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A Rainha de Tearling – A Rainha de Tearling 1

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    Livros da série A Rainha de Tearling:

  1. A Rainha de Tearling
  2. The Invasion of the Tearling
  3. The Fate of the Tearling
A Rainha de Tearling – A Rainha de Tearling 1

Minha Classificação:
A Rainha de Tearling (A Rainha de Tearling, #1) goodreads
de
Publicação: em 2017
Gênero:
ISBN: 9788556510280
Título Original: The Queen of the Tearling
Páginas: 352
Tradução: Cássio de Arantes Filho
Compre em lojas confiáveis:
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Capa original

Há tanta coisa que eu não sei.

Kelsea é a rainha de Tearling por direito, mas passou 18 anos escondida no meio da floresta para não ser assassinada por seus inimigos, nunca conheceu a mãe e não sabe quem é o pai, foi criada por Barty e Carlin e essa vida simples a austera foi tudo o que conheceu. Agora está na hora de voltar para Tearling e assumir seu lugar no trono, mesmo que todas as apostas estejam contra ela.

Quando peguei esse livro eu não sabia muito bem o que esperar da história, não sabia a sinopse, e fui descobrindo e me surpreendendo com ele aos poucos. Com uma mistura de fantasia e distopia, ele relata, bem brevemente, a história de um povo que migrou numa tentativa de construir um mundo mais igualitário sob a liderança de William Tear, que será o fundador de Tearling, e conforme entendemos de início, não teve sucesso na utopia. Nesse mundo atual, os livros são escassos, os reinos se dividem e se estruturam de forma muito parecida com a era medieval e apesar das poucas informações sobre os reinos vizinhos, em Tearling a religião é uma força com bastante poder econômico e social. 

A rainha foi criada para governar, então mesmo não sabendo detalhadamente as condições atuais do seu reino, ela foi instruída formalmente com estudos relevantes para assumir o trono, que no momento é usurpado pelo seu tio. A princípio a grande ameaça à Tearling é o reino vizinho, Mortmesne, liderados pela Rainha Vermelha, mesmo que a antiga rainha tenha firmado um acordo de paz entre os reinos, a sombra de um ataque de Mortmesne paira sobre toda Tearling.

Mais alguém acha que isso não é uma informação que a nova rainha deveria ter?

Então temos um cenário caótico que carece de liderança há anos e uma garota de dezoito anos que vai ser responsável por tudo isso. A Kelsea não se enquadra na maioria dos estereótipos desse tipo de livro, ela não é a mocinha indefesa, mas também não é mais foda de todas e ela vai aprendendo junto com o leitor quais são seus pontos fortes e fracos e o limite das suas forças. Ela tem uma boa intuição, uma firmeza de pensamento e atitude e um desejo de colocar as coisas em ordem, que é perdoável suas falhas.  

O cenário político é um dos pontos mais explorados e conforme as peças do tabuleiro vão se mexendo, conseguimos entender bem a função delas no estado atual do reino. Por se tratar de uma distopia, são citados livros e momentos históricos que fazem uma crítica direta ao nosso momento. Apesar da magia estar presente tanto na vida da Kelsea quanto na da Rainha Vermelha, não nos é explicados os comos e porquês, mas ela é um traço importante na história. Porém, a narrativa é lenta, as páginas vão passando sem grandes acontecimentos e isso acabou atrasando um pouco a leitura, outro ponto que achei incomum é que no início de cada capítulo é feito uma introdução com algum feito da rainha, o que acaba sendo não só um spoiler do capítulo como da vida da personagem. Mesmo com o ritmo lento, é um bom livro, que fala sobre muita coisa importante.

Mais uma vez ficou com a sensação de que estava no meio de algo extraordinário e ele não sabia se devia agradecer a Deus por isso ou não.

 

Uma Loucura Discreta

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Uma Loucura Discreta

Minha Classificação:
Uma Loucura Discreta goodreads
de
Publicação: em 2016
Gêneros: ,
ISBN: 9788592783020
Título Original: A Madness So Discreet
Páginas: 388
Tradução: Fábio Bonillo
Compre em lojas confiáveis:
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Capa original

Boston, 1890. Grace Mae foi internada no Asilo Psiquiátrico Wayburne, porém não é louca. Ela sabe todos os segredos de sua família e foi enviada à reclusão porque isso foi demais para aguentar a ponto de sua voz sumir. E quando ela tem um ataque, é enviada ao porão onde conhece seu primeiro amigo em muitos anos, Dr. Falsteed, que pode ajudá-la a mudar sua vida miserável para melhor.

Grace aprendera havia muito tempo que os verdadeiros terrores deste mundo eram as outras pessoas.

Quando vi Uma Loucura Discreta na prateleira de uma livraria, sua capa e sinopse me chamaram a atenção. Lá ele estava na categoria “jovem adulto”, mas sinceramente, esse livro tem uma história muito pesada para estar junto de YAs de romance e etc. Grace está num asilo para insanos em Boston, sua cidade natal, a mando de seu pai para que ninguém saiba que está esperando um filho – já que isso denegriria a imagem da família do Senador Mae – e ela sofre e já sofreu tanto que penso que se fosse ela, talvez tomaria uma certa atitude que ela tomou. Tentarei discutir o mínimo de spoilers aqui, pois alguns são inevitáveis porque fazem parte até da sinopse oficial, embora não vá discutir detalhes.

Eles empurram sua discreta loucura em nós, seu poder e sua dor, e nós nos apegamos às nossas verdades aqui na escuridão.

Achei incrível a forma como Mindy McGinnis consegue construir uma história tão cheia de nuances – e parabéns, em um só livro. Temos feminismo, direitos humanos, estigmas de doenças psiquiátricas e ainda sobra espaço para casos policiais. Grace e o Dr. Thornhollow formam uma dupla maravilhosa para tentar desvendar o assassinato de mulheres, só que em momento algum os traumas passados de Grace são deixados de lado e o dia-a-dia no asilo deixa de ser interessante. Até bom humor a autora consegue colocar em alguns momentos pontuais, de forma sábia a ponto de não quebrar o clima de tensão do livro.

– Muito pelo contrário, minha definição é muito abrangente. Penso que somos todos loucos. Mas alguns de nós simplesmente são mais discretos em relação a isso.

Em Uma Loucura Discreta vemos a força que as mulheres tinham (e ainda têm) de ter que sobreviver em uma sociedade fundamentalmente patriarcal, e como elas fizeram uso disso para seguirem suas vidas como podiam. Na história temos diversos personagens, mas preciso destacar a amiga de Grace, Nell. Que mulher sensacional! Tanto a sua história quanto a de Lizzie são contadas de forma explícita por elas mesmas, enquanto a de Grace é lida nas entrelinhas até ela conseguir lidar com o trauma: isso faz com que o leitor sinta parte da agonia que ela sente, o que dimensiona mais a personagem. Porém mesmo tendo esse trauma enorme, a inteligência de Grace é tão grande quanto a de seu parceiro, o Dr. Thornhollow. A maneira que a autora encontrou de manter Falsteed na história também merece destaque – e a razão pela qual ele é mantido no asilo de Boston é muito grotesca, mas achei que fez um contraponto ótimo com a proposta do personagem. Gostei muito do desfecho do mistério dos assassinatos (e o entendi no contexto do livro, o que é mais importante) e também do final de toda a trajetória. Penso que livros profundos assim andam fazendo falta no mercado de hoje, e honestamente, não ligaria de comprar mais uma série de livros caso fosse protagonizada por Grace e Thornhollow…

 

To Hate Adam Connor

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To Hate Adam Connor

Minha Classificação:
To Hate Adam Connor goodreads
de
Publicação: em 2016
Gênero:
ISBN: B01GT4NXU4
Páginas: 374
Nível do idioma: Fácil
Compre em lojas confiáveis:
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Lucy acredita que as mulheres de sua família são amaldiçoadas e não conseguem encontrar o amor, embora ela também acredite profundamente nesse sentimento. Quando, por desventura do destino ela se muda temporariamente para a casa de sua amiga Olive (casada com o ator Jason Thorn) e conhece o vizinho/ator super famoso e recentemente divorciado Adam Connor, ela descobre que essa maldição pode ser real, já que nunca odiou tanto uma pessoa em sua vida como odeia Adam Connor.

“Eu o odeio,” repeti pela décima vez desde que entrei no carro. “Quero matá-lo. Vou processá-lo para salvar aquela criança das mãos dele e depois matá-lo.” (Tradução livre)

Ando numa onda meio bizarra que me acomete de vez em quando, em que gasto meu precioso tempo de vida não lendo os tantos livros bons que existem no universo, mas lendo livros ruins e lixosos que são “bons” – na maioria das vezes, de forma paralela aos que posto aqui. Em suma, esses livros são romances eróticos que encontro aleatoriamente na internet e sendo curiosa como sou, acabo lendo por ver classificações positivas no Goodreads. To Hate Adam Connor foi uma indicação de minha amiga que também é acometida por essa doença de ler livros ruins, só que esse é legal de verdade! Desde o começo me diverti muito com Lucy, que é muito engraçada e espontânea. Nunca se sabe o que está se passando na cabeça dela, e ela tem várias respostas na ponta da língua, além de não levar desaforo para casa e fazer piadas constantes. A amizade dela com Olive é o máximo e em diversos momentos do livro, me identifiquei com as duas e enxerguei na relação delas a minha relação com minhas amigas. 

“Você realmente gosta disso não é?”
“Do que?”
“Tornar as pessoas miseráveis. Como você é tão boa nisso, assumo que não sou sua única vítima.” (Tradução livre)

A narração do livro é alternada entre Adam e Lucy, e sempre gosto disso num livro porque parece que tendo as duas visões a história fica mais completa. As partes da Lucy são as mais engraçadas, mas Adam também é muito legal e um homem bom/um bom homem (!). Houveram momentos em que me peguei rindo alto de madrugada das besteiras que eles falavam um com o outro, e o melhor de tudo é que Lucy conversa com o leitor, então quando você percebe, já está concordando com as maluquices que ela faz… Um fator a destacar é que, diferente de muitos romances eróticos, To Hate Adam Connor tem uma certa história e sim, também momentos de tensão em que – pasmem – a protagonista não precisa ser salva por seu interesse amoroso. É isso aí mesmo! E também tem Aiden, o filho de Adam, que tem cinco aninhos e é um fofo, além de muito inteligente. As passagens dele com Lucy são ótimas e é legal ver um personagem masculino que sabe dar valor a filhos em livro (ainda mais em um romance erótico). Não há previsão de lançamento no Brasil, mas recomendo para quem sabe ler em inglês, já que a autora não usa palavras muito complicadas.