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O Ceifador – Arc of a Scythe 1

por • 3594 Acessos

    Livros da série Arc of a Scythe:

  1. O Ceifador
  2. Thunderhead
O Ceifador – Arc of a Scythe 1

Minha Classificação:
Scythe goodreads
de
Publicação: em 2017
Gêneros: ,
ISBN: 9788555340352
Título Original: Scythe
Páginas: 448
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Capa original

Em um futuro distópico a humanidade venceu a morte, as doenças e os problemas sociais. Tutelados pela Nimbo-Cúmulo, uma evolução da nuvem, essa inteligência artificial media e pondera todas as relações e providencia todas as necessidades da sociedade. Persiste um único problema, espaço, mesmo com todo o conhecimento possível disponível na Nimbo-Cúmulo, a humanidade não foi capaz de colonizar outros planetas e por isso é criado a Ceifa uma “instituição” separada e independente da Nimbo-Cúmulo que tem como missão coletar vidas.

Somos instruídos a anotar não apenas nossos atos, mas também nossos sentimentos, porque deve-se saber que temos sentimentos. Remorso. Arrependimento. Sofrimentos grandes demais para suportarmos. Porque, se não sentíssemos nada, que espécie de monstro seríamos?

Os Ceifadores possuem total liberdade de coleta desde que se mantenham próximos das metas numéricas, sociais e raciais estipuladas pela Ceifa, quem e como será coletado depende unicamente da vontade do Ceifador. Nesse contexto conhecemos Citra e Rowan que se tornarão aprendizes de Ceifadores e serão treinados nas várias formas de matar/coletar.

 Uma ceifadora havia coletado pouquíssimas pessoas ricas. Ela foi repreendida e recebeu ordens de coletar apenas milionárias até o próximo conclave.

O ponto forte desse livro, na minha opinião, é o enredo e os dilemas apresentados por essa sociedade que estão teoricamente livres de problemas. Talvez o que mais me fez refletir foi sobre a percepção de imortalidade que eles possuem. Já que a única forma de morrer é sendo coletado e a coleta é aleatória, as pessoas vivem como se não fossem morrer e isso é deprimente aqui. Uma vez que todo conhecimento está guardado na Nimbo-Cúmulo e as pessoas não precisam mais fazer diferença em nenhuma área de conhecimento, elas ficam sem objetivos na vida, com vidas pessoais bagunçadas e sem laços muitos fortes, e isso reflete uma sociedade deturpada, preocupada apenas com coisas fúteis e vivendo sem razão. E é bizarro pensar assim, porque afinal não queremos erradicar a fome? a miséria? encontrar a cura de todas as doenças? sim, queremos -só para deixar claro- mas já que ninguém mais morre, essas coisas não fazem mais diferença para eles. Isso me deixou extremamente angustiada, inclusive em alguma parte do livro é insinuado que a Nimbo-Cúmulo ainda mantém uma certa dose de desigualdade social para que as pessoas não fiquem completamente em estupor, vivendo todas iguais, e sim aqui faz sentido.

Nesse mesma sociedade temos os ceifadores, que estão acima da lei e são ao mesmo tempo as pessoas mais importantes da pirâmide social e párias completos. Eles vivem com o peso de matar em um mundo que não há mortes e com o peso de se matar quando acharem que a hora chegou. E apesar de terem que cumprir os mandamentos da Ceifa, há brechas e distorções e isso ocasiona em um questionamento da causa deles e de como eles devem agir, no final de cada capítulo foi colocado a entrada de diário de um ceifador e é interessante entender o sentimento deles para com a morte, as diferentes formas de coletar vidas e principalmente como eles imaginam o futuro.

Nunca houve tantas maquinações e armadilhas na Ceifa.

Falei pouco dos personagens, porque acho que eles ficaram diminuídos em comparação com a história, porém cada um deles tem seu momento. Não gostei muito como certas atitudes e sentimentos ficaram sem desenvolvimento, por ter dois protagonistas o foco ficou muito em um só, e portanto apesar do outro falar da mudança que estava ocorrendo, eu não vi muito dessa mudança acontecer e o final pareceu levemente forçado. Não é um livro perfeito, ou mesmo redondinho nas explanações, mas é um livro que traz questionamentos e me fez pensar sobre porque vivemos e queremos alcançar. Estou com uma expectativa alta para o segundo livro, principalmente pelo rumo que o autor decidiu tomar para dar seguimento nessa história, espero, de verdade, não me decepcionar.

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Filho Dourado – Fúria Vermelha 2

por • 3900 Acessos

    Livros da série Fúria Vermelha:

  1. Fúria Vermelha
  2. Filho Dourado
  3. Estrela da Manhã
Filho Dourado – Fúria Vermelha 2

Minha Classificação:
Golden Son goodreads
de
Publicação: em 2015
Gênero:
ISBN: 9788525059543
Título Original: Golden Son
Páginas: 549
Tradução: Alexandre D'Elia
Compre em lojas confiáveis:
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Capa original

Após os acontecimentos no Instituto, Darrow sobre a proteção da família Augustus vai para a Academia e nem tudo sai conforme o esperado. Mais uma vez Darrow se vê diante de grandes decisões, acordos questionáveis, traições e uma luta por sobrevivência física e ideológica.

Faço o que for necessário fazer. Nem mais nem menos. E preciso de um senhor da guerra. Eu serei Ulisses e você será Aquiles.

Apesar desse ser o segundo livro da série ele não padece da maldição do segundo livro. Brown retoma a fórmula de ação e mais de 80% do livro estamos lendo cenas de confronto, de luta ou guerra. Porém dessa vez ele usa um recurso de esconde e mostra, muitas cenas são desencadeadas de relações, histórias e acordos que não tivemos acesso e não tem problema nenhum, porque nunca parece que foi uma decisão tomada para resolver um problema de narrativa, as pistas tinham sido deixadas antes e só o conhecimento de todas as ações é que surgem depois. Assim como os personagens são surpreendidos pelas ações de Darrow, nós leitores também somos e é instigante saber e ter tanto de um personagem e ao mesmo tempo ter momentos e decisões escondidas que são reveladas no ápice dos acontecimentos.

Um tolo puxa as folhas. Um selvagem corta o tronco. Um sábio desenterra as raízes.

Temos a chance de conhecer personagens que só havíamos ouvido sobre em Fúria Vermelha, Lorn au Arcos é um deles e que personagem espetacular esse homem se mostra. Afastado da sociedade por não coadunar com os métodos da soberana, benevolente e ainda assim um Ouro até a medula, não vê nada de errado com a pirâmide das cores e exala sabedoria e arrogância na mesma proporção. Também conhecemos a Soberana e sua Fúrias, principalmente Aja au Grimmus, e podemos entender melhor a política e operação da sociedade. E entendendo a política veremos golpe atrás de golpe e seremos jogados num redemoinho de traições e levantes, serão tantos que literalmente perdi a conta no meio do livro que consegue mostrar o quão complexo é derrubar um governo vigente com lideranças estabelecidas ao seu lado.

Descobrimos quem é Ares e em nenhum momento tinha me passado pela cabeça que seria esse personagem, para ser sincera não tinha pensado muito sobre ele já que Darrow rouba a cena, mas a cena em que ele se mostra é tão rápida e intensa que foi uma das melhores no livro e demostra que Ares tem o coração no lugar, independentemente de toda base social e objetivos revolucionários.

Você encontrará a ruína porque acredita que exceções à regra produzem novas regras. Que um homem mau pode se livrar dos adornos da maldade só porque você quer que ele o faça. Homens não mudam. É por isso que matei o
 rapaz (…).

E aí temos o final mais desesperador possível depois de uma longa jornada e ao mesmo tempo que você está apreensivo você quer gritar EU AVISEI que isso iria acontecer. Sim, tem um cliffhanger absurdo no final que te faz querer estrangular o autor, mas amar a história. Fazia tempo que não me sentia tão encantada por uma história, por um personagem. Hic sunt leones. 

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Fúria Vermelha – Fúria Vermelha 1

por • 4346 Acessos

    Livros da série Fúria Vermelha:

  1. Fúria Vermelha
  2. Filho Dourado
  3. Estrela da Manhã
Fúria Vermelha – Fúria Vermelha 1

Minha Classificação:
Red Rising goodreads
de
Publicação: em 2014
Gênero:
ISBN: 9788525058225
Título Original: Red Rising
Páginas: 468
Compre em lojas confiáveis:
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Capa original

Darrow é um Vermelho que vive em Marte, ele escava a terra em busca de hélio-3, uma fonte de energia para o crescimento do planeta. Ele tem orgulho de fazer esse trabalho, todos os Vermelhos o fazem, e Darrow é um mergulhador do inferno, alguém que fica dentro de uma escavadeira em níveis muito abaixo da superfície. Os Vermelhos são os desbravadores, os que estão tentando deixar Marte habitável para que a população da Terra possa ocupar o planeta, ou pelo menos foi isso que os governantes fizeram com que eles acreditassem. Em uma sociedade dividida por cores os Vermelhos são os escravos, a base da pirâmide, que é governada por Ouros, os conquistadores que travaram batalhas pelo controle dos planetas e se portam como deuses em uma sociedade que é impossível contrária-los. 

Pessoalmente, não quero fazer de você homem. Homens são tão frágeis. Homens se desfazem. Homens morrem. Não, sempre desejei fazer um deus.

A vida de um vermelho é dura, por isso Darrow com 16 anos já está casado e carrega consigo cicatrizes físicas e psicológicas que o tornam um homem formado. Após uma ruptura intensa na sua vida, ele desiste de viver e é recrutado pelos filhos de Ares, rebeldes que buscam desestabilizar a sociedade atual. Eles irão mostrar para Darrow como é Marte de verdade e até que ponto o homem já avançou na colonização de outras luas e planetas, escancarando a mentira que foi a vida dele. A partir daí Darrow se junta aos rebeldes e está disposto a tudo para se vingar dos Ouros e derrubar a sociedade de dentro para fora.

A história se torna mais interessante conforme toda a apresentação do mundo, das cores e da sociedade é feita, a falta de mobilidade social também é bem clara e assim como antigamente seu direto e seus deveres são irrevogáveis de acordo com  o seu nascimento. Conforme Darrow vai se aprofundando nessa sociedade ele percebe que está tudo errado, não só os Ouros, mas toda a sociedade está podre. Acompanhar as reflexões do Darrow sobre o que ele está presenciando é uma das melhores coisas do livro. Suas ações também partem de um paradoxo, só é possível que ele extrapole em suas ações e tenha bons resultados devido a ser um Vermelho e isso é genial, porque o que faz ele pensar fora da caixa e se sobressair é o que essa sociedade julga não prestar. 

Oh, como os laços que nos unem são retesados quando um decide desrespeitar as leis que nos protegem a todos. Inclusive os mais jovens, inclusive os melhores, estão sujeitos à lei. À Ordem!

Baseados na cultura romana, eles se organizam através de frotas, legiões e pretores e suas provas são apadrinhadas por instrutores que se passam por deuses romanos em que os alunos precisam mostrar seu valor por meio de trapaça, liderança, combate e morte. Nesse lugar estará concentrado todo o núcleo principal do livro e ele não deixa a desejar, mesmo com a narração sempre do Darrow, conseguimos entender os outros personagens, suas nuances e complexidades e o que cada um está disposto a fazer para ter poder. O autor consegue levar até o fim o ritmo de ação e surpresa na narrativa, sem perder a mão dos seus personagens. Definitivamente esse é um dos melhores livros de distopia lançado nos últimos tempos, principalmente porque ele é muito mais que uma distopia.