O Fim de Penny Dreadful

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O Fim de Penny Dreadful

Minha Classificação:
Penny Dreadful - 2014 The Movie DB
de John Logan
Status: 3 temporadas (finalizada)
Episódios vistos: 27
Elenco: Reeve Carney, Timothy Dalton, Eva Green, Rory Kinnear
Gênero: Drama
Canal Original: Showtime
Canal no Brasil: HBO
Duração do Episódio: 60 minutos

Assim que eu soube que uma das minhas séries favoritas foi cancelada, fiquei muito triste (inclusive ainda estou de luto). Aí depois eu li que ela tinha sido pensada desde o início para ter apenas três temporadas, e com isso em mente, fui assistir ao series finale duplo e quando a série acabou, eu só pensei: precisamos falar sobre Penny Dreadful. A Camila já falou sobre a série nesse post aqui e nesse aqui. Eu vou avisar quando começar a parte com spoilers, então pode ler sem medo!

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Meu amor por Penny Dreadful começou logo na primeira temporada. Não me lembro exatamente como comecei a ver, mas me recordo de ficar uma noite inteira acordada assistindo aos episódios que já haviam saído e de aguardar ansiosamente todos os seguintes, semana após semana. Confesso que não é o tipo de série que me atrai, porque hoje em dia a temática de drama/horror fantástico já está meio batida, porém a maneira de contar histórias de Penny Dreadful era seu diferencial: a maneira como personagens clássicos eram alocados, bem roteirizados e dirigidos foi o que conquistou a enorme legião de fãs da série. Isso, e claro, a protagonista Vanessa Ives, incrível e genialmente interpretada por Eva Green, que deu sentido completamente diferente a “uma deusa, uma louca, uma feiticeira”. Sinceramente, houveram vezes que eu pensei que ela carregava a série nas costas.

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Afinal, são as nossas memórias que nos fazem monstros…

O núcleo principal é constituído por Sir Malcom Murray, um desbravador rico e destemido; Vanessa Ives, uma mulher muito misteriosa, amiga da filha de Sir Malcom; Ethan Chandler, um pistoleiro norte americano, Victor Frankstein, um cientista que adora brincar de Deus e Dorian Gray, um ricaço também cheio de mistérios. Em cada temporada temos “o caso da vez”, sempre juntando elementos sobrenaturais com a realidade do fim do século XIX, mas pra mim, essa nem era tanto a graça da série. O que me era mais precioso era a maneira que os diretores e roteiristas colocavam clássicos de terror que todo mundo conhece de uma forma muito mais humana, abordando questões muito mais relacionáveis entre personagens tão complexos, que nós nos identificamos e entendemos suas dores e seus motivos. A relação entre criador e criaturas de Frankstein foi muito bem explorada, atentando também para a humanidade remanescente nessas aberrações e Dorian Gray teve a sua importância e seus ideais construídos e desconstruídos de forma a fazer qualquer pessoa em qualquer época pensar. Por mais que houvesse sempre um caso grande da temporada, as tramas secundárias sempre foram bem amarradas e nunca eram a toa, sempre tinham alguma importância para o todo. Também, um dos pontos altos da série sempre foi o conjunto de figurino, maquiagem e cenários, que se encaixavam muito bem e eram muito bem feitos, o que facilitava, claro, as atuações impecáveis do elenco da série (exceto o cabelo do Dorian, porque gente, do fundo do meu coração, o que era aquilo? Sério, depressivo. Nunca consegui olhar pra ele sem gritar mentalmente por conta daquela atrocidade capilar). Resumindo: a série é 10/10, até, bem, o final…

Aqui começa a parte COM SPOILERS, então se você não gosta, fique a vontade para parar por aqui!

O final da série causou muita revolta e desgosto para os fãs, afinal, uma série com público tão grande estar sendo cancelada? Como assim? Então o criador de Penny Dreadful veio a público explicar, depois do episódio final da série (ele disse que não avisou antes porque a série tem muitos fãs apaixonados e isso poderia deixá-los emotivos – eu nem chorei horrores quando soube que a série tinha acabado, quem disse?), as razões pelas quais teve apenas três temporadas e eu até o entendi, porque pra ele, a história sempre foi sobre Vanessa e a sua busca pela fé. Mas pera aí moço, se a série sempre foi destinada a ter três temporadas, por que as pessoas da internet – eu, inclusive – não ficaram nem um pouco satisfeitas com o final? Primeiro queria deixar claro aqui que a terceira (e última, snif) temporada de Penny Dreadful, de longe, foi a melhor. Cada episódio era um tiro, a ponto de eu ficar horas e horas discutindo a série com os meus amigos que também a viam. Os episódios foram tão bem dirigidos, tão bem feitos, que foi impossível não se apaixonar mais pelos personagens e por aquelas histórias tão marcantes, e no final de todo episódio (até o 7, pelo menos) eu sentia aquela sensação de “é por isso que eu vejo essa série!”. Destaque para o quarto episódio da temporada, A Blade of Grass, que se passa inteiro no quarto onde Vanessa foi internada como louca, com atuações excepcionais de Eva Green, Rory Kinnear e Patti LuPone – foi um dos melhores episódios de série que eu já vi na minha vida, sinceramente, uma obra de arte. Portanto, a série veio aumentando de nível, com o ápice nessa terceira temporada, até que chegou nos dois últimos episódios e fuen…

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Cena de “A Blade of Grass”

O que deixou não só eu como todos os fãs da série chateados, foi o modo como tudo acabou mal acabado. O criador disse que sempre foram pensadas três temporadas, então por que as coisas acabaram tão corridas? Nenhum núcleo, a não ser o do Mr. Clare, foi bem resolvido do jeito que merecia. Ele conseguiu reencontrar sua família, conseguiu ter seus últimos momentos ao lado do filho e sofreu muito com o pedido de sua mulher, e a cena dele jogando o filho no mar foi incrivelmente emocionante. Agora, de resto… Será que a Lily/Brona realmente se tornou uma melhor pessoa por causa da morte da filha dela ou só porque tomou aquele sacode do Dr. Jerkyll e do Victor (junto com Dorian)? Tudo bem que a vida sempre foi cruel com ela, mas mesmo assim achei sua “melhora” mal escrita. Falando em Dr. Jerkyll, quem não leu ou não sabe muito bem como funciona O Médico e o Monstro de Robert Louis Stevenson, não consegue entender que a mudança de Jerkyll pra Mr. Hyde do personagem foi psicológica e não física, como no livro. A Catriona não teve muito destaque, parece que ela e o Jerkyll foram colocados ali só pra enriquecer o universo da série e mais nada. E, por fim, mas não menos importante, o que mais me incomodou foram Ethan e Vanessa. Ethan, The Wolf of God (O Lobo de Deus), que tinha que salvar o mundo: um apache que não era apache, escolhido simplesmente por algum fator não muito bem esclarecido na série, e, oh, branco. E ai ai ai, Vanessa! Vanessa sendo The Mother of All Evil (A Mãe de Todo O Mal), a danação da humanidade: o problema aqui é que ela, como mulher, ser A Mãe de Todo O Mal reforça símbolos religiosos e sociais muito fortes ao longo do mundo, onde a mulher é a origem de tudo que acontece de ruim na Terra, e por isso deve ser subjugada. Daí a Vanessa se sacrifica por toda a galera do mundo quando o Ethan, homem cis/hétero/branco, a mata e salva o dia! Parabéns Ethan! Tudo bem que a série não frisa isso e é tudo muito sofrido pra todos que conviviam com Vanessa, mas não vamos omitir fatos. Pra amenizar, vou amar aqui três coisas: a abertura do episódio, que teve uma música linda de fundo e uma estética totalmente diferente, pegando cenas fortíssimas de cada personagem como uma despedida mesmo (eu chorei sim e não foi pouco); a última cena de Dorian e Lily, com aquele discurso maravilhoso e a reação dela; e, a melhor coisa de todas, a cena final da série, com o Mr. Clare olhando para o túmulo da Vanessa (lágrimas rolam enquanto lembro dessa cena). Por mais que o final tenha me deixado cheia de perguntas e reconsiderações, não dissuadiria ninguém a ver essa série, porque ao fim ao cabo, Penny Dreadful foi sim uma grande obra televisiva e vai me deixar órfã para todo o sempre.

 

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