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Tony & Susan

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Tony & Susan

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Tony & Susan goodreads
de
Publicação: em 2011
Gêneros: ,
ISBN: 9788580570663
Título Original: Tony and Susan
Páginas: 336
Tradução: Rubens Figueiredo
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Capa original

Susan e Edward se divorciaram há mais de 20 anos e durante esse tempo, ambos se casaram com outras pessoas e perderam o contato um com outro. Mas numa noite, sem aviso, Susan recebe um pacote de Edward com um livro que ele escreveu e gostaria que ela lesse para oferecer uma opinião sincera. Após pensar muito, Susan decide mergulhar em “Animais Noturnos”, a história de Tony.

“Susan não é capaz de dizer se o que reflete ali é uma tristeza que a imaginação dela mesma ajudou a formar, ou se, ao contrário emite uma tristeza própria.”

Eu decidi ler esse livro porque o filme com o crush Jake Gyllenhaal baseado nele estava prestes a estrear e eu queria conhecer a história escrita antes de ver sua adaptação. Esta ficção foi vendida como sendo sobre vingança dentre outras coisas (veja na página oficial no site da editora) e talvez eu seja muito ruim em interpretar simbolismos, mas não enxerguei o livro dessa forma. Tony & Susan por si só não é difícil de entender, é basicamente um livro dentro de um livro. Ao mesmo tempo que conhecemos a história de Susan tanto com Edward quanto com seu atual marido, acompanhamos em “Animais Noturnos” a violenta história sobre como Tony perdeu sua família. A conexão entre as duas histórias é bem sutil e eu ficaria mais convencida se tivessem me dito que em vez de vingança, Tony & Susan falava sobre as duas versões de uma mesma verdade porque foi assim que compreendi tudo o que aconteceu.

“(…) ninguém escreve sobre outra coisa senão sobre si mesmo.”

Durante todo o livro Susan não faz nada além de ler “Animais Noturnos” e pensar no seu passado, ela não interage de verdade com nenhum outro personagem e talvez por não saber exatamente como ela estava se sentindo, não sei como a história mexeu com ela além de um básico “gostei” ou “não gostei” que foi o mais perto que ela chegou de demonstrar qualquer emoção. No entanto, o que acontece com Tony é bem interessante e durante as primeiras páginas eu fiquei tensa o tempo inteiro querendo saber o que aconteceria a seguir. Com o passar das páginas os acontecimentos foram ficando desinteressantes e ao final eu só queria terminar, já não me importava mais com nenhum personagem ou acontecimento. Isso vale tanto para o livro dentro do livro como para Tony & Susan.

De forma geral esse não é um livro ruim, mesmo que eu não tenha “comprado” a proposta pela qual o livro foi vendido, não acho que a leitura tenha sido uma perda de tempo. Teve partes interessantes e sem dúvida me deixou tensa por um tempo, mas para mim vai ser lembrado como uma boa ideia mal aproveitada. A história inicial tinha muito potencial que não foi aproveitado durante as muitas páginas do livro. Espero que a adaptação tenha conseguido levar para as telas a emoção que Tony & Susan falhou em entregar.

        
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Jantar Secreto

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Jantar Secreto

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Jantar Secreto goodreads
de
Publicação: em 2016
Gêneros: , ,
ISBN: 9788535928358
Páginas: 376
Lojas confiáveis para comprar livros:
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Dante e mais quatro amigos saem de Pingo D’água, uma cidade do interior do Brasil para fazer faculdade no Rio de Janeiro. Depois de formados, eles continuam frustrados pois imaginaram um futuro cheio de riqueza e glória, mas tinham apenas uma vida normal, a vida que a maioria dos jovens recém formados de 20 e poucos anos tem. Quando dificuldades financeiras aparecem, a ideia de um jantar secreto, onde o prato principal é feito de carne humana, parece ser a ponte que vai levá-los a tudo o que sempre sonharam.

“Você provavelmente quer saber como tudo começou. Se não for o tipo de pessoa que se impressiona à toa, posso te contar os detalhes.”

A história já começa sem enrolação: logo no primeiro capítulo fica claro que vamos acompanhar uma jornada sobre canibalismo. Se você tiver comprado Jantar Secreto sem ler a sinopse, a verdade está logo ali e você vai passar as páginas ciente do que vai vir a seguir. Se você já leu algo do autor, a riqueza de detalhes que será usada para ilustrar o sabor e textura da carne, dentre outras coisas que me traumatizaram, não será novidade, mas se nunca leu, te desejo apenas sorte. Eu não leio muitos livros de terror, então falar para você que esse é o mais nojento que já li não é dizer muita coisa. No entanto, entendo o motivo que o levou a escrever tudo desta forma, creio que no começo da história a intenção podia ser chocar o leitor, mas depois de um tempo creio que os detalhes tenham continuado para você nunca esquecer o horror do que está acontecendo ali. Como a história é contada pelo protagonista, e ele nunca esquece, me parece apenas justo.

Eu já devo ter falado isso em outros posts, não me impressiono facilmente. Vejo filmes de terror nojentos enquanto almoço sem o menor problema, mas o Raphael Montes tem uma forma contar sua história que me fazem imaginar tudo de um jeito que me deixa muito enjoada. Lendo esse livro eu tive que parar várias vezes simplesmente para não passar mal. Claramente eu não sei onde tava com a cabeça ao decidir ler um livro sobre canibalismo escrito pelo autor. Inclusive só folhear as páginas para encontrar as frases para esse post já me deixou enjoada de novo.

“Mecanicamente, ele massageava com os dedos os pedaços de bife suculentos, altos, tão convidativos que nem parecia mais de gente. Sem dúvida, se vendesse no mercado, todo mundo compraria.”

Parando um pouco de falar sobre as sensações físicas que o livro me causaram, mas sem parar de falar totalmente, eu tenho que dizer, sem surpresa nenhuma, que esse livro é bom. Muito bom. Eu li a história inteira sem concordar com a atitude dos personagens e mesmo assim consegui entender seus dilemas morais e me envolver na história, apesar de ficar o tempo inteiro enojada e revoltada. A narrativa é ágil e mesmo quando eu estava no meu limite, eu queria continuar lendo, toda vez que eu falava para alguém “vou vomitar” e a pessoa respondia “para de ler ué” eu apenas não conseguia. É tudo tão bom assim. E como não podia deixar de ser, aconteceram reviravoltas maravilhosas e eu fui otária, otária demais, se tem pessoas nessa Terra capaz de me fazer de otária, são elas Raphael Montes e Gillian Flynn.

“A verdade é que você não precisa comer carne humana para incentivar atos monstruosos, basta curtir um bife e uma linguiça que já está dando sua contribuição para o horror.”

Em diversas passagens o autor não deixa de apontar o quanto as coisas horríveis que acontecem na história com humanos não são tão diferentes das que acontecem com os animais que as pessoas comem no dia a dia. Muitas vezes o narrador soa como se estivesse puxando a orelha do leitor mostrando que se você que come carne não deveria se sentir incomodado com o que acontece aqui ou estará sendo hipócrita. Para quem nunca parou de pensar nisso, pode ser um choque de realidade.

“O ser humano é um bicho escroto por natureza. Não importa o que digam, todo mundo é assim. Ricou ou pobre, negro ou branco, velho ou novo, não interessa. Somos todos iguais em escrotidão.”

Raphael Montes conseguiu trazer uma obra que me despertou diversos sentimentos e sem dúvida é um dos melhores que li esse ano. Dei “apenas” 4 estrelas pelo mal estar que senti durante toda a leitura. Claro que isso prova que o livro é realmente bem escrito, do contrário eu não teria sentido nada, mas de qualquer forma foram quatro dias difíceis na minha vida. Os outros dois livros do autor que li traziam histórias igualmente assustadoras, porém que afetavam apenas as pessoas diretamente envolvidas no que acontecia, já Jantar Secreto trouxe uma ficção mais apavorante por ser em larga escala, quase um episódio de Black Mirror. De suas histórias essa foi com certeza a mais ambiciosa e eu tenho medo do que ele vai escrever a seguir, apesar de saber que, se eu li um livro sobre relacionamento abusivo e outro sobre canibalismo, com certeza vou ler o próximo sem nem pensar duas vezes.

        
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Destinos e Fúrias

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Destinos e fúrias

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Publicação: em 2016
Gênero:
ISBN: 9788580579147
Título Original: Fates and Furies
Páginas: 368
Tradução: Adalgisa Campos da Silva
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Capa original

Lotto e Mathilde se conhecem e duas semanas depois se casam, no final da faculdade. O livro conta a história desse casamento ao longo de décadas tendo em “Destinos” a versão de Lotto e em “Fúrias” a versão de Mathilde.

“Nada em si é bom ou mau, tudo depende daquilo que pensamos. – disse Lotto, bêbado.”

A primeira vez que ouvi falar desse livro foi quando a Intrínseca começou a divulgá-lo às vésperas do lançamento no Brasil. Com isso eu fui pesquisar mais e descobri sobre todo o hype, incluindo um comentário do Obama, o presidente dos EUA, que elegeu esse livro como o melhor de 2015. Eu adoro histórias com múltiplos pontos de vista e livros de ficção realista, logo, alguns minutos depois eu já tinha comprado um exemplar para o Kindle e começado a ler. Isso foi em 28 de maio. Só depois de muitas tentativas e insistência consegui na semana passada enfim chegar à última página. E me arrependo de não ter abandonado todas as vezes que senti uma vontade quase irresistível de fazer isso.

“Mesmo naquela época ela sabia que certeza é uma coisa que não existe. Nada é absoluto. Os deuses adoram foder com a gente.”

Primeiro eu devo dizer que Destinos e Fúrias não é um livro ruim. A narrativa é diferente de tudo o que eu já li e algumas partes me fazem lembrar de takes longos nos filmes onde a câmera vai acompanhando um personagem secundário que sai de cena; aqui o narrador acompanha esses personagens mostrando o que pensam e às vezes nos dá até um vislumbre de seu passado. Também foi muito interessante como na parte de Lotto, Mathilde é vista como uma personagem unidimensional e em sua parte podemos conhecer cada detalhe de sua personalidade e sua história. O mesmo vale para como o marido foi retratado nas duas partes. Por isso a história que Lauren Groff quer contar não fica completa sem que você leia as duas partes, se eu tivesse desistido em “Destinos” eu não teria entendido onde a autora queria chegar. Teve um momento (capitulo 11, não aconteceu nada de diferente ali, mas foi onde entendi) em que eu pensei “uau esse livro é genial”, mas o problema é que isso não foi o final, então após essa epifania aconteceu muita coisa que desbotou esse sentimento.

“(Lotto) era um contador de histórias nato. Remodelava a realidade, criando um tipo diferente de verdade.”

A história do livro é o que a sinopse propõe: um casamento. E é só isso. Não fique esperando grandes reviravoltas ou que a palavra “fúrias” seja um retrato do que a segunda parte vai trazer porque não é o que acontece. Eu inclusive li diversos comentários onde as pessoas diziam que a segunda parte fazia tudo valer a pena, então eu fui esperando uma segunda metade como a de Garota Exemplar (onde os personagens estão tão magoados e furiosos que poderia ter esse título), mas não foi bem isso. Sem dúvida, tem um pouco de raiva, e algumas revelações chocantes e surpreendentes, mas nada além. Ali tudo continua no mesmo ritmo lento e cansativo da primeira metade do livro.

Pesando todos os pontos positivos e negativos da longa experiência que foi ler Destinos e Fúrias acredito que posso ter sido traída pelas altíssimas expectativas com que comecei esta jornada. O livro, que aparentemente é uma história simples, se torna complexa nos detalhes que a autora coloca na trama. Ainda acho que o ritmo lento e os personagens desagradáveis tornam tudo difícil de gostar, mas também difícil de esquecer. Terminei a leitura não morrendo de saudades dos personagens, mas feliz por enfim me ver livre deles e é com esse sentimento que permaneço. Quem sabe um dia, quando isso passar, eu possa mudar de ideia sobre o que achei, mas por enquanto vou continuar achando este um livro superestimado e um desperdício do tempo que gastei dedicada a ele.

        
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