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Belas Maldições

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Belas Maldições

Minha Classificação:
Belas Maldições: as justas e precisas profecias de Agnes Nutter, Bruxa goodreads
de ,
Publicação: em 2017
Gênero:
ISBN: 9788528622003
Título Original: Good Omens: The Nice and Accurate Prophecies of Agnes Nutter, Witch
Páginas: 350
Tradução: Fábio Fernandes
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Capa original

Belas Maldições conta a história de um anjo e um demônio que estão na Terra desde a Criação, e que sabem que o Armagedom será onze anos depois de o Adversário ser entregue ao mundo. Quando a hora mais escura chega, os exércitos do Bem e do Mal estão se preparando para a Grande Guerra, que arrastará a humanidade de volta para a estaca zero, mas o mundo é tão legalzinho e tão recente… Pra que acabar com ele?

Pode ajudar na compreensão das questões humanas ter uma noção clara de que a maioria dos grandes triunfos e tragédias da história é provocada não porque as pessoas são fundamentalmente boas ou más, mas porque são fundamentalmente pessoas. Pág. 33

A sinopse de Belas Maldições é muito interessante, mas o motivo pelo qual pus minhas mãos nele foi claramente o nome de Neil Gaiman estampado na capa. Lamentavelmente Terry Pratchett faleceu em 2015, mas uma de suas séries, Discworld, é super famosa e até me deu vontade de ler depois desse livro. Achei o conteúdo muitíssimo equilibrado. Existem elementos característicos de Neil Gaiman – a jornada até um objetivo grandioso, personagens complexos -, mas também (acredito) um humor negro e tiradas interessantíssimas adicionadas pela sua parceria com Pratchett. É impossível finalizar esse livro desgostando de personagens ou não compreendendo seus papéis nas Justas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa, isto é, na doideira que o mundo se torna antes do apocalipse. Aziraphale ♥ é um anjo apaixonado por livros e que, como todo ser inefável, possui a tendência de sempre praticar o Bem. Já Crawley , um demônio (que já foi uma cobra bastante conhecida, numa história que envolve uma maçã) adora simples prazeres terrenos como dormir, ter um bom apartamento e acabar com o sinal de celular em toda Londres. Sinceramente, acho até um pouco cruel da parte dos autores me fazer apaixonar por um demônio…

Ele estava apenas matando tempo até o evento principal, mas o estava matando de modo exótico. Tempo e, às vezes, gente. Pág. 62

A narração em terceira pessoa é crua e realista (com eventuais toques de ironia e sarcasmo), e não poderia encaixar melhor nessa história. As notas de rodapé dão um tom de maior seriedade ao livro, mas assim que se lê a primeira, percebe-se que elas não passam de detalhes bem humorados para complementar a narrativa da jornada. O livro se passa no século XX, então temos referências à fitas cassete e LP’s e computadores primitivos como uma realidade presente, e se brinca o tempo todo com a ideia de quais criações modernas seriam dos demônios (game shows e trânsito ruim) e quais seriam dos anjos; ou até quais teriam escapado das mãos das instâncias Inferiores e Superiores, sendo responsabilidades apenas da humanidade em sua própria confusão. Não recomendaria esse livro para pessoas que são bastante voltadas para religião – seja ela qual for – porque tem muito humor negro e brincadeiras que podem ser tidas como de mau gosto para alguns (particularmente, ri alto de várias).

Ficou sentado no teto do carro, na chuva, sentindo a água entrar pelos fundilhos. Pág. 265

É incrível a maneira que os autores conseguiram pegar um assunto sério como o Apocalipse e tratá-lo com tanto bom humor. Não sei que mentes cabulosas seriam capazes de pensar num Anticristo (Adversário, Destruidor de Reis, Anjo do Abismo, Grande Besta que é chamada de Dragão, Príncipe Deste Mundo, Pai das Mentiras, Filho de Satã e Senhor das Trevas) de 11 anos que adora Star Wars, num demônio que adora Queen e cuida de plantas (de uma maneira muito duvidosa, diga-se de passagem), num anjo colecionador de livros que não os vende e perde uma espada flamejante e num bando de personagens com bizarrices e peculiaridades que se encaixam tão bem para talvez evitarem o Fim dos Tempos. Até sobra tempo para umas críticas sociais como o consumo extremo de comida não saudável pelos humanos, a eterna busca pelo padrão de beleza e quais são seus custos, guerras civis e outras coisas mais. O único defeito do livro, para mim, foram pequenos erros de edição e digitação; parece que queriam tanto lançar o livro que não quiseram ter o trabalho de revisar, por isso, às vezes aparecem erros bem grosseiros, mas nada que prejudique a leitura. Enfim, recomendo Belas Maldições até dizer chega caso você aí curta rir bastante em casos de fim de mundo.

O Retorno do Rei – O Senhor dos Anéis 3

por • 2615 Acessos

    Livros da série O Senhor dos Anéis:

  1. A Sociedade do Anel
  2. As Duas Torres
  3. O Retorno do Rei
O Retorno do Rei – O Senhor dos Anéis 3

Minha Classificação:
O Retorno do Rei (O Senhor dos Anéis, #3) goodreads
de
Publicação: em 2002
Gênero:
ISBN: 9788533615571
Título Original: The Return of the King
Páginas: 592
Tradução: Lenita Maria Rímoli Esteves
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Capa original

Enfim, chegamos ao terceiro e último livro e também ao apogeu da Guerra do Anel: Pippin e Gandalf estão em Gondor para ajudar na Cidade Branca; Gimli, Legolas, Aragorn e Merry estão em Rohan; e Frodo e Sam, guiados por Gollum, finalmente chegaram às portas de Mordor para tentar completar a Demanda do Anel e estão com o destino de todos da Terra-Média em suas mãos. Leia a resenha do primeiro livro aqui e a do segundo aqui. Essa resenha tem, claramente, SPOILERS!

– O que teme, senhora? – perguntou ele.
– Uma gaiola – disse ela. – Ficar atrás de grades, até que o hábito e a velhice as aceitem e todas as oportunidades de grandes feitos estejam além de qualquer lembrança ou desejo. Pág. 59

Há exatamente um ano atrás, postei a resenha de As Duas Torres. Demorei esse ano inteiro para ler O Retorno do Rei porque estava com pena de terminar a trilogia, por isso, coloquei muitas leituras na frente até o momento que não deu mais. Como não assistia os filmes há anos, não me lembrava de quase nada da história, por isso fiquei muito tempo pensando e pensando sobre o que aconteceria no fim de tudo – principalmente com Frodo e Sam. O terceiro livro é o menor de todos, também sendo um compilado dos livros V e VI, onde a tensão do terror que mora ao Leste paira o tempo todo e sufoca o leitor até o incrível final. Os personagens apresentados no segundo livro aqui tem seus papéis muito bem definidos, além de claro, haver a introdução de novos personagens – apenas para enriquecer e adicionar complexidade à história. Posso dizer que O Retorno do Rei é o ápice da trilogia, até porque é quando a Guerra do Anel finalmente ocorre, e não deve nada aos outros dois volumes da série. Recheado de batalhas épicas, surpresas e laços bem dados, o fim de O Senhor dos Anéis é esplendorosamente bem escrito.

[…] Pois o Senhor da Torre Escura tinha ainda uma outra arma, mais rápida que a fome: o medo e o desespero. Pág. 116

Na primeira parte do livro acompanhamos o preparo para a guerra que está vindo para Gondor, com a chegada de Gandalf e Pippin em Minas Tirith, ao passo que Gimli, Legolas, Aragorn e Merry estão em Rohan após a vitória da batalha do Abismo de Helm. Ao contrário do que ocorreu em As Duas Torres, a minha agonia aqui foi muito bem distribuída. Tolkien consegue deixar o leitor tenso o tempo todo, porque ninguém sabe ao certo quais são os planos do Senhor do Escuro, só sabemos que o seu exército ultrapassa e muito em números o dos homens do Oeste; além de claro, ocorrerem desafios paralelos como (alerta de spoiler! Passe o mouse para ler) a passagem de Aragorn, Legolas e Gimli nas Sendas dos Mortos e a loucura do Regente de Gondor. Quando finalmente nossos heróis da Sociedade do Anel e seus aliados partem para as batalhas, é uma aflição infinita porque em muitos momentos parece que vai dar tudo errado e o leitor fica torcendo por todo mundo – só que Tolkien mata alguns personagens que se tornaram queridinhos ao longo dos livros.

Todos os que lhe eram caros haviam partido para dentro da escuridão que pairava sobre o céu distante do leste, e restavam-lhe pouquíssimas esperanças de que um dia voltasse a ver qualquer um deles. Pág. 206

Para não perder o costume, Sam e Frodo só aparecem no livro VI, exatamente onde acabou o livro IV. Frodo nas mãos dos orcs e Sam desmaiado e com o Anel. É claro que as coisas só vão ladeira a baixo e percebi que li O Retorno do Rei quase inteiro suando frio de nervoso! Tolkien consegue construir um mundo tão lindo na Terra-Média que você não quer que aquilo acabe nas mãos de um ser ruim, por isso é uma leitura densa que é feita de forma rápida porque a curiosidade vence qualquer pena de acabar o livro. Adorei a forma que o autor conseguiu amarrar bem os arcos de todos os personagens, não só aqueles da Sociedade, dando a devida importância a personagens secundários e não deixando nada mal explicado.Também gostei muito do modo como a Demanda do Anel é completada, é ao mesmo tempo épico e anticlimático – porém as pistas de como seria feito foram deixadas ao longo dos dois primeiros livros. Oficialmente, essa trilogia virou uma das minhas séries de livros favoritas.

Agora a grande nuvem paira sobre toda a região daqui até as Montanhas da Sombra; e está ficando mais densa. A guerra já começou. Pág. 83

Assim como das outras vezes, assim que terminei o livro, fui assistir o filme. Peter Jackson deixou o final de As Duas Torres para o filme de O Retorno do Rei para que a tensão do espectador fosse levada a níveis alarmantes (agradeci ao universo por não ter assistido esse filme no cinema, pois ia passar bastante vergonha). Temos o túnel de Laracna, a torre de Cirith Ungol, as batalhas de Gondor e a Destruição do Um em apenas quatro horas e vinte de filme (versão estendida) e, honestamente, poucas adaptações são tão fiéis ao livro como essa. Dá para sentir o carinho e o amor de todos os atores e também do diretor para com O Senhor dos Anéis, e a direção é construída de modo a desesperar, mas também emocionar muito o espectador. Afinal, é o fim do épico que você acompanhou por dois anos e foi um fim tão bem feito que merece aplausos infinitos. Acho muito difícil algum fã de O Senhor dos Anéis não gostar das adaptações, já que poucas coisas são cortadas, e o que foi cortado realmente foi porque não tinha tanta necessidade de transmitir no filme. Quando os créditos começaram a passar na TV, minha blusa estava ensopada de lágrimas e meu corpo seco de água de tanto que chorei – talvez, apenas talvez, eu tenha me apegado loucamente aos personagens. Obviamente virei fangirl dessa série e o próximo passo é em direção às aventuras de Bilbo Bolseiro, mais conhecido como O Hobbit.

P.S.: Você pensou que não ia ter gif dele, não é mesmo???? Rá! Aqui está Aragorn (vulgo Viggo Mortensen):

Me faça sua rainha por favor!

A Rainha de Tearling – A Rainha de Tearling 1

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    Livros da série A Rainha de Tearling:

  1. A Rainha de Tearling
  2. The Invasion of the Tearling
  3. The Fate of the Tearling
A Rainha de Tearling – A Rainha de Tearling 1

Minha Classificação:
A Rainha de Tearling (A Rainha de Tearling, #1) goodreads
de
Publicação: em 2017
Gênero:
ISBN: 9788556510280
Título Original: The Queen of the Tearling
Páginas: 352
Tradução: Cássio de Arantes Filho
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Capa original

Há tanta coisa que eu não sei.

Kelsea é a rainha de Tearling por direito, mas passou 18 anos escondida no meio da floresta para não ser assassinada por seus inimigos, nunca conheceu a mãe e não sabe quem é o pai, foi criada por Barty e Carlin e essa vida simples a austera foi tudo o que conheceu. Agora está na hora de voltar para Tearling e assumir seu lugar no trono, mesmo que todas as apostas estejam contra ela.

Quando peguei esse livro eu não sabia muito bem o que esperar da história, não sabia a sinopse, e fui descobrindo e me surpreendendo com ele aos poucos. Com uma mistura de fantasia e distopia, ele relata, bem brevemente, a história de um povo que migrou numa tentativa de construir um mundo mais igualitário sob a liderança de William Tear, que será o fundador de Tearling, e conforme entendemos de início, não teve sucesso na utopia. Nesse mundo atual, os livros são escassos, os reinos se dividem e se estruturam de forma muito parecida com a era medieval e apesar das poucas informações sobre os reinos vizinhos, em Tearling a religião é uma força com bastante poder econômico e social. 

A rainha foi criada para governar, então mesmo não sabendo detalhadamente as condições atuais do seu reino, ela foi instruída formalmente com estudos relevantes para assumir o trono, que no momento é usurpado pelo seu tio. A princípio a grande ameaça à Tearling é o reino vizinho, Mortmesne, liderados pela Rainha Vermelha, mesmo que a antiga rainha tenha firmado um acordo de paz entre os reinos, a sombra de um ataque de Mortmesne paira sobre toda Tearling.

Mais alguém acha que isso não é uma informação que a nova rainha deveria ter?

Então temos um cenário caótico que carece de liderança há anos e uma garota de dezoito anos que vai ser responsável por tudo isso. A Kelsea não se enquadra na maioria dos estereótipos desse tipo de livro, ela não é a mocinha indefesa, mas também não é mais foda de todas e ela vai aprendendo junto com o leitor quais são seus pontos fortes e fracos e o limite das suas forças. Ela tem uma boa intuição, uma firmeza de pensamento e atitude e um desejo de colocar as coisas em ordem, que é perdoável suas falhas.  

O cenário político é um dos pontos mais explorados e conforme as peças do tabuleiro vão se mexendo, conseguimos entender bem a função delas no estado atual do reino. Por se tratar de uma distopia, são citados livros e momentos históricos que fazem uma crítica direta ao nosso momento. Apesar da magia estar presente tanto na vida da Kelsea quanto na da Rainha Vermelha, não nos é explicados os comos e porquês, mas ela é um traço importante na história. Porém, a narrativa é lenta, as páginas vão passando sem grandes acontecimentos e isso acabou atrasando um pouco a leitura, outro ponto que achei incomum é que no início de cada capítulo é feito uma introdução com algum feito da rainha, o que acaba sendo não só um spoiler do capítulo como da vida da personagem. Mesmo com o ritmo lento, é um bom livro, que fala sobre muita coisa importante.

Mais uma vez ficou com a sensação de que estava no meio de algo extraordinário e ele não sabia se devia agradecer a Deus por isso ou não.