Você está em: Início / Resenhas De Livros / Genero / Jovem Adulto

Dumplin’ – Dumplin’ 1

por • 521 Acessos

    Livros da série Dumplin':

  1. Dumplin'
  2. Puddin'
Dumplin’ – Dumplin’ 1

Minha Classificação:
Dumplin' (Dumplin', #1) goodreads
de
Publicação: em 2017
Gênero:
ISBN: 9788558890311
Título Original: Dumplin'
Páginas: 300
Tradução: Heloísa Leal
Compre em lojas confiáveis:
saraivafnacculturasubmarinoamericanasshoptimeamazonkobokindle
A compra pode render comissão ao blog.

Capa original

Willowdean tem 17 anos e é gorda, mas não tem problema nenhum com isso. A mãe é ex Miss Jovem Flor do Texas e sim, Willow já tentou fazer mil dietas antes, porém aceitou seu corpo como é agora porque é o corpo que o universo lhe deu. Porém, quando vislumbra o primeiro amor, sua cabeça se enche de dúvidas e ela percebe o quanto o mundo pode ser cruel com aqueles fora do padrão de beleza – só que Dumplin’ usa isso a seu favor, decidindo entrar no Miss Jovem Flor do Texas ela mesma.

Não gosto de pensar nos meus quadris como um estorvo e sim como um atrativo. Afinal, se estivéssemos, digamos, em 1642, esse popozão de parideira valeria muitas vacas. Pág. 12

Juro que não sei nem como começar a resenhar esse livro, tamanho o impacto dele na minha vida. Marquei tantas passagens que acabei com meu estoque de post-its e tive que lê-lo em casa porque corria risco de chorar na rua. Dumplin’ é uma leitura obrigatória para toda e qualquer pessoa que, independente do sexo, cor ou tamanho, já se sentiu mal consigo mesma. É um aprendizado não só sobre aparência física, mas sobre maturidade, amizade, saudade, sexualidade e desafios ao status quo. É um livro sobre diferença e como ser diferente faz parte da essência humana. É incrível demais a forma como me identifiquei com inúmeras partes do livro e me senti bem ao mesmo tempo que mal com muitos pensamentos de Willow: bem porque não sou a única a me sentir desse jeito e mal porque esse tipo de pensamento sequer existe no mundo. Julie Murphy desconstrói padrões com uma leitura rápida, porém carregada de significado.

Se a minha pele tivesse um zíper para eu abrir e fugir, é o que eu faria. Pág. 79

Willow é uma personagem forte, uma adolescente que se ama do jeito que é – até a segunda página. É comum que nós mulheres (não estou falando que apenas mulheres sofram com padrões de beleza socialmente impostos, mas como a protagonista do livro é mulher cis, estou me direcionando aqui à elas, mas caso você não o seja, escreve aí nos comentários a sua visão sobre isso) não nos sintamos bem com nós mesmas, sempre insatisfeitas com algum traço de nossos corpos, seja peso, cabelo, altura… E isso se deve ao bombardeio midiático e social ao qual somos expostas diariamente com produtos para emagrecimento, produtos para alisar nossos cabelos e para nos deixarem mais agradáveis aos olhos, mais “femininas”, como se fôssemos meros bibelôs, meros objetos decorativos. Parte desse padrão socialmente construído tem como objetivo incutir na cabeça das mulheres que elas precisam se utilizar de todos esses artifícios para que fiquem do agrado dos homens (heterossexuais), e é aí que a autoestima de Will vai para o chinelo, pois ela não consegue parar de pensar no que Bo sente ao tocá-la – e no que os outros vão pensar caso eles dois namorem. Isso não é por ela ser adolescente, mas sim por ser uma mulher fora do padrão nesse mundo ridículo que nós vivemos e que exige que todo mundo seja igual. É aí que Julie Murphy faz sua mágica e destrói o nosso coração ao longo do livro enquanto Will amadurece como mulher e como ser humano, além de claro, dar a nós leitores um cutucão para pararmos de viver tentando agradar aos outros.

[…] É irresistível e todo mundo sabe a letra, mas, para mim, o que vale é esse lembrete de que, seja você quem for, sempre haverá alguém mais bonito, mais esbelto ou mais inteligente. A perfeição não é nada mais do que um fantasma que perseguimos. Pág. 192

Will pode ser a protagonista, mas os personagens secundários são muito bem construídos. Amei o fato de que a autora escolheu dar destaque aos problemas de Will consigo mesma, mas ao mesmo tempo ela pontua que a grama do vizinho nem sempre é mais verde e todo mundo tem algum tipo de problema ou insegurança na vida. As meninas que se tornam amigas de Will, Amanda, Hannah e Millie, em momento nenhum são vitimizadas, mas tratadas como personagens fortes e cheias de qualidade. Outro fator relevante é que Will não é aquele tipo de personagem chata e inconsequente, ela tem consciência de tudo que faz e das consequências que isso pode ter na vida dela e dos outros. Além disso, a forma como Julie Murphy faz a Will amadurecer é sensacional, principalmente no que tange a Lucy, a tia recém falecida de Will. A relação dela com a tia era íntima e ao longo do livro vemos a protagonista lidando com o luto e tentando reconstruir e remoldar o vínculo frágil que ela tem com a mãe, e a discussão da importância de pessoas na nossas vidas é muito explorada (das que estão aqui e das que já se foram). Enfim, Dumplin’ é uma obra complexa em sua simplicidade, e sinceramente, não poderia ficar mais orgulhosa de mim por ter resolvido comprar esse livro na Bienal. Aliás, o filme baseado no livro talvez saia agora em 2018 e já se sabe que Danielle Macdonald será Willowdean, Jennifer Aniston será Rosie, mãe de Willow. Agora é sentar e esperar para ver se eles conseguirão passar todas as mensagens maravilhosas do livro num filme.

Sonata em Punk Rock – Cidade da Música 1

por • 4913 Acessos

    Livros da série Cidade da Música:

  1. Sonata em Punk Rock
Sonata em Punk Rock – Cidade da Música 1

Minha Classificação:
Sonata em Punk Rock goodreads
de
Publicação: em 2016
Gênero:
ISBN: 9788582353899
Páginas: 384
Compre em lojas confiáveis:
saraivafnacculturasubmarinoamericanasshoptimewalmartamazonkobokindle
A compra pode render comissão ao blog.

Valentina Gontcharov ama música, especialmente rock, seu sonho é entrar na conceituada Academia Margareth Vilela e graças aos seu ouvido absoluto ela consegue, porém não tem dinheiro para custear seus estudos, sua mãe foi abandonada grávida pelo pai e desde então ela batalhou muito para criar a filha sozinha e dinheiro não é algo que sobre em casa. Alexandre Gontcharov, pai de Valentina, é um exímio violinista, além de ser famoso e rico, e se oferece para bancar os estudos de Valentina. Sem ter muitas opções e querendo mostrar ao pai que foi um erro abandoná-la ela decide aceitar a esmola e ruma para Cidade da Música.

Esse é o primeiro livro da Babi que leio, atraída pela capa lindíssima e pela sinopse cheia de música resolvi folhear na livraria, gostei do que li e decidi comprar. Há algum tempo que não leio jovem adulto contemporâneo, a verdade é que essa faixa etária de livros já não me chama tanto atenção, com exceção de fantasia, que é um dos meus gêneros preferidos, mas fui atraída para a história da Valentina e gostei do que encontrei.

Valentina, ou Tim como gosta de ser chamada, se depara com um mundo novo na Academia, um mundo envolto em sons e música o tempo todo e isso a encanta. Em sua primeira noite na Academia acaba encontrando Kim e o ajudando em uma situação constrangedora, apenas para descobrir no dia seguinte que ele é o príncipe da Margareth Vilela, um gênio no piano e um tremendo babaca com todo o resto. 

Tim é inteligente, irônica e muito madura para idade e não consigo entender porque ela começa a gostar do Kim, que parece ter saído direto de um dorama para as páginas do livro, intensamente rude e grosseiro com todo mundo, se esconde sob seus problemas psicológicos e emocionais para ser um grande babaca, e o fato da Valentina o criticar por isso e saber que não deveria gostar dele é o que mais me irrita. Ele demora muito para ser minimamente legal com a garota e quando isso acontece ela já está apaixonada por ele, o que acho totalmente fora da personalidade da Valentina. 

A última coisa que queria era ser medíocre.

Como é narrado por ambos os personagens, vamos acompanhando os pensamentos tanto da Tim quanto do Kim e apesar da autora estabelecer que o Kim também gosta da Tim desde o começo, devido a reações físicas e psicológicas que ele tem, não muda que é no mínimo um cenário improvável para o desenvolvimento de um relacionamento.

Já a atmosfera da Academia e da Cidade da Música foi muito bem construída, você se sente vivendo música enquanto lê o livro, as referências, os capítulos que são nomes de músicas e o envolvimento entre os diferentes estilos e instrumentos, torna a Academia um lugar palpável. Os amigos da Valentina são ótimos, não possuem muito aprofundamento na história, mas o que é mostrado deles é divertido e real. 

Então além do Kim, teve duas coisas me que me incomodaram um pouco na história, a primeira é quando o Kim está pensando que ainda não sabe o nome da garota esquisita e logo no capítulo seguinte ao compará-la com a sua ex-namorada, Bianca, ele usa o nome Valentina, então fiquei um pouco confusa se foi um artifício textual para diferenciar as duas garotas ou foi um erro de revisão mesmo.  E o outro ponto foi o didatismo de como é apresentado alguns assuntos, a autora defende algumas bandeiras, como sororidade e feminismo, o que não tem problema nenhum, mas quando esses assuntos eram levantados, eram sempre no pensamento da personagem, então basicamente ela fazia um discurso para ela mesma e isso ficou meio didático para mim. Um exemplo é quando ela recebe uma notícia por mensagem da amiga e automaticamente começa um discurso falando que não julga as pessoas e que não cabe ninguém julgar as decisões dos outros, só que já tinha ficado claro os posicionamentos da personagem e o discurso para si mesma meio que destoa do ritmo da narrativa, isso não acontece sempre, mas quando acontecia era um pouco chato.

A escrita da Babi é leve e divertida e as páginas passam muito rápido, gostei bastante da Valentina e da Cidade da Música, esse é o primeiro livro de uma série não sequencial, ou seja, os próximos livros não vão tratar da Valentina e do Kim, mas vão se passar na Cidade da Música. 

PS: No Spotify está disponível uma playlist de músicas, que são as mesmas que nomeiam os capítulos do livro, é só procurar pelo nome do livro. Dica: é uma excelente playlist.

0
comentário

Crooked Kingdom: Vingança e Redenção – Six of Crows 2

por • 4634 Acessos

    Livros da série Six of Crows (spin-off de Trilogia Grisha):

  1. Six of Crows: Sangue e Mentiras
  2. Crooked Kingdom: Vingança e Redenção
Crooked Kingdom: Vingança e Redenção – Six of Crows 2

Minha Classificação:
Crooked Kingdom - Vingança e Redenção (Six of Crows, #2) goodreads
de
Publicação: em 2017
Gêneros: ,
ISBN: 9788582354568
Título Original: Crooked Kingdom
Páginas: 448
Tradução: Eric Novello
Compre em lojas confiáveis:
saraivafnacculturasubmarinoamericanasamazonkobokindle
A compra pode render comissão ao blog.

Capa original

Esse é segundo livro da série, portanto podem haver SPOILERS do primeiro. Se não se importar, siga adiante!

“Um bom ladrão é como um bom veneno, mercantezinho. Ele não deixa vestígios.” 

Depois de terem sido traídos e quase mortos, tudo o que o grupo de Kaz quer é recuperar o membro que foi sequestrado por Van Eck e se vingar do mercante que quase destruiu suas vidas. Os acontecimentos na corte de gelo ainda os perseguem e pegar o dinheiro que havia sido prometido pelo trabalho é mais do que necessário, é um questão de sobrevivência.

A dinâmica do grupo sempre foi precariamente equilibrada e mantida unida pela força de vontade do Kaz, que quase nunca é gentil e compreensivo, ou melhor, quase nunca demonstra isso, e apesar dele ser o elo que os mantém fortes e focados, quando algo sai do controle dele é quase como se o resto do grupo fosse se desmanchar. Agora eles estão em um momento crítico desse equilíbrio, afetando o desenvolvimentos das missões e colocando obstáculos que podem significar a derrocada completa do grupo.

Ele sempre se perguntava como as pessoas sobreviviam àquela cidade, mas era possível que Ketterdam não sobrevivesse a Kaz Brekker.

Continuamos com os múltiplos pontos de vista o que funciona muito bem para a narrativa, não só conseguimos entender melhor os personagens, como a história é melhor contada. A autora consegue dosar bem os momentos de ação com o romance, e quando digo romance quero dizer os diálogos de flerte entre os personagens e os pensamentos sobre possibilidades que vão se intercalando com a missão. 

Outro ponto positivo é que a autora manteve o conflito localizado, mesmo sendo em torno de uma questão que afetaria o “mundo”, a história sempre foi sobre esses seis personagens e continuo assim. O conflito, o resultado e a vingança é pessoal, há bônus e danos colaterais para o resto do mundo, mas o que poderíamos esperar de um bando de ladrões. É difícil falar dos personagens sem cair em alguma armadilha e dar spoilers, mas tanto o conjunto quanto individualmente funcionam bem, apesar de trabalharem em pares que fica estabelecido desde Six of Crows a dinâmica entre todos eles é inteligente e sempre consegue trazer a tona algo novo, que não funcionaria com a dupla. Kaz ainda é um dos melhores personagens que já vi construído, ele é amoral, perverso e deliciosamente astuto, ele não se justifica, ele simplesmente faz o que tem que ser feito e quando enxergamos, nós e os outros personagens, um traço de gentileza, bondade ou compaixão, parece um lapso da sua personalidade, algo que se deixou escapar sem querer e que nunca mais voltará existir. 

Ainda defendo que essa duologia demonstra um amadurecimento de escrita da Leigh Bardugo em relação a Trilogia Grisha sem comparações. Após o livro sair na gringa vi muitas resenhas falando que a história teve um final honesto, eu não diria necessariamente honesto, é um final real, que deixou algumas portas abertas caso a autora queira retomar o projeto, mas foi anticlimático. Esperei dois livros pelo embate entre dois personagens e do jeito que ele aconteceu e a disposição dos capítulos finais me deu a impressão de expectativa não alcançada. Não me entendam mal, o livro é incrível, 4,5 estrelas sem titubear, a questão é que eu esperava um grande evento para determinado acontecimento e ele me pareceu aquém do que havia sido construído de tensão e desejo de vingança. Paciência, não podemos ter tudo na vida.

Sem mortes. Sem funerais.