Rei Arthur: A Lenda da Espada

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Rei Arthur: A Lenda da Espada

Rei Arthur: A Lenda da Espada The Movie DB
de Guy Ritchie
Título Original: King Arthur: Legend of the Sword
Roteiro: Joby Harold, Guy Ritchie, Lionel Wigram
Elenco: Charlie Hunnam, Astrid Bergès-Frisbey, Jude Law, Djimon Hounsou, Eric Bana, Aidan Gillen
Estreia: 18/05/2017
País: EUA, UK, Austrália
Gênero: Ação, Fantasia, Aventura

A história do lendário Rei Arthur tem sido contada de diversas formas e por diferentes locutores há séculos. O herói inglês protagonizou mais de 30 filmes, incontáveis livros, animações e agora chega mais uma vez às telonas com o longa Rei Arthur: A Lenda da Espada, que estreou dia 18 de maio nos cinemas e traz uma renovação à história tão conhecida.

Fonte:Imgur

O conto de um dos maiores líderes da antiga Bretanha é narrado desde o século IX, sendo que sua primeira aparição se deu numa coletânea de textos escrita por monges e chamada Historia Brittonum, que relata a tradição oral e história dos povos britânicos. Com variadas versões e releituras, cada uma focando em um detalhe do universo de guerras, lutas de espadas, magia e mitologia, até hoje ainda não se sabe o teor verídico dessa lenda, se tem origem real ou fictícia.

Este novo filme – o último com essa temática foi lançado em 2004 e teve Clive Owen como protagonista – acompanha um Arthur jovem (Charlie Hunnam, conhecido por seu papel como Jax na série Sons of Anarchy e pela pequena participação em Pacific Rim), que, apesar do sangue real, ainda não é rei nem se lembra de sua origem. Isso porque ele foi enviado para longe do castelo em que nasceu por seus pais, na tentativa de protegê-lo do ataque do invejoso irmão do rei, Uther Pendragon (Eric Bana), pai do menino, o qual perde a vida, assim como sua esposa. Entretanto, o pequeno Arthur consegue escapar num barquinho pelo rio, de onde é resgatado por uma mulher residente em um bordel, local em que o órfão será criado.

E assim Art cresce nos becos e ruas de Londinium, cidade que iria se tornar a grande e conhecida Londres. Na época, a hoje cosmopolita cidade era apenas um pequeno burgo, que ainda não possuía nenhum dos pontos de referência que identificam a capital hoje. Inclusive, o cerne do reino se concentra em Camelot, onde o tio de Arthur, Vortigern (interpretado por Jude Law), governa como rei usurpador.

Fonte:Imgur

O herdeiro desconhecido cresce sem lembranças de seu passado real, e continuaria em sua vida de moleque das ruas, uma espécie de “marginalzinho” do bem, se não fosse arrastado contra a vontade novamente até sua terra natal. Nela, o rei está loucamente à procura de seu sobrinho fugido para descartar quaisquer chances deste recuperar o trono. Para isso, o antagonista dispõe da mítica e mágica espada Excalibur, pertencente ao seu irmão e fincada em uma pedra após sua morte, de onde apenas o verdadeiro descendente do rei conseguiria arrancá-la. E adivinha o que acontece? Arthur está dentre os jovens de mesma idade que são levados à força para tentar tirar a famosa arma da pedra e, consequentemente, o faz.

A partir dessa descoberta o destino de Art está fadado, mas como é era de se esperar, ele é auxiliado por um grupo de ex-guerreiros fiéis a seu pai (dentre eles Sir Bedivere, vivido por Djimon Hounson, e Bill, incorporado por Aidan Gillen, conhecido por seu papel em Game of Thrones), que agem na surdina e pela maga aprendiz de Merlin (Astrid Bergès-Frisbey, que já participou de um dos filmes da franquia Piratas do Caribe). Esse grupo guiará um rebelde Arthur na redescoberta de sua identidade e ajudá-lo a depor o rei tirano. Apesar da personalidade meio petulante do jovem, ele acaba se mostrando um companheiro fiel e preocupado em fazer o bem, mesmo com os dilemas e dúvidas que tem pelo caminho, já que precisa aceitar o seu destino para se conectar com o poder da espada e vencer Vortigern.

O filme é dirigido e produzido por Guy Ritchie, célebre por suas comédias policiais Snatch: Porcos e Diamantes e Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, também é conhecido pelo filme Revólver e por já ter regravado outra consagrada história, a de Sherlock Holmes. O aclamado cineasta inglês é famoso por dar um toque especial em seus filmes, que possuem uma estética própria, além de investir em ângulos ousados de câmera e ter uma forma peculiar de contar a história.

Flickr/Gage Skidmore

geral também não é o que tradicionalmente se espera de um filme medieval, trazendo traços mais contemporâneos, e a trilha sonora também é marcante, combinando um ritmo celta com batidas fortes. A música inclusive é um elemento que confere personalidade às cenas do longa, como a que mostra a transformação do Arthur menino, inocente e que não sabe se proteger, em um homem independente e forte – cena cuja passagem de tempo em ritmo frenético é marcada pela cadência do som.

Aliás, este é um aspecto bem característico de Ritchie, fazer um vai e vem, transições, cenas em slow motion seguidas por ação acelerada, o que pode incomodar alguns, mas são usadas para demarcar um contexto específico, como quando o poder da Excalibur é desencadeado. O cineasta ainda ousa com ângulos diferentes, como quando prende a câmera ao rosto dos personagens em uma sequência de perseguição.

Toda essa adrenalina visual, entretanto, pareceu não agradar a todos: o final de semana de estreia do filme foi bem abaixo do esperado e será difícil recuperar tudo o que foi investido com os 55 milhões obtidos até agora, visto os 175 milhões de dólares gastos na produção. Então há dúvidas se algumas das 5 continuações que haviam sido cotadas irão mesmo ser levadas para frente. Esse fracasso de bilheteria é atribuído por alguns à falta de uma maior divulgação, ou a escolha de um ator não muito conhecido como protagonista e a escalação de poucos grandes nomes, com exceção de Jude Law – nem a participação especial do ex-jogador de futebol inglês David Beckham colaborou para levantar a banca do filme.

Outros creditam o resultado ao fato de que o público não aceitou muito bem tantos elementos da cultura pop em um filme arturiano, de cerne medieval, e a falta de um dos personagens mais icônicos desse universo, o mago Merlin, que é apenas citado no longa. Ainda há críticas sobre a falta de conteúdo em favor de muito apelo estético. Realmente, não é um filme genial nem uma obra prima do cinema, mas é um bom entretenimento, os efeitos especiais são bem-feitos – mesmo quando o CGI parece um pouco exagerado – e uma coisa não se pode negar, essa nova releitura de Rei Arthur configura-se em um grande espetáculo visual.


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