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Mayra

Mayra    

Graduada em Relações Internacionais e estudando Administração Pública, sempre foge do convencional com um sorriso no rosto. Adora tudo relacionado à Disney, zumbis, corujas, livros, filmes e séries - daí decidiu escrever aqui!


Lugar Nenhum

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Lugar Nenhum

Minha Classificação:
Lugar Nenhum goodreads
de
Publicação: em 2016
Gênero:
ISBN: 9788580578997
Título Original: Neverwhere
Páginas: 336
Tradução: Fábio Barreto
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Capa original

Desde o post de Deuses Americanos estava tentando pôr minhas mãos nos livros de Neil Gaiman, e consegui comprar alguns deles numa promoção, e decidi pegar primeiro Lugar Nenhum para ler, mais uma vez, sem sequer saber a sinopse da história. Mais uma vez, um livro sensacional.

Richard Mayhew é um jovem escocês que foi trabalhar em Londres. Três anos depois ele está noivo, tem um ótimo emprego e uma boa vida até encontrar uma moça ferida numa calçada. Ao ajudá-la, a sua vida muda totalmente e ele passa a conhecer a Londres de Baixo.

– Meu jovem, entenda uma coisa: existem duas Londres. A Londres de Cima, onde você vivia, e a Londres de Baixo, o Submundo, onde habitam as pessoas que caem pelas brechas do mundo. Agora você é uma delas. Tenha uma boa noite. Pág. 109

Dizer que esse livro é uma maluquice sem fim é uma atenuação dos fatos. Em Lugar Nenhum, Neil Gaiman mais uma vez nos mostra porque é um dos autores mais aclamados da atualidade, e com certeza fincou sua bandeira no meu hall de favoritos. Nessa releitura fantástica de Londres o autor encaixa uma fantasia totalmente diferente de tudo que já li, figuras surpreendentes e enredo nem um pouco óbvio. Tendo como pano de fundo os esgotos e lugares abandonados dessa cidade, temos Door, uma jovem que abre portas tentando salvar sua vida com a ajuda de marquês De Carabás, ratos e pessoas que falam com ratos, guerreiros milenares, Conde e a não-tão-solícita presença de Richard. Também temos o uso incrivelmente criativo das estações de metrô de Londres e seus respectivos nomes, que têm grande importância no Submundo.

Richard já fora mandado à mer** com mais empolgação e bom humor. Pág. 234

É importante frisar como as personagens femininas são fortes e determinadas, além de cumprirem um papel de destaque na trama. Door é apenas uma adolescente, mas com uma coragem incrível. Em contraponto, Richard, o protagonista, às vezes é bem chatinho e passa várias vergonhas, mas funciona muito bem como o elemento de fora. É ótima a maneira como a história se desenrola, com reviravoltas surpreendentes e uma cadência que penso ser típica do autor. A construção dos personagens é condizente com o tempo do livro, muito bem feita e explorada de formas inusitadas e como esse livro se passa (em suma) nos esgotos, às vezes de forma curiosamente nojenta. Por exemplo, é genial a maneira com a qual Neil Gaiman constrói o Sr. Croup e o Sr. Vandemar para serem comicamente amedrontadores, com seus gestos, aparências, presenças e falas muito bem colocadas ao longo do texto. Enfim, não posso ficar me prolongando na resenha, pois se não, daria spoilers, mas a forma como o autor consegue estruturar esse universo complexo e super incomum em trezentas páginas é apenas sensacional. Recomendo muito a leitura, além de a capa do livro ser linda e ter estampada dentro o mapa do metrô de Londres!

 

        
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A Bela e a Fera

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A Bela e a Fera

Minha Classificação:
Beauty and the Beast IMDb
de Gary Trousdale, Kirk Wise
Estreia no Brasil: 22 Nov 1991
País: USA
Gênero: Animation, Family, Fantasy
Roteiro: Linda Woolverton (animation roteiro by), Brenda Chapman (história), Chris Sanders (história), Burny Mattinson (história), Kevin Harkey (história), Brian Pimental (história), Bruce Woodside (história), Joe Ranft (história), Tom Ellery (história), Kelly Asbury (história), Robert Lence (história)
Elenco: Robby Benson, Jesse Corti, Rex Everhart, Angela Lansbury
Duração: 84 min

A Bela e a Fera é minha animação favorita da Disney (o certo seria dizer que sou obcecada por esse desenho), e no momento da notícia que haveria um live action, tive medo de estragarem uma coisa tão importante pra mim. Quando fiquei sabendo que Emma Watson seria a Bela, pensei: Não pode dar muito errado, afinal é Disney. O que você faria quando a sua personagem favorita de Harry Potter vira a sua princesa favorita da vida? Bom, eu enlouqueci. Ah, e é sempre bom avisar que esse post NÃO CONTÉM SPOILERS!

Bela é uma moça à frente de seu tempo e não consegue se encaixar na pequena vila em que vive, porque os aldeões a consideram estranha. Seu pai é um inventor e Bela adora ler e também é muito inteligente, portanto também é uma inventora, seguindo os passos de seu pai. Quando ele vai para uma feira expor sua mais nova invenção e acaba se perdendo, vai parar num castelo como prisioneiro de uma Fera. Bela, ao tentar salvá-lo, acaba tomando seu lugar como prisioneira, mas nesse ínterim, descobre que a beleza está dentro de nós.

Ninguém te merece mesmo, Gaston!

Confesso que eu estava absolutamente maluca de tanto esperar. Saiu teaser, e saiu trailer, e saiu outro trailer e nada de chegar dia 16 de março. Abriu a pré-estréia e fui a primeira pessoa a comprar na sala em que assisti o filme (percebam a loucura da pessoa), e finalmente chegou o dia e não aguentava esperar, não conseguia dormir de tanta ansiedade. Não sei se estava ansiosa para ver porque estava com medo de ser ruim ou porque tinha quase certeza de que seria muito bom. Assisti o filme e enquanto escrevo esse post, não consigo segurar a minha emoção, então já aviso de antemão que estou tão feliz com esse live action que só de lembrar, fico arrepiada. Atenção: algumas opiniões aqui explicitadas estão severamente nubladas por lágrimas!

A versão live action que a Disney fez, como mostrado exaustivamente na divulgação prévia do filme, é incrivelmente igual à animação de 1991. É tudo adaptado com uma graça sobrenatural, com falas idênticas ao desenho em muitas vezes. Temos também as músicas, que quase não sofreram alterações no contexto do novo filme e foram encaixadas no roteiro com muita eficiência, assim como as novas músicas, lindas e tão incríveis quanto as de 1991. Emma e Dan cantam super bem, e Audra McDonald dá um show de potência vocal. Falando em show, o que são as atuações desse filme? Por mais que a maioria seja CGI, é tudo perfeitamente dublado e lindo, num roteiro incrivelmente bem escrito e readaptado do livro. Sério, A Bela e a Fera versão 2017 é um deleite para olhos de todas as idades! O castelo é lindo, os personagens são lindos, a aldeia é linda e o figurino é apenas maravilhoso (o vestido amarelo e o vestido do final!!!!!!!!!!!!!). No começo do filme temos uma explicação diferente dos vitrais da animação, porém tão sensacional que é difícil não se arrepiar.

Tale as old as time, song as old as rhyme…

Um dos maiores pontos positivos desse filme é o turbilhão de emoções que ele provoca. Nostalgia, claro sendo a maior delas, porém é aquele tipo de obra (prima) cinematográfica que te faz rir, te faz chorar, te faz sentir um quentinho no coração. As piadas estão presentes em todo o roteiro, e a maneira que os atores as interpretam são ótimas: Josh Gad/LeFou é claramente o alívio cômico (assim como em 1991) e seu trabalho no filme é exímio, e Luke Evans está além de perfeito como Gaston! Eles dois são incríveis, mas obviamente Emma Watson e Dan Stevens são as maiores lindezas desse mundo. Achei incrível a maneira que dá para ver o Dan mesmo no CGI da Fera, e achei que a Emma estava meio apática nas fotos e tal, mas no filme ela ficou perfeita! Ah, e se você aí quer boicotar o filme por ter um personagem gay, tenha duas coisas em mente: não seja idiota e LeFou é incrível do jeito que é, assista ao filme e comprove. A vida não é feita de preconceitos e A Bela e a Fera está aqui para passar justamente essa mensagem. Por último, queria só deixar claro aqui que sou a pessoa mais feliz do universo, tô vivendo o melhor momento da minha vida e planejo assistir a esse filme pelo menos mais 5 vezes no cinema. Ou 6. 7, 8, 9… Ai meu coração!

        
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A Nova Onda do Imperador

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A Nova Onda do Imperador

Minha Classificação:
The Emperror's New Groove IMDb
de Mark Dindal
Estreia no Brasil: 15 dezembro 2000
País: EUA
Gênero: Animação
Roteiro: Chris Williams, Mark Dindal
Elenco: Selton Mello, Marieta Severo, Humberto Martins
Duração: 78 minutos

Sei que você deve estar pensando “Nossa, que filme velho, por que ela tá resenhando isso?”, mas no carnaval (pelo menos aqui no Rio) vi gente fantasiada de Kuzco que escreveu o nome dele errado e isso me fez refletir sobre as muitas pessoas que conheço que nunca assistiram esse desenho e em como ele é subestimado em meio a tantas outras produções da Disney. Então resolvi vir aqui divulgar e enaltecer essa animação que está no meu hall de favoritas há tantos anos, e sentir esse gostinho de como é ótimo lembrar que esqueceu como esse filme é bom!

Em A Nova Onda do Imperador, Kuzco é o maior governante do império inca, portanto, o mundo gira ao seu redor. Quando ele é transformado em lhama pela sua ex-conselheira Yzma, somente o camponês Pacha pode ajudá-lo a voltar à sua forma humana.

O que????? Uma lhama??????? Era para ele MORRER!

A Nova Onda do Imperador é diferente de todas as animações da Disney, não só pela estética mais voltada para a América do Sul (até os traços do desenho e as formas e cores são diferenciados), mas pela narrativa. O filme começa do meio, com o Kuzco já lhama chorando desamparado na floresta (vide gif acima) e contando para quem está assistindo o filme como isso aconteceu na vida dele, portanto atiçando a nossa curiosidade na história desde o princípio – isso mesmo, é o Kuzco que interage diretamente conosco. Além disso, esse é um dos poucos longas da Disney que tem quebra da quarta parede, isto é, o narrador se dirige diretamente ao espectador meio que “sabendo” que está em um filme. Quer coisa mais sensacional que isso?

“O filme é sobre mim, e não sobre esse camponês aqui.”

A trilha sonora é sensacional, por mais que hajam poucas músicas e nenhum personagem cante, ao contrário de Moana e A Bela e a Fera, por exemplo. Esse filme (junto a Zootopia) é o mais engraçado e sem noção da Disney pra mim, porque é de um deboche imenso e as piadinhas, principalmente com a Yzma, são atemporalmente hilárias: “Será que ela foi passageira na Arca de Noé?” se pergunta Kuzco. Apenas não dá para ficar sério. Penso que talvez meu amor por lhamas seja proveniente desse filme, porque olha, Kuzco lhama é apenas incrível. Aqui, como em todos os filmes da Disney, há a utilização da teoria das cores, mesmo que de maneira avessa, porque mesmo que o imperador use vermelho (que remete à poder) ele só se ferra o tempo todo. Aliás, amo muito como tudo dá loucamente errado sem pesar no contexto, porque é tudo feito de maneira tão leve e bem humorada que nos surpreendemos com os elementos modernos colocados ao longo do filme, como uma bola canudo, daquelas que usamos para fazer bichinhos em festas, usada para fazer uma lhama – você sabia que esses balões de festa datam da fundação do império inca? Que eles supostamente os inventaram? Tá vendo como a Disney também é cultura?

Ai como amo a Yzma <3

Todos os personagens desse filme são formidáveis, mas o destaque vai para Yzma e Kuzco. Principalmente a Yzma. E o Kronk também porque né?! Aqui no Brasil os dubladores fizeram um ótimo trabalho pois são ótimos atores, e suas vozes encaixaram muito bem no desenho; Selton Mello é perfeito como Kuzco e não há como imaginar Yzma sem a voz de Marieta Severo, é apenas perfeito! Tirando a divertida derrota recorrente nesse filme, a mensagem que ele passa é necessária nos dias de hoje: não existe lugar para a tirania de ditadores e manipuladores, porque o mundo foi feito por e para todas as pessoas. A música do fim do filme diz que “o mundo deve ser de todos nós”, e em 2017, não há frase melhor.

        
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