 Acessos

Antes Que Eu Vá

Minha Classificação:
Before I Fall goodreads
de
Publicação: em 2011
Gêneros: ,
ISBN: 9788580570595
Título Original: Before I Fall
Páginas: 368
Tradução: Rita Sussekind
Compre em lojas confiáveis:
saraivafnacculturasubmarinoamericanasshoptimewalmartamazonbwbkobokindle
A compra pode render comissão ao blog.

Capa original

Sam é uma adolescente e faz parte do grupo das populares na escola. Um dia ela sofre um acidente grave e tem a chance de reviver o mesmo dia sete vezes e com isso rever o que podia ter feito diferente e, quem sabe, consertar as coisas.

“Se você repete bastante alguma coisa, quase consegue acreditar nela.”

Eu li essa história pela primeira vez em 2011, mas como o filme vai ser lançado no Brasil este mês resolvi reler porque já tinha esquecido praticamente tudo. Eu adorei o livro. Achei genial a forma como a Lauren Oliver deu vida a uma adolescente chata e a faz evoluir ao longo da história. É muito interessante acompanhar as idas e vindas de Sam enquanto ela vê o mesmo dia se repetir várias vezes.

“Tente não me julgar Lembre-se que somos iguais, eu e você. Também pensei que fosse viver para sempre.”

Apesar de essa coisa de “ficar preso num dia para consertar as coisas” não seja um conceito nada novo (que o digam Feitiço do tempo e Meia-Noite e Um) é inevitável torcer para que a protagonista consiga o que quer que seja que ela procure. O livro é narrado em primeira pessoa e algumas vezes a narradora se dirige diretamente ao leitor para questionar suas próprias atitudes. Será que o que ela faz é tão errado assim? Será que você nunca fez nada parecido? Ela mostra que é muito fácil julgar os outros, mas é difícil olhar para os próprios erros. Um dos temas centrais do livro é bullying, como é comum nesses casos, os populares costumam pegar no pé do resto da escola e aqui não é diferente. Vemos também a relação de Sam com a família, os amigos e os relacionamentos amorosos.

“(…) talvez você possa se dar o luxo de esperar. Talvez para você haja um amanhã. Talvez para você haja mil amanhãs, ou três mil, ou dez, tanto tempo que você pode se banhar nele, girar, deixar correr como moedas entre os seus dedos. Tanto tempo que você pode desperdiçar. Mas para alguns de nós só existe hoje. E a verdade é que nunca se sabe.”

Esse continua sendo um dos melhores livros que já li no gênero por se esforçar ao máximo para passar uma boa mensagem sem cair em clichês desnecessários. O final também foi uma agradável surpresa para mim justamente por ter feito uma coisa corajosa que nem todo autor consegue. Com a releitura fiquei ainda mais ansiosa pela adaptação e espero que não mudem muita coisa pois, para mim, Antes Que Eu Vá está perfeito assim. Vamos torcer.

Amnésia – Alterados 1

por • 4644 Acessos

    Livros da série Alterados:

  1. Amnésia
    1. Betrayed
  2. Erased
  3. Reborn
    1. Played
Amnésia – Alterados 1

Minha Classificação:
Altered goodreads
de
Publicação: em 2014
Gêneros: ,
ISBN: 9788582351130
Título Original: Altered
Páginas: 240
Tradução: Eric Novello
Compre em lojas confiáveis:
saraivaculturasubmarinoamazonkobokindle
A compra pode render comissão ao blog.

Capa original

Anna está com 17 anos, mas desde os 13 ela descobriu que seu pai tem um laboratório no porão com quatro rapazes. Após descobrir a senha do laboratório ela faz visitas regulares no meio da noite para conversar com eles. Atualmente, mesmo ajudando seu pai com as pesquisas durante o dia, ela ainda volta de madrugada para conversar com os garotos. Ela não sabe de muita coisa, apenas que seu pai trabalha para a Agência e que já faz quatro anos que os meninos estão trancados no porão. Eles não tem lembranças de antes disso e Anna imagina que estão tentando criar um super soldado.

Eu não pertencia ao mundo dos meninos. Não que pertencesse ao mundo real também. Tinha medo demais de que, se deixasse alguém entrar na minha vida, a pessoa descobrisse meus segredos sobre o laboratório e os rapazes.

Cas, Trev, Nick e Sam estão há quatro anos vivendo em cubículos com banheiros, sendo monitorados e testados em habilidades variadas. Quando a Agência chega para levá-los para outro laboratório, eles conseguem colocar em prática um plano de fuga. Anna que está no meio do fogo cruzado, não sabe em quem confiar, mas sua paixão por Sam fala mais alto e ela ajuda os garotos. Seu pai pede que eles a levem na fuga e dá o endereço de um lugar seguro para eles irem, iniciando uma corrida por respostas.

A primeira coisa que precisa ser comentada é a ingenuidade da Anna, ela está vendo os garotos presos o tempo todo no laboratório, eles são apagados quando é necessário fazer exames de sangue e outras inspeções em que o contato é necessário, nenhum deles tem memórias passadas e ela pensa que eles se voluntariaram para o programa e que não está acontecendo nada demais. E como o livro é narrado do ponto de vista da Anna fica claro o quão ingênua a garota é, ao ponto de ficar magoada quando os garotos falam que conquistaram a confiança dela como uma maneira de fugir, afinal ela estava do outro lado do vidro. 

Apesar da ingenuidade da Anna o ritmo da narrativa é acelerado, já que eles estão fugindo de uma instituição que eles não sabem exatamente o que é, e precisam encaixar várias peça de um quebra cabeça para descobrirem sobre o passado e como escapar no presente. Eu gostei mais do que achei que gostaria desse livro, as cenas de ação são interessantes e nunca acontece exatamente o que você espera, além de ser cheio de reviravoltas. Porém, não temos muita explicação sobre o que é o Programa ou a própria Agência. 

“Vocês estão todos conectados”, disse eu, só então percebendo aquilo. “É como se vocês soubessem o que os outros estão sentindo sem dizer nada de fato”.

A ação é intercalada com romance e confesso que algumas vezes achava meio bobo a Anna toda apaixonada em momentos de tensão e sobrevivência, isso é um pouco explicado quando eles descobrem mais sobre sua própria história, mas é meio bizarro quando descobrimos a ligação que todos os personagens possuem. A edição brasileira está com erros de revisão que incomodaram um pouco, palavras perdidas e conjugações erradas. Não ouvi falar muito dessa série por aqui e já faz dois anos que esse livro foi lançado e nada da editora dar sequência na série, então fiquei com a impressão que flopou por aqui. Embora, essa série tenha uma boa nota no goodreads e seja um bom entretenimento.