Outros Jeitos de Usar a Boca

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Outros Jeitos de Usar a Boca

Minha Classificação:
Outros Jeitos de Usar a Boca goodreads
de
Publicação: em 2017
Gênero:
ISBN: 9788542209303
Título Original: Milk and Honey
Páginas: 204
Tradução: Ana Guadalupe
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Capa original

Você tinha tanto medo da minha voz que eu decidi ter medo também

Não leio muita poesia, na verdade sendo extremamente sincera esse gênero literário nunca me atraiu muito. Me lembro uma vez na aula de Português, na faculdade de Jornalismo, uma professora, que ama Cecília Meireles, declamou uma poesia e fez a interpretação, me lembro que pensei, ah então é assim que se lê poesia. Para fazer a interpretação ela levou em conta o contexto social e histórico, além da biografia da poeta para dar sentido aqueles versos. Nunca consegui fazer igual, nunca consegui me deter por muito tempo em poesia, nem ultrapassar a barreira superficial que aquelas palavras significavam para mim. 

Você estava tão distante que eu esqueci que você estava lá

Dito isso sobre a poesia tradicional, com a licença poética colocada nessa tradicional, ano passado me deparei com outros tipos de poesia, que falavam mais diretamente comigo e portanto me chamaram muito mais atenção. Para o meu TCC eu vi todos os vídeos do Super Libris, uma série com 52 episódios sobre Literatura, e quando assisti o episódio: Uma ideia na cabeça e um mimeógrafo na mão  com o Chacal, em que ele vai falar da poesia marginal, que fugia dos padrões estabelecidos de métrica, tamanho e rima, me apaixonei ali pela forma simples de expressar as coisas.

E aí veio 2017 e com ele esse soco no estômago que foi a Rupi Kaur e seu Outros Jeitos de Usar a Boca, divido em quatro partes ele entrega a alma da sua autora e escancara a nossa, pois não se engane a Rupi pode estar falando dela, mas também está falando de todas nós. As partes são: a dor, o amor, a ruptura e a cura.

eu sou um museu cheio de quadros mas você estava de olhos fechados

A forma direta com que ela diz e disseca seus sentimentos é absurdamente cru, visceral, poderia ter sido eu dizendo aquilo, eu sei que eu já senti aquilo, poderia ser você. Essa identificação acontece porque a Rupi vai falar não só da sua dor, mas da dor de ser mulher, do sexo, do abuso, da diminuição feminina, da necessidade de nos amarmos como somos, do processo de cicatrização e cura. Segue com os poemas algumas ilustrações que tornam a experiência de ler o livro mais enriquecedora e detalhista. As ilustrações são feitas pela própria autora. 

você fala demais ele sussurra no meu ouvido conheço jeitos melhores de usar essa boca

Poesia ainda é assunto espinhoso para mim, tenho muito o que ler e estudar para conseguir dar opiniões sólidas sobre o assunto, mas acredito que esse livro tenha ultrapassado algumas barreiras e que pode abrir caminho para outros livros do gênero. Torcendo para que essa mulher escreva cada vez mais, que já estou esperando o próximo soco. 

PS: Aconselho loucamente a série Super Libris! 

#56: Três Coroas Negras – Três Coroas Negras 1, Kendare Blake

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Três Coroas Negras (Três Coroas Negras, #1)

Três Coroas Negras (Três Coroas Negras, #1) goodreads
de Kendare Blake
Série: Três Coroas Negras #1
ISBN: 9788525060792

Primeira frase da página 100:
- É verdade que no continente ninguém possui dádivas? - pergunta ela.

Do que se trata o livro?
Três Coroas Negras é um romance distópico em que a ilha de Fennbirn deve ser governada por uma rainha. Toda rainha tem uma trinca de filhas. Quando elas completam seis anos são separadas e treinadas de acordo com suas dádivas: Envenenadora, Elemental e Naturalista. Dez anos depois, quando elas completam 16 anos, são postas numa disputa mortal para saber quem será a futura rainha; sendo que para isso as irmãs devem matar uma as outras, apenas a mais forte vencerá.

O que está achando até agora?
Minha expectativa para esse livro estava nas alturas desde o momento em que vi a capa em inglês. Achei muito linda! Quando vi que tinha lançado no Brasil com a mesma capa, resolvi ler a sinopse e comprei sem pensar duas vezes. Até agora a história está bem ok. O plot é muito interessante, mas até a página 100 não tinha sido plenamente desenvolvido a ponto de dar aquela vontade de engolir o livro. Sinto que há uma capacidade enorme de haverem jogos políticos e religiosos ali por trás das meninas rainhas, só que a autora ainda não mostrou as cartas. Se tiverem reviravoltas, elas podem ser muito muito boas. Aguardo ansiosamente.

O que está achando da personagem principal?
São três protagonistas: Katharine (a envenenadora), Arsinoe (a naturalista) e Mirabela (a elemental). Simpatizei com todas elas, mas a que mais gostei de longe foi Katharine, pois a autora constrói a personagem para tal e também porque ela é a primeira irmã apresentada no livro. Arsinoe é legal e ainda não formei opinião sobre Mirabella.

Melhor quote até agora:

Três irmãs sombrias, Lindas de se ver, Duas a serem devoradas, E uma Rainha por ser.

Vai continuar lendo?
Com certeza! Estou enxergando um potencial enorme nesse livro, e além disso as pessoas só estão falando muito bem dele na internet. Estou cheia de curiosidade!

Última frase da página:
- Obrigado por me mostrar tudo isso. Tenho certeza de que você vai me mostrar muito mais, antes de ser coroada e de eu ser coroado a seu lado. Ou será que reis consortes não são coroados? Essa parte nunca foi exatamente clara pra mim.

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Antes Que Eu Vá

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Para conferir a resenha do livro "Antes Que Eu Vá", clique aqui.

Antes Que Eu Vá

Minha Classificação:
Antes Que Eu Vá The Movie DB
de Ry Russo-Young
Título Original: Before I Fall
Estreia: 03/03/2017
País: EUA
Gênero: Drama, Mistério, Thriller
Roteiro: Maria Maggenti
Elenco: Zoey Deutch, Halston Sage, Logan Miller, Elena Kampouris, Jennifer Beals, Cynthy Wu

Samantha Kingston é uma adolescente que faz parte do grupo das populares na escola. Ela é feliz e tem a vida aparentemente perfeita, até que no dia 12 de fevereiro ao voltar de uma festa ela sofre um acidente fatal, mas fica presa nesse dia e é obrigada a revivê-lo diversas vezes até que consiga entender que suas ações tem consequências e que há coisas que podem ser mudadas e outras que devem permanecer como estão.

Eu adoro o livro que deu origem a esse filme. Acho a ideia interessante e o “efeito borboleta” das ações da protagonista é bem executado, mas eu não veria a adaptação se não fosse pela minha Rose Hathaway. Por mais que a história seja ótima, ela tem detalhes demais para funcionar da mesma forma em pouco mais de 90 minutos. As minhas cenas favoritas foram deixadas de lado porque, apesar de serem ótimas, não contribuíam para a jornada da protagonista. Logo, sem surpresa nenhuma, achei o livro muito melhor, mas reconheço que dado o tempo existente para contar a história, o filme fez o melhor que pôde.

Acho a Zoey Deutch uma atriz muito competente, mas a Sam acabou ficando sem graça. Ela tem uma grande evolução nos dias repetidos, mas não deu pra notar muito na interpretação, o que é uma pena porque isso tem muita importância no desenrolar dos acontecimentos. Fora ela, os outros atores cumpriram bem seus papéis e deram vida a personagens algumas vezes mais complexos e interessantes que a própria protagonista.

Antes que eu vá aborda alguns assuntos sérios de uma forma bem casual e acabou ficando mais com cara de “sessão da tarde” do que deveria. Continua porém sendo um bom suspense e sendo salvo pelo final que te faz terminar o filme com uma sensação melhor do que se tivesse escolhido a saída clichê e fácil que muitos escolhem.