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Tudo o que Nunca Contei

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Tudo o que Nunca Contei

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Tudo o que nunca contei goodreads
de
Publicação: em 2017
Gêneros: ,
ISBN: 9788580579741
Título Original: Everything I Never Told You
Páginas: 304
Tradução: Julia Sobral Campos
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Capa original

Pelo resto da vida Marilyn ficaria incomodada por sua mãe ter razão.

Lydia está atrasada para o café da manhã do dia 03 de maio de 1977, sua lição de física está esperando ao lado da tigela de cereal e sua mãe já está impaciente quando descobre que a filha não está em casa e parece ter passado a noite fora. Ela não é apenas uma das filhas dos Lee, ela é a filha preferida e a partir do momento em que o corpo da garota é encontrado no lago da cidade, a vida familiar termina de ruir.

Me interessei por esse livro após uma pessoa do twitter elogiá-lo, fiquei com ele na cabeça e imaginei que seria um thriller policial, não poderia estar mais enganada. Acabei me deparando com uma família complexa, que ao perder a filha precisam enfrentar todos os ressentimentos e inseguranças que o convívio familiar gerava. Havia um desconforto palpável na casa, que insistia em ser escondido embaixo do tapete, nas obrigações formais, nas pequenas fugas e formas de se esquivar.

Sua mãe estava morta, e a única coisa sobre ela que valia a pena lembrar, no fim, era que havia cozinhado.

É desconfortável acompanhar a família, através de um narrador onipresente vamos encaixando as peças de presente e passado, a visão dos personagens vão mudando entre um parágrafo e outro, tudo de forma orgânica, sem prejudicar a narrativa, mas não a sensação de sufocamento que permanece do começo ao fim. Tanto James como Marilyn são muito diferentes de seus pais e acabam gostando um do outro pelos motivos errados, eles enxergam no parceiro aquilo que eles querem para eles mesmos e portanto iniciam uma vida com uma perspectiva falsa da vida que terão. Também se casam em uma época que o casamento inter-racial não era bem aceito socialmente, James é descendente de chineses, e poderia ser crime em alguns estados.

Tudo isso poderia não ter importância para seus filhos, Nath, Lydia e Hannah, porém são essas expectativas e frustrações que recaem nos ombros dos filhos, principalmente de Lydia, que por motivos diferentes acaba sendo a preferida tanto do pai, como da mãe e se vê incapaz de se livrar desse fardo. É angustiante perceber a total falta de atenção, para não dizer descaso, com os outros filhos que vivem a sombra da irmã e portanto carregam o peso de não serem notados. Conforme o narrador vai construindo essa história percebemos os pequenos momentos em que as paredes foram ruindo na relação familiar, como apesar de morarem na mesma casa e praticamente não terem contato com outras pessoas, elas eram estranhas entre si e isso é triste.

Não há culpados na família, você consegue avaliar o peso das decisões de cada um com base em sua vivência, eles são tão humanos, tão passíveis de erros e tão ancorados nas suas perspectivas e expectativas que mesmo quando seu estômago revira mediante uma atitude errada, cruel ou de puro descaso, você entende. Pode não aceitar, mas entende. Confesso que me surpreendi com os assuntos que são abordados no livro, em como a autora consegue abordar o preconceito de tantas formas diferentes e de como esse sentimento acaba moldando nossa forma de encarar o mundo e as pessoas ao nosso redor, nesse caso, principalmente para os alvos do preconceito.

Só quando chegava em casa e via Lydia, a névoa amarga se dissipava. Achava que para ela tudo seria diferente.

O Ceifador – Arc of a Scythe 1

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    Livros da série Arc of a Scythe:

  1. O Ceifador
  2. Thunderhead
O Ceifador – Arc of a Scythe 1

Minha Classificação:
O Ceifador (Arc of a Scythe, #1) goodreads
de
Publicação: em 2017
Gêneros: ,
ISBN: 9788555340352
Título Original: Scythe
Páginas: 448
Compre em lojas confiáveis:
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Capa original

Em um futuro distópico a humanidade venceu a morte, as doenças e os problemas sociais. Tutelados pela Nimbo-Cúmulo, uma evolução da nuvem, essa inteligência artificial media e pondera todas as relações e providencia todas as necessidades da sociedade. Persiste um único problema, espaço, mesmo com todo o conhecimento possível disponível na Nimbo-Cúmulo, a humanidade não foi capaz de colonizar outros planetas e por isso é criado a Ceifa uma “instituição” separada e independente da Nimbo-Cúmulo que tem como missão coletar vidas.

Somos instruídos a anotar não apenas nossos atos, mas também nossos sentimentos, porque deve-se saber que temos sentimentos. Remorso. Arrependimento. Sofrimentos grandes demais para suportarmos. Porque, se não sentíssemos nada, que espécie de monstro seríamos?

Os Ceifadores possuem total liberdade de coleta desde que se mantenham próximos das metas numéricas, sociais e raciais estipuladas pela Ceifa, quem e como será coletado depende unicamente da vontade do Ceifador. Nesse contexto conhecemos Citra e Rowan que se tornarão aprendizes de Ceifadores e serão treinados nas várias formas de matar/coletar.

 Uma ceifadora havia coletado pouquíssimas pessoas ricas. Ela foi repreendida e recebeu ordens de coletar apenas milionárias até o próximo conclave.

O ponto forte desse livro, na minha opinião, é o enredo e os dilemas apresentados por essa sociedade que estão teoricamente livres de problemas. Talvez o que mais me fez refletir foi sobre a percepção de imortalidade que eles possuem. Já que a única forma de morrer é sendo coletado e a coleta é aleatória, as pessoas vivem como se não fossem morrer e isso é deprimente aqui. Uma vez que todo conhecimento está guardado na Nimbo-Cúmulo e as pessoas não precisam mais fazer diferença em nenhuma área de conhecimento, elas ficam sem objetivos na vida, com vidas pessoais bagunçadas e sem laços muitos fortes, e isso reflete uma sociedade deturpada, preocupada apenas com coisas fúteis e vivendo sem razão. E é bizarro pensar assim, porque afinal não queremos erradicar a fome? a miséria? encontrar a cura de todas as doenças? sim, queremos -só para deixar claro- mas já que ninguém mais morre, essas coisas não fazem mais diferença para eles. Isso me deixou extremamente angustiada, inclusive em alguma parte do livro é insinuado que a Nimbo-Cúmulo ainda mantém uma certa dose de desigualdade social para que as pessoas não fiquem completamente em estupor, vivendo todas iguais, e sim aqui faz sentido.

Nesse mesma sociedade temos os ceifadores, que estão acima da lei e são ao mesmo tempo as pessoas mais importantes da pirâmide social e párias completos. Eles vivem com o peso de matar em um mundo que não há mortes e com o peso de se matar quando acharem que a hora chegou. E apesar de terem que cumprir os mandamentos da Ceifa, há brechas e distorções e isso ocasiona em um questionamento da causa deles e de como eles devem agir, no final de cada capítulo foi colocado a entrada de diário de um ceifador e é interessante entender o sentimento deles para com a morte, as diferentes formas de coletar vidas e principalmente como eles imaginam o futuro.

Nunca houve tantas maquinações e armadilhas na Ceifa.

Falei pouco dos personagens, porque acho que eles ficaram diminuídos em comparação com a história, porém cada um deles tem seu momento. Não gostei muito como certas atitudes e sentimentos ficaram sem desenvolvimento, por ter dois protagonistas o foco ficou muito em um só, e portanto apesar do outro falar da mudança que estava ocorrendo, eu não vi muito dessa mudança acontecer e o final pareceu levemente forçado. Não é um livro perfeito, ou mesmo redondinho nas explanações, mas é um livro que traz questionamentos e me fez pensar sobre porque vivemos e queremos alcançar. Estou com uma expectativa alta para o segundo livro, principalmente pelo rumo que o autor decidiu tomar para dar seguimento nessa história, espero, de verdade, não me decepcionar.

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Antes Que Eu Vá

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Para conferir a resenha da adaptação "Antes Que Eu Vá", clique aqui.

Antes Que Eu Vá

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Antes Que Eu Vá goodreads
de
Publicação: em 2011
Gêneros: ,
ISBN: 9788580570595
Título Original: Before I Fall
Páginas: 368
Tradução: Rita Sussekind
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Capa original

Sam é uma adolescente e faz parte do grupo das populares na escola. Um dia ela sofre um acidente grave e tem a chance de reviver o mesmo dia sete vezes e com isso rever o que podia ter feito diferente e, quem sabe, consertar as coisas.

“Se você repete bastante alguma coisa, quase consegue acreditar nela.”

Eu li essa história pela primeira vez em 2011, mas como o filme vai ser lançado no Brasil este mês resolvi reler porque já tinha esquecido praticamente tudo. Eu adorei o livro. Achei genial a forma como a Lauren Oliver deu vida a uma adolescente chata e a faz evoluir ao longo da história. É muito interessante acompanhar as idas e vindas de Sam enquanto ela vê o mesmo dia se repetir várias vezes.

“Tente não me julgar Lembre-se que somos iguais, eu e você. Também pensei que fosse viver para sempre.”

Apesar de essa coisa de “ficar preso num dia para consertar as coisas” não seja um conceito nada novo (que o digam Feitiço do tempo e Meia-Noite e Um) é inevitável torcer para que a protagonista consiga o que quer que seja que ela procure. O livro é narrado em primeira pessoa e algumas vezes a narradora se dirige diretamente ao leitor para questionar suas próprias atitudes. Será que o que ela faz é tão errado assim? Será que você nunca fez nada parecido? Ela mostra que é muito fácil julgar os outros, mas é difícil olhar para os próprios erros. Um dos temas centrais do livro é bullying, como é comum nesses casos, os populares costumam pegar no pé do resto da escola e aqui não é diferente. Vemos também a relação de Sam com a família, os amigos e os relacionamentos amorosos.

“(…) talvez você possa se dar o luxo de esperar. Talvez para você haja um amanhã. Talvez para você haja mil amanhãs, ou três mil, ou dez, tanto tempo que você pode se banhar nele, girar, deixar correr como moedas entre os seus dedos. Tanto tempo que você pode desperdiçar. Mas para alguns de nós só existe hoje. E a verdade é que nunca se sabe.”

Esse continua sendo um dos melhores livros que já li no gênero por se esforçar ao máximo para passar uma boa mensagem sem cair em clichês desnecessários. O final também foi uma agradável surpresa para mim justamente por ter feito uma coisa corajosa que nem todo autor consegue. Com a releitura fiquei ainda mais ansiosa pela adaptação e espero que não mudem muita coisa pois, para mim, Antes Que Eu Vá está perfeito assim. Vamos torcer.