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A Prisão do Rei – A Rainha Vermelha 3

Por 945 Acessos

    Livros da série A Rainha Vermelha:

  1. A Rainha Vermelha
  2. Espada de Vidro
  3. A Prisão do Rei
  4. War Storm
A Prisão do Rei – A Rainha Vermelha 3

Minha Classificação:
A Prisão do Rei
de
Publicação: em 2017
Gêneros: ,
ISBN: 9788555340277
Título Original: King's Cage
Páginas: 538
Tradução: Alessandra Esteche, Guilherme Miranda, Zé Oliboni
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Capa original

Este post contém muitos SPOILERS dos dois livros anteriores da série. Caso queira ler as resenhas de A Rainha Vermelha e a de Espada de Vidro, é só clicar em cima dos nomes.

Mare está aprisionada no palácio de Whitefire sob o olhar do rei Maven e sob o peso de Pedras Silenciosas e guardas Arven que suprimem todo o seu poder elétrico. O rei a usa para alcançar seus objetivos de fortalecimento do reinado, enquanto a sanguenova pensa apenas em fugir, mas precisa manter seu papel pelo bem de sua família e amigos. Enquanto isso, a Guarda Escarlate se organiza para tentar subverter o controle de Maven e incitar a rebelião vermelha tão esperada e necessária no reino de Norta, porém os artifícios do rei podem levar tudo a perder.

É engraçado, mas antes eu achava que meu maior medo era ficar sozinha. Agora nunca fico só e nunca estive tão aterrorizada. Pág. 22

Depois de nove meses você vê o resultado do Li Até A Página 100 E… de A Prisão do Rei, cá estou com a resenha (que pode estar um pouquinho grande). Este terceiro volume de A Rainha Vermelha consolidou minha relação incerta de amor e ódio pela série de uma tal maneira que espero conseguir entendê-la pelo menos no quarto livro, porque olha… Complicado. Tão complicado que, mesmo ansiosa e tendo lido mais da metade do livro em inglês uns três dias após o lançamento, o larguei e fui seguir a minha vida. O porquê não sei, mas fiz isso talvez pelo medo de que a autora pudesse estragar o que já estava estragado até a metade do livro – meu desgosto com Mare. Obviamente, vou reclamar bastante da personagem ao longo desse post porque sinceramente, ela pulou de uma badass meio chata do segundo livro para uma garota incrivelmente insuportável nesse terceiro. Entendo que ficar aprisionada por seis meses sofrendo abuso psicológico e físico pode tornar uma pessoa meio ranzinza, mas não é isso que me deixa pistola com a personagem. Ela se mantém fiel a si durante o seu tempo de prisão, porém fica o tempo todo remoendo como Maven é um monstro e faz coisas horríveis, mas como ela o amou e como ele tem traumas (que não justificam nada que ele fez ou faz) e como ele é só um menino e etc etc etc: é insuportável, sério. Tudo bem que Mare não tinha muito em que pensar durante o cárcere, mas que é chato e poderia ter sido poupado no livro, poderia. Me irrita demais como ela e Cal parecem ser suscetíveis demais a Maven mesmo depois de ele ter traído e tentado matar os dois e fazer Mare prisioneira!!!!!!! Quer maior rompimento familiar/afetivo que esse? É tenso sim não saber como Maven vai usar Mare em seguida e o que ele planeja tanto para ela quanto para o reino de Norta e o combate à Guarda Escarlate – o garoto aprendeu bem com a mãe -, mas com esses pecados narrativos da personagem, apenas não consigo gostar dela, por mais que me esforce loucamente – três livros depois e ainda estou na mesma – e ela seja uma manipuladora, leitora de pessoas talentosíssima e engraçadinha de vez em quando.

A garota elétrica nos salvou, e por isso sou grata. Ainda que seja uma hipócrita egoísta, não merece o que deve estar passando. Pág. 49

Para mim, um grande ponto positivo de A Prisão do Rei foi a sacada de Victoria Aveyard de colocar múltiplos narradores. Ao passo que acompanhamos Mare em sua prisão, temos a visão da Guarda Escarlate pelos olhos de Cameron. Gostei muito da personagem como narradora, principalmente pelo fato de ela pensar tudo que penso com relação a Mare e a Cal. Ela não aceita migalhas de ninguém, tem personalidade forte e consegue aumentar seu espaço como personagem, e não foi uma escolha óbvia como ponto de vista. Além delas duas, há ainda um terceiro narrador que só aparece depois da grande reviravolta do livro – que diga-se de passagem, é apenas imprevisível. Assim como nos dois volumes anteriores, a autora consegue tirar ótimos plot twists das mangas e alimentar 2/3 do livro de tramas e tretas que explodem no fim desse terceiro volume, ainda deixando bastante pano para a manga do quarto livro.

Por um segundo, isso me deixa feliz. Então me lembro: os monstros são mais perigosos quando estão assustados. Pág. 155

A Prisão do Rei é bom por diversos fatores que não a garota elétrica, e entre eles estão os ardis de Maven. O garoto é um diabo maquiavélico e pensa de uma maneira tão vilanesca que às vezes é difícil acreditar que aquelas ideias saem de um jovem de 18 anos. Aliás, os ardis não são apenas de Maven, mas também da Corte e da Guarda Escarlate, esses dois sendo responsáveis pelo grande revés do meio do livro e este segundo, pelo final literalmente arrepiante desse terceiro volume. O título do livro é dúbio e, mesmo que você não entenda de primeira, a autora faz questão de explicar durante a história. Junto com as tramas políticas e rebeldes de todos os lados, o que me faz dar cinco estrelas para A Prisão do Rei também é seu retrato de mulheres fortes. Mare é uma delas (por mais que eu pense que ela ainda se ancora muito em Cal – mas parece que isso vai mudar no quarto livro), seguida de Cameron, Farley, Iris e umas outras que não posso mencionar porque é spoiler. Todas elas são inteligentes, espirituosas e intensas às suas maneiras, e isso enriquece muito o enredo da história e penso que é determinante em livros que atingem público jovem adulto.

A escuridão me acompanha. Pág. 315

Nesse terceiro livro, outros fatos que me conquistaram foram: a presença de um casal gay (!!!!) e a exploração de vulnerabilidades que não a de Mare (principalmente a do Terceiro Narrador), que são dolorosas ao mesmo tempo que boas de ler. Enfim, A Prisão do Rei é uma leitura tortuosa e imensamente satisfatória, portanto recomendo para quem começou ou quer começar a série: Victoria Aveyard tem uma escrita que faz qualquer um grudar nos seus livros e só soltar quando acabar, e mesmo assim, para apenas se perguntar quando sai o próximo! A capa do quarto e último volume da série, War Storm (ainda sem título em português) saiu e está lindíssima (clique aqui para vê-la), assim como a capa de todos da série! A Editora Seguinte disse no twitter que tentará lançar simultaneamente com os Estados Unidos, e assim espero, porque estou ansiosíssima para ler o fim dessa história que me deixa dividida entre o amor e o ódio até hoje.

O Beijo Traiçoeiro – Traitor’s 1

Por 6116 Acessos

    Livros da série Traitor's:

  1. O Beijo Traiçoeiro
  2. The Traitor's Ruin
O Beijo Traiçoeiro – Traitor’s 1

Minha Classificação:
O Beijo Traiçoeiro (Traitor's Trilogy, #1) goodreads
de
Publicação: em 2017
Gênero:
ISBN: 9788555340499
Título Original: The Matchmaker's Apprentice
Páginas: 440
Tradução: Guilherme Miranda
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Capa original

Sage Fowler é uma garota órfã que depende da caridade dos seus tios, ela é fruto de um casamento não aprovado pela sociedade e teve uma criação não convencional. Seu sonho é arrumar um emprego, se sustentar e finalmente ficar livre das amarras sociais. Porém, acaba ganhando uma entrevista com a casamenteira da região. As casamenteiras escolhem os futuros casais, a escolha envolve posições sociais, políticas e as melhores combinações de acordo com as observações feitas em entrevistas realizadas com os pretendentes. Após uma entrevista desastrosa Sage recebe a proposta de se tornar aprendiz de casamenteira, uma chance de se redimir e não prejudicar as chances de suas primas em suas futuras entrevistas, de ter um emprego e de usar todas as suas habilidades em observar e reunir informações sobre os clientes da casamenteira.

Em paralelo com a jornada da Sage, temos o Capitão Quinn, filho do General, sua promoção é fruto de muito trabalho e não da influência de familiares. Após não se sair tão bem em uma missão, recebe a incumbência de escoltar as noivas para o Concordium, um evento que acontece a cada quatro anos em que as noivas bem cotadas e escolhidas a dedo pela casamenteira são levadas para a capital para que os acordos e os noivos sejam escolhidos. Apesar de Quinn considerar essa missão como punição, ele entende a importância de um serviço bem feito e vê a oportunidade de espionar um possível traidor da coroa no processo.

Não vou deixar que seja usada nas suas brincadeiras de soldado

Quando a situação se mostra mais desfavorável que o esperado, Sage acaba se tornando a espiã da escolta e com sua astúcia acaba sendo responsável pela maioria dos planos que eles colocam em ação para garantir a sobrevivência do grupo. Que delícia de leitura foi esse livro, leve, divertido e cheio de pequenas provocações entres os protagonistas, as páginas voaram. Sage é aquela personagem que mesmo sendo teimosa e impulsiva não irrita o leitor, pelo contrário, a identificação é alta, porque ela sempre fala o que deve ser falado, não leva desaforo para casa e é simplesmente brilhante. Já Quinn parece ser um pouco sério demais, preocupado demais, mas quanto mais a história se desenvolve, mais engraçada fica a situação dos dois. Alguns personagens secundários roubam a cena e mesmo com pouco desenvolvimento se destacam quando aparecem. 

Apesar de ter um cenário político conflitante, reinos inimigos, traições, espionagem e batalhas, esses fatores apenas servem de pano de fundo para a história de romance/ação dos protagonistas, é um enredo de novela da seis e isso não é um problema, porque em nenhum momento o livro promete mais do que ele entrega. São apresentados algumas camadas de como essa sociedade funciona, onde estão os aliados e os inimigos, a importâncias que os casamentos e as casamenteiras possuem no equilíbrio dessa sociedade e o resto é interação entre a Sage e o resto do grupo. 

Não sabia que era uma série, mas fiquei muito feliz de ser, só para ter mais da Sage e suas aventuras para ler. O final me deixou com lágrimas nos olhos e não achei que a reação dos personagens fez jus ao crime que a autora cometeu, sério partiu meu coração e foi o único momento que destoou do resto da história. Espero que os outros livros continuem leves e divertidos. E como último adendo, a capa brasileira está ótima, melhor que a capa original, porque dá o tom certo da história. 

Você tem minha palavra quanto ao silêncio, mas minha confiança é outra história. 

Dumplin’ – Dumplin’ 1

Por 4218 Acessos

    Livros da série Dumplin':

  1. Dumplin'
  2. Puddin'
Dumplin’ – Dumplin’ 1

Minha Classificação:
Dumplin' (Dumplin', #1) goodreads
de
Publicação: em 2017
Gênero:
ISBN: 9788558890311
Título Original: Dumplin'
Páginas: 300
Tradução: Heloísa Leal
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Capa original

Willowdean tem 17 anos e é gorda, mas não tem problema nenhum com isso. A mãe é ex Miss Jovem Flor do Texas e sim, Willow já tentou fazer mil dietas antes, porém aceitou seu corpo como é agora porque é o corpo que o universo lhe deu. Porém, quando vislumbra o primeiro amor, sua cabeça se enche de dúvidas e ela percebe o quanto o mundo pode ser cruel com aqueles fora do padrão de beleza – só que Dumplin’ usa isso a seu favor, decidindo entrar no Miss Jovem Flor do Texas ela mesma.

Não gosto de pensar nos meus quadris como um estorvo e sim como um atrativo. Afinal, se estivéssemos, digamos, em 1642, esse popozão de parideira valeria muitas vacas. Pág. 12

Juro que não sei nem como começar a resenhar esse livro, tamanho o impacto dele na minha vida. Marquei tantas passagens que acabei com meu estoque de post-its e tive que lê-lo em casa porque corria risco de chorar na rua. Dumplin’ é uma leitura obrigatória para toda e qualquer pessoa que, independente do sexo, cor ou tamanho, já se sentiu mal consigo mesma. É um aprendizado não só sobre aparência física, mas sobre maturidade, amizade, saudade, sexualidade e desafios ao status quo. É um livro sobre diferença e como ser diferente faz parte da essência humana. É incrível demais a forma como me identifiquei com inúmeras partes do livro e me senti bem ao mesmo tempo que mal com muitos pensamentos de Willow: bem porque não sou a única a me sentir desse jeito e mal porque esse tipo de pensamento sequer existe no mundo. Julie Murphy desconstrói padrões com uma leitura rápida, porém carregada de significado.

Se a minha pele tivesse um zíper para eu abrir e fugir, é o que eu faria. Pág. 79

Willow é uma personagem forte, uma adolescente que se ama do jeito que é – até a segunda página. É comum que nós mulheres (não estou falando que apenas mulheres sofram com padrões de beleza socialmente impostos, mas como a protagonista do livro é mulher cis, estou me direcionando aqui à elas, mas caso você não o seja, escreve aí nos comentários a sua visão sobre isso) não nos sintamos bem com nós mesmas, sempre insatisfeitas com algum traço de nossos corpos, seja peso, cabelo, altura… E isso se deve ao bombardeio midiático e social ao qual somos expostas diariamente com produtos para emagrecimento, produtos para alisar nossos cabelos e para nos deixarem mais agradáveis aos olhos, mais “femininas”, como se fôssemos meros bibelôs, meros objetos decorativos. Parte desse padrão socialmente construído tem como objetivo incutir na cabeça das mulheres que elas precisam se utilizar de todos esses artifícios para que fiquem do agrado dos homens (heterossexuais), e é aí que a autoestima de Will vai para o chinelo, pois ela não consegue parar de pensar no que Bo sente ao tocá-la – e no que os outros vão pensar caso eles dois namorem. Isso não é por ela ser adolescente, mas sim por ser uma mulher fora do padrão nesse mundo ridículo que nós vivemos e que exige que todo mundo seja igual. É aí que Julie Murphy faz sua mágica e destrói o nosso coração ao longo do livro enquanto Will amadurece como mulher e como ser humano, além de claro, dar a nós leitores um cutucão para pararmos de viver tentando agradar aos outros.

[…] É irresistível e todo mundo sabe a letra, mas, para mim, o que vale é esse lembrete de que, seja você quem for, sempre haverá alguém mais bonito, mais esbelto ou mais inteligente. A perfeição não é nada mais do que um fantasma que perseguimos. Pág. 192

Will pode ser a protagonista, mas os personagens secundários são muito bem construídos. Amei o fato de que a autora escolheu dar destaque aos problemas de Will consigo mesma, mas ao mesmo tempo ela pontua que a grama do vizinho nem sempre é mais verde e todo mundo tem algum tipo de problema ou insegurança na vida. As meninas que se tornam amigas de Will, Amanda, Hannah e Millie, em momento nenhum são vitimizadas, mas tratadas como personagens fortes e cheias de qualidade. Outro fator relevante é que Will não é aquele tipo de personagem chata e inconsequente, ela tem consciência de tudo que faz e das consequências que isso pode ter na vida dela e dos outros. Além disso, a forma como Julie Murphy faz a Will amadurecer é sensacional, principalmente no que tange a Lucy, a tia recém falecida de Will. A relação dela com a tia era íntima e ao longo do livro vemos a protagonista lidando com o luto e tentando reconstruir e remoldar o vínculo frágil que ela tem com a mãe, e a discussão da importância de pessoas na nossas vidas é muito explorada (das que estão aqui e das que já se foram). Enfim, Dumplin’ é uma obra complexa em sua simplicidade, e sinceramente, não poderia ficar mais orgulhosa de mim por ter resolvido comprar esse livro na Bienal. Aliás, o filme baseado no livro talvez saia agora em 2018 e já se sabe que Danielle Macdonald será Willowdean, Jennifer Aniston será Rosie, mãe de Willow. Agora é sentar e esperar para ver se eles conseguirão passar todas as mensagens maravilhosas do livro num filme.