Dumplin’ – Dumplin’ 1

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    Livros da série Dumplin':

  1. Dumplin'
  2. Puddin'
Dumplin’ – Dumplin’ 1

Minha Classificação:
Dumplin' (Dumplin', #1) goodreads
de
Publicação: em 2017
Gênero:
ISBN: 9788558890311
Título Original: Dumplin'
Páginas: 300
Tradução: Heloísa Leal
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Capa original

Willowdean tem 17 anos e é gorda, mas não tem problema nenhum com isso. A mãe é ex Miss Jovem Flor do Texas e sim, Willow já tentou fazer mil dietas antes, porém aceitou seu corpo como é agora porque é o corpo que o universo lhe deu. Porém, quando vislumbra o primeiro amor, sua cabeça se enche de dúvidas e ela percebe o quanto o mundo pode ser cruel com aqueles fora do padrão de beleza – só que Dumplin’ usa isso a seu favor, decidindo entrar no Miss Jovem Flor do Texas ela mesma.

Não gosto de pensar nos meus quadris como um estorvo e sim como um atrativo. Afinal, se estivéssemos, digamos, em 1642, esse popozão de parideira valeria muitas vacas. Pág. 12

Juro que não sei nem como começar a resenhar esse livro, tamanho o impacto dele na minha vida. Marquei tantas passagens que acabei com meu estoque de post-its e tive que lê-lo em casa porque corria risco de chorar na rua. Dumplin’ é uma leitura obrigatória para toda e qualquer pessoa que, independente do sexo, cor ou tamanho, já se sentiu mal consigo mesma. É um aprendizado não só sobre aparência física, mas sobre maturidade, amizade, saudade, sexualidade e desafios ao status quo. É um livro sobre diferença e como ser diferente faz parte da essência humana. É incrível demais a forma como me identifiquei com inúmeras partes do livro e me senti bem ao mesmo tempo que mal com muitos pensamentos de Willow: bem porque não sou a única a me sentir desse jeito e mal porque esse tipo de pensamento sequer existe no mundo. Julie Murphy desconstrói padrões com uma leitura rápida, porém carregada de significado.

Se a minha pele tivesse um zíper para eu abrir e fugir, é o que eu faria. Pág. 79

Willow é uma personagem forte, uma adolescente que se ama do jeito que é – até a segunda página. É comum que nós mulheres (não estou falando que apenas mulheres sofram com padrões de beleza socialmente impostos, mas como a protagonista do livro é mulher cis, estou me direcionando aqui à elas, mas caso você não o seja, escreve aí nos comentários a sua visão sobre isso) não nos sintamos bem com nós mesmas, sempre insatisfeitas com algum traço de nossos corpos, seja peso, cabelo, altura… E isso se deve ao bombardeio midiático e social ao qual somos expostas diariamente com produtos para emagrecimento, produtos para alisar nossos cabelos e para nos deixarem mais agradáveis aos olhos, mais “femininas”, como se fôssemos meros bibelôs, meros objetos decorativos. Parte desse padrão socialmente construído tem como objetivo incutir na cabeça das mulheres que elas precisam se utilizar de todos esses artifícios para que fiquem do agrado dos homens (heterossexuais), e é aí que a autoestima de Will vai para o chinelo, pois ela não consegue parar de pensar no que Bo sente ao tocá-la – e no que os outros vão pensar caso eles dois namorem. Isso não é por ela ser adolescente, mas sim por ser uma mulher fora do padrão nesse mundo ridículo que nós vivemos e que exige que todo mundo seja igual. É aí que Julie Murphy faz sua mágica e destrói o nosso coração ao longo do livro enquanto Will amadurece como mulher e como ser humano, além de claro, dar a nós leitores um cutucão para pararmos de viver tentando agradar aos outros.

[…] É irresistível e todo mundo sabe a letra, mas, para mim, o que vale é esse lembrete de que, seja você quem for, sempre haverá alguém mais bonito, mais esbelto ou mais inteligente. A perfeição não é nada mais do que um fantasma que perseguimos. Pág. 192

Will pode ser a protagonista, mas os personagens secundários são muito bem construídos. Amei o fato de que a autora escolheu dar destaque aos problemas de Will consigo mesma, mas ao mesmo tempo ela pontua que a grama do vizinho nem sempre é mais verde e todo mundo tem algum tipo de problema ou insegurança na vida. As meninas que se tornam amigas de Will, Amanda, Hannah e Millie, em momento nenhum são vitimizadas, mas tratadas como personagens fortes e cheias de qualidade. Outro fator relevante é que Will não é aquele tipo de personagem chata e inconsequente, ela tem consciência de tudo que faz e das consequências que isso pode ter na vida dela e dos outros. Além disso, a forma como Julie Murphy faz a Will amadurecer é sensacional, principalmente no que tange a Lucy, a tia recém falecida de Will. A relação dela com a tia era íntima e ao longo do livro vemos a protagonista lidando com o luto e tentando reconstruir e remoldar o vínculo frágil que ela tem com a mãe, e a discussão da importância de pessoas na nossas vidas é muito explorada (das que estão aqui e das que já se foram). Enfim, Dumplin’ é uma obra complexa em sua simplicidade, e sinceramente, não poderia ficar mais orgulhosa de mim por ter resolvido comprar esse livro na Bienal. Aliás, o filme baseado no livro talvez saia agora em 2018 e já se sabe que Danielle Macdonald será Willowdean, Jennifer Aniston será Rosie, mãe de Willow. Agora é sentar e esperar para ver se eles conseguirão passar todas as mensagens maravilhosas do livro num filme.

Strike: The Cuckoo’s Calling

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Para conferir a resenha do livro "O Chamado do Cuco – Cormoran Strike 1", clique aqui.

Strike: The Cuckoo’s Calling

Minha Classificação:
Strike: The Cuckoo's Calling - 2017 The Movie DB
Status: 2 temporadas (renovada)
Episódios vistos: 3
Elenco: Tom Burke, Holliday Grainger, Dorothy Atkinson, Monica Dolan, Kerr Logan, Dominic Mafham
Gênero: Crime, Drama, Mistério
Canal Original: BBC One, HBO
Duração do Episódio: 60 minutos

Strike: The Cuckoo’s Calling é a adaptação da BBC One do primeiro livro da série Cormoran Strike, entitulado O Chamado do Cuco, escrito por J. K. Rowling sob pseudônimo de Robert Galbraith. Cormoran Strike é um investigador particular que foi contratado por John Bristow para descobrir quem matou sua irmã, a famosa modelo Lula Landry, que caiu de um prédio de luxo em Londres sob circunstâncias suspeitas. Com a ajuda de sua secretária temporária Robin Ellacott, Cormoran tenta resolver esse mistério.

Como toda boa fã de J. K. Rowling e de Harry Potter, quando soube que Cormoran Strike ia virar série, fiquei nervosa (como comentei aqui) com medo de tudo dar muito errado. Conforme foram saindo as notícias, fui acompanhando a escolha do elenco e a quantidade de episódios, fotos de divulgação, e confesso que estava tensa porque pensei que a escolha do ator para fazer o Cormoran foi um pouco equivocada, já que ele não batia muito com a descrição do Cormoran do cânone: enquanto nos livros ele tem mais de um e noventa (tanto que vive batendo com a cabeça nos batentes de portas), cabelo crespo, olhos castanhos e pele um pouco escura e sobrepeso, Tom Burke tem 1,83m, cabelo liso, olhos azuis e pele branca. De tão nervosa que estava, fui procurar trabalhos desse moço e acabei assistindo boa parte de The Musketeers, uma série também da BBC, em que ele era o Athos e fiquei parcialmente menos nervosa. Já assisti e reassisti Strike: The Cuckoo’s Calling e agora posso afirmar que essa escolha foi muito sábia.

Charmosíssimo esse menino Cormoran.

Acho que por J. K. (sou íntima) ser uma das produtoras executivas – ela está envolvida na produção dos 7 episódios, cinco dos quais já foram ao ar – o elenco foi escolhido a dedo. O único personagem que destoa um pouco da descrição dos livros é o Cormoran de Tom Burke, mas fora ele, todos os outros personagens são exatamente como descritos nos livros. Holliday Grainger é exatamente a Robin e Kerr Logan cumpre muito bem seu papel como Matthew. Todo o elenco trabalha incrivelmente bem e a química entre Holliday e Tom é apenas sensacional, e ela sendo fofíssima e inteligentíssima mais ele sendo inteligentíssimo e charmosíssimo resultam no ship do milênio (sério, leio os livros e shippo muito os dois, mas eles conseguiram elevar esse casal a obsessão maluca na série porque esses dois se comunicam tão bem só com o olhar que não há como derreter o cérebro de quem é fã, vocês me perdoem, mas tô apaixonada). Na verdade, todos os atores se expressam muito bem e nada deixam a desejar para quem leu O Chamado do Cuco.

Me sinto como um mamute lanoso que foi parar no cerco da gazela.

O roteiro da série é praticamente o livro, com pouquíssimos cortes na história. São três episódios que retratam uma trama complexa, e penso que esses poucos episódios são o suficiente para contar bem o que aconteceu e também para se envolver com os personagens. A fotografia é lindíssima, a trilha sonora é extraordinariamente oportuna (a música de entrada é sensacional) e a direção colabora para o aprofundamento dos personagens naquele curto espaço de tempo, além de claro, corroborar para que o espectador se envolva com tudo que está ocorrendo ali. Penso que poucas adaptações televisivas sejam tão fiéis às obras de origem como essa, e o bom é que tanto quem leu como não leu consegue assistir a série e compreender tudo que está ali; porém sempre têm aquelas sacadas que só quem leu os livros entende, como por exemplo o passado de Leda Strike e de Robin também. O roteiro conta com poucos e suaves – porém bem colocados – alívios cômicos, como o Cormoran falando com a perna, o que aumenta a tensão do espectador. Também há uma imensa atenção aos detalhes, e gostei demais do fato de Strike: The Cuckoo’s Calling contar como Cormoran perdeu um pedaço da perna esquerda. Além disso, em três episódios temos uma evolução ótima dos personagens, assim como no livro, e amei o fato de o protagonismo ser dividido entre Robin e Cormoran. O resultado de Strike: The Cuckoo’s Calling saiu até melhor que a encomenda.

Sonata em Punk Rock – Cidade da Música 1

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    Livros da série Cidade da Música:

  1. Sonata em Punk Rock
Sonata em Punk Rock – Cidade da Música 1

Minha Classificação:
Sonata em Punk Rock goodreads
de
Publicação: em 2016
Gênero:
ISBN: 9788582353899
Páginas: 384
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Valentina Gontcharov ama música, especialmente rock, seu sonho é entrar na conceituada Academia Margareth Vilela e graças aos seu ouvido absoluto ela consegue, porém não tem dinheiro para custear seus estudos, sua mãe foi abandonada grávida pelo pai e desde então ela batalhou muito para criar a filha sozinha e dinheiro não é algo que sobre em casa. Alexandre Gontcharov, pai de Valentina, é um exímio violinista, além de ser famoso e rico, e se oferece para bancar os estudos de Valentina. Sem ter muitas opções e querendo mostrar ao pai que foi um erro abandoná-la ela decide aceitar a esmola e ruma para Cidade da Música.

Esse é o primeiro livro da Babi que leio, atraída pela capa lindíssima e pela sinopse cheia de música resolvi folhear na livraria, gostei do que li e decidi comprar. Há algum tempo que não leio jovem adulto contemporâneo, a verdade é que essa faixa etária de livros já não me chama tanto atenção, com exceção de fantasia, que é um dos meus gêneros preferidos, mas fui atraída para a história da Valentina e gostei do que encontrei.

Valentina, ou Tim como gosta de ser chamada, se depara com um mundo novo na Academia, um mundo envolto em sons e música o tempo todo e isso a encanta. Em sua primeira noite na Academia acaba encontrando Kim e o ajudando em uma situação constrangedora, apenas para descobrir no dia seguinte que ele é o príncipe da Margareth Vilela, um gênio no piano e um tremendo babaca com todo o resto. 

Tim é inteligente, irônica e muito madura para idade e não consigo entender porque ela começa a gostar do Kim, que parece ter saído direto de um dorama para as páginas do livro, intensamente rude e grosseiro com todo mundo, se esconde sob seus problemas psicológicos e emocionais para ser um grande babaca, e o fato da Valentina o criticar por isso e saber que não deveria gostar dele é o que mais me irrita. Ele demora muito para ser minimamente legal com a garota e quando isso acontece ela já está apaixonada por ele, o que acho totalmente fora da personalidade da Valentina. 

A última coisa que queria era ser medíocre.

Como é narrado por ambos os personagens, vamos acompanhando os pensamentos tanto da Tim quanto do Kim e apesar da autora estabelecer que o Kim também gosta da Tim desde o começo, devido a reações físicas e psicológicas que ele tem, não muda que é no mínimo um cenário improvável para o desenvolvimento de um relacionamento.

Já a atmosfera da Academia e da Cidade da Música foi muito bem construída, você se sente vivendo música enquanto lê o livro, as referências, os capítulos que são nomes de músicas e o envolvimento entre os diferentes estilos e instrumentos, torna a Academia um lugar palpável. Os amigos da Valentina são ótimos, não possuem muito aprofundamento na história, mas o que é mostrado deles é divertido e real. 

Então além do Kim, teve duas coisas me que me incomodaram um pouco na história, a primeira é quando o Kim está pensando que ainda não sabe o nome da garota esquisita e logo no capítulo seguinte ao compará-la com a sua ex-namorada, Bianca, ele usa o nome Valentina, então fiquei um pouco confusa se foi um artifício textual para diferenciar as duas garotas ou foi um erro de revisão mesmo.  E o outro ponto foi o didatismo de como é apresentado alguns assuntos, a autora defende algumas bandeiras, como sororidade e feminismo, o que não tem problema nenhum, mas quando esses assuntos eram levantados, eram sempre no pensamento da personagem, então basicamente ela fazia um discurso para ela mesma e isso ficou meio didático para mim. Um exemplo é quando ela recebe uma notícia por mensagem da amiga e automaticamente começa um discurso falando que não julga as pessoas e que não cabe ninguém julgar as decisões dos outros, só que já tinha ficado claro os posicionamentos da personagem e o discurso para si mesma meio que destoa do ritmo da narrativa, isso não acontece sempre, mas quando acontecia era um pouco chato.

A escrita da Babi é leve e divertida e as páginas passam muito rápido, gostei bastante da Valentina e da Cidade da Música, esse é o primeiro livro de uma série não sequencial, ou seja, os próximos livros não vão tratar da Valentina e do Kim, mas vão se passar na Cidade da Música. 

PS: No Spotify está disponível uma playlist de músicas, que são as mesmas que nomeiam os capítulos do livro, é só procurar pelo nome do livro. Dica: é uma excelente playlist.