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Stephen King

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It: A coisa

It – A Coisa

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It – A Coisa

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It: A coisa goodreads
de
Publicação: em 2014
Gênero:
ISBN: 9788581051529
Título Original: It
Páginas: 1103
Tradução: Regina Winarski
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Capa original

(…) uma sensação de que Derry era fria, de que Derry era dura, de que Derry estava cagando se qualquer um deles vivia ou morria, e muito menos se eles triunfariam sobre Pennywise, o Palhaço.

Esse é o primeiro livro do Stephen King que eu leio por motivos de: sou extremamente medrosa. Porém depois de assistir Stranger Things e ouvir que era parecido com It – A Coisa, fiquei completamente louca para ler o livro. Ver resenhas que falavam que não era um livro muito assustador também ajudou. Por isso depois de me deparar com uma promoção do e-book na Amazon, eu comprei e li no celular, isso mesmo, aquele tijolo de 1103 páginas no celular, e não me arrependi. 

Somo jogados em 1957, Derry, Maine, quando um garoto de seis anos, George, sai de casa para brincar na chuva com um barquinho e acaba encontrando um palhaço no bueiro, dessa forma somos apresentados a cidade de Derry. A narrativa vai acompanhar dois momentos da cidade, 1958 quando o clube dos otários se reúne pela primeira vez e em 1985 quando voltam para cumprir uma promessa há muito esquecida. O clube dos otários é formado por sete crianças, Bill, Eddie, Mike, Richie, Stan, Bervely e Ben, todos possuem aquela marca que os tornam diferentes, gordo, gago, negro, judeu, e acabam sendo alvos dos garotos grandes na escola, e nas férias de verão de 1958 pareceu natural que eles acabassem juntos, afinal eles eram os otários. Mas outra coisa os marcava além de suas características físicas, todos tiveram uma experiência assustadora e conseguiram sobreviver apesar do número cada vez mais alto de crianças desparecidas e mortas em Derry, é quando eles decidem que precisam matar A Coisa que está fazendo isso e começam a bolar planos e se testarem diante do perigo de uma forma que apenas crianças são capazes.

Naquele outono de 1957, oito meses antes de os verdadeiros horrores começarem e 28 anos antes do confronto final, Bill Gago tinha 10 anos.

Exite um monstro em Derry, uma coisa que consegue assumir várias formas e que faz você ficar cara a cara com o seu pior medo, porém quanto mais você vai descobrindo sobre essa coisa junto com o clube dos otários, menos importância ela tem, no sentido do terror eu quero dizer, não que não tenha algumas cenas assustadoras, contudo você está completamente preso na história dessas crianças que precisam enfrentar seus medos e reforçar os laços de amizade entre si para conseguirem sobreviver e isso é o verdadeiro foco, não a coisa.

King consegue retratar muito bem a voz dessas crianças, uma mistura de inocência e malícia, bondade e crueldade que fazem parte da infância. Quando recebem a ligação e descobrem que precisam voltar para Derry eles já não se lembram o que aconteceu no verão de 1958 e vão relembrar aos poucos os eventos daquele ano ao mesmo tempo em que precisam recuperar a fé e as possibilidades do mundo ser mais estranho do que aparenta, tal qual uma criança acredita, se quiserem sair vivos mais uma vez desse confronto.  E essa dualidade de sentimentos, lembranças, laços e desafios é muito bem manipulada pelo autor, alternando entre 1985 e 1958 ele vai complementando as histórias e tecendo um longo suspense que culmina na lembrança completa dos eventos, alcançando o ápice da narrativa no confronto final. 

Entretanto alguns pontos precisam ser apontados, o livro é demasiadamente longo, o cuidado em contar todas as possibilidades de história e registrar eventos passados antes mesmo de 1957 acaba quebrando o ritmo de leitura, o autor quer te deixar imerso em Derry e constrói aos poucos o entendimento do leitor com a cidade e como as coisas foram se passando lá até chegar em 1985. Esse é um ponto que eu poderia relevar e ainda assim o livro ganharia cinco estrelas, porém eis que no fim da história, em 96%, ele dá um rumo para os personagens, principalmente para a Bervely, única garota do grupo, que eu achei completamente desnecessário, ele poderia ter solucionado o problema de outra forma, mesmo que essa solução tenha sido embalada de forma simples, com a crença que era necessário acontecer e que foi apenas mais uma coisa das muitas que eles fizeram e que sabiam que tinham que fazer, eu não consegui engolir e foi um banho de água fria a cena para mim, principalmente porque se só tivesse meninos ele não teria usado essa solução, e é uma construção cruel, porque entendemos que não tinha como só ter meninos, pois tinham que ser aqueles sete e mais ninguém, portanto não existiria a possibilidade da Bervely não estar ali. 

Mas Deus favorece os bêbados, as crianças pequenas e os profundamente entorpecidos;

Sem esquecer as ressalvas acima, esse é um bom livro para quem também é medroso, mas quer ler uma boa história de medo e terror, com crianças vivendo aventuras e laços de amizade.

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