Dear White People

por • 4541 Acessos

Dear White People

Minha Classificação:
Dear White People - 2017 The Movie DB
de Justin Simien
Status: 1 temporada (renovada)
Episódios vistos: 10
Elenco: Logan Browning, Antoinette Robertson, Ashley Blaine Featherson, DeRon Horton, Brandon P Bell
Gênero: Drama, Comédia
Canal Original: Netflix
Canal no Brasil: Netflix
Duração do Episódio: 30 minutos
Assistir Dear White People online: Netflix

Em Dear White People temos um grupo de estudantes negros, que são minoria no campus, passando por uma série de situações de preconceito numa das universidades mais caras da Ivy League, a Winchester University. O preconceito é velado até, em uma resposta ao programa de rádio de Samantha White, estudantes promovem uma festa de blackface (prática associada ao estereótipo historicamente racista em que brancos pintam o rosto para parecerem negros), onde o racismo é escancarado de forma irreversível na faculdade. Essa resenha NÃO contém spoilers! ;)

Às vezes ser negro e despreocupado é um ato de revolução.

Como mulher negra, me senti na obrigação de assistir essa série, por mais que seja num contexto não brasileiro. Em 2017, com a eleição de um presidente extremamente racista nos Estados Unidos, e a ascensão da extrema direita em muitos países – principalmente europeus -, Dear White People é incrivelmente necessária. Vira e mexe na internet vemos atos de racismo saírem impunes agora nesse novo governo estadunidense e muitas pessoas cancelaram suas contas na Netflix por conta dessa série, além de o teaser dela ter recebido milhares de negativações no Youtube. Por mais que a classificação pela crítica especializada no Rotten Tomatoes seja de incríveis 100%, essa série desagradou muita gente, e minha dica inicial é: se as pessoas se sentiram tão aborrecidas por essa série, é por isso mesmo que ela deve existir. Por mais que seja contundente, Dear White People consegue ser leve ao mesmo tempo que trata de assuntos sérios de forma direta e reta. São 10 episódios de 25/30 minutos fantasticamente bem escritos por negros, dirigidos por negros e atuados por elenco quase todo negro. O roteiro tem um timing cômico inserido em momentos sempre oportunos – ter um narrador (que é ninguém menos que Giancarlo Esposito) foi uma tirada maravilhosa -, ao passo que as cenas de tensão são construídas de forma fabulosa. Quero deixar claro aqui que o fato de essa série precisar existir em pleno século XXI é um motivo pelo qual todos os seres humanos deveriam se envergonhar.

Exatamente. Esta é a diferença. O fato de que você não liga e eu sim.

A série faz piada com típicos shows norte americanos de forma super descarada, porém em níveis diferentes: a paródia de Scandal é ridícula de tão bem feita, e a parte de Game of Thrones me fez ficar reflexiva e o que eles disseram sobre o Tarantino fez muito sentido; e o melhor é que ali não existe isso de “não vemos porque é cultura de branco” mas todos assistem os programas e têm aquele prazer culposo. Essa é uma das partes que destacam a não dicotomia na série: nem todo mundo é bom e nem todo mundo é mau, todas as pessoas negras têm tantas nuances como as brancas, por mais que somente agora as redes de TV e Hollywood estejam se atentando a este fato. Para enfatizar essas sutilezas pessoais os episódios enfocam um personagem por vez, mostrando suas histórias prévias e porquê eles são do jeito que são e como tudo foi culminar no Capítulo X, o último episódio: no desenrolar dos acontecimentos podemos ver que não há lado bom ou ruim na militância e que cada um se porta e se representa de um jeito diferente e isso é normal. É assombrosa a forma como a série conseguiu manter a sua qualidade impecável do primeiro ao último episódio, mas o destaque vai para o Capítulo V dirigido por ninguém menos que Barry Jenkins, ganhador de melhor filme no Oscar por Moonlight e assim como o filme me emocionou muito, o episódio destruiu meu coração (percebemos aqui uma tendência do diretor de acabar comigo).

Cara gente branca, vocês me fizeram me odiar quando criança, então eu os odeio agora e essa é minha vergonha secreta.

A protagonista é Samantha White, militante de um dos movimentos negros da Winchester University e tudo começa por conta do programa de rádio dela, que é extremamente sincero e por isso incômodo para todos os níveis de preconceituosos da faculdade, mas meu amor pelos personagens foi totalmente fragmentado. A Coco é fenomenal e depois de sofrer com estereótipos a vida toda ela só quer um pouco de paz; o Lionel é muito peculiar e retraído, porém consegue ser engraçado e foi uma das pessoas que mais evoluiu na série; e por fim, Joelle que é a responsável pelas melhores tiradas da série e pelas blusas mais legais. Na verdade todo mundo é maravilhoso do seu jeitinho ♥ menos o Gabe que foi uma adição necessária, porém para mim faltou um cadinho de carisma no ator (que, por exemplo, o Thane e o Kurt tiveram de sobra mesmo tendo menos destaque). O episódio dele foi fundamental para dar um toque a mais em questões que todo negro passa mas que são desconfortáveis para brancos, ainda mais quando são eles que estão do outro lado dos estereótipos. A única ressalva negativa é que não gostei como abordaram o movimento negro de forma a excluir os outros, por mais que hajam menções aos outros movimentos eles são banalizados, portanto a série acabou fazendo com outras reivindicações válidas o que ela não queria fazer com o movimento negro. Ademais, só queria deixar o link para um texto que achei muito importante, discute um pouco sobre a temática racial em Dear White People e o que isso tem a ver com 13 Reasons Why: para lê-lo clique aqui.

Se gostou do post não deixa de compartilhar nas redes sociais ou comentar ali embaixo ♥


Você viu essa série? Avalie também!
1 estrela2 estrelas3 estrelas4 estrelas5 estrelas




Deixe um comentário

*