Clímax

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Clímax

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Clímax goodreads
de
Publicação: em 2015
Gênero:
ISBN: 9788544102633
Título Original: Beautiful You
Páginas: 224
Tradução: Érico Assis
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Capa original

Eu estava precisando muito de um livro relativamente fino para ler ~entre leituras~ (quem nunca?) e resolvi pegar esse do Palahniuk porque a história sempre me chamou atenção, e não poderia ter sido melhor!

Penny Harrigan é uma recém formada em direito de 25 anos, que pensa que sua vida está sendo desperdiçada porque na firma onde trabalha, BB&B ela serve apenas para pegar cadeiras para reuniões e buscar cafés para os executivos porque ela não tinha passado no exame da Ordem não uma, mas duas vezes. Num dia particularmente agitado, Penny está toda enrolada para conseguir uma cadeira, então tropeça e cai (cheia de café derramado) na frente do cara mais rico do mundo: C. Linus Maxwell. Ele pede para jantar com ela, e quando ela se vê envolvida nesse “romance”, percebe que não só ela como todas as mulheres do mundo podem estar em perigo.

“Sob quele olhar, Penny sentiu-se menos mulher e mais um experimento. Um ratinho de laboratório.” Pág. 50

Confesso que quando peguei o livro pra ler, minhas expectativas estavam lá no céu porque oh, Chuck Palahniuk, e confesso que não me decepcionei. O plot do livro é muito bom, ele te prende e você se vê virando incessantemente as páginas para saber o fim dessa trama maquiavélica. Eu até comentei com algumas pessoas que eu tenho medo do Palahniuk porque as coisas que saem da cabeça dele são muito bizarras mas ao mesmo tempo extraordinárias e diferentes de todos os autores que eu conheço. Seu humor negro e crítica à sociedade moderna estão sempre presentes, e nesse livro, de forma mordaz. CLíMax é o apelido de C. Linus Maxwell, o bilionário mais bilionário do mundo, que vê em Penny uma ótima cobaia para experimentar seus brinquedinhos sexuais que logo estarão disponíveis no mercado para todas as mulheres do mundo por meio da linha Beautiful You.

O problema é que o prazer é tão intenso e os orgasmos tão incríveis que as mulheres se tornam escravas dos produtos, viram viciadas como se fosse uma droga, e acabam vivendo apenas para aquilo. É um eufemismo maravilhoso de como a sociedade subjuga mulheres de todo o mundo através do padrão de beleza e insatisfação pessoal – Penny passa o começo do livro todo se autodepreciando – que o mínimo de satisfação sexual se daria tão raramente (numa pesquisa recente foi constatado que apenas 22% das brasileiras atingem o orgasmo – agora imagina isso em escala mundial, e temos o ambiente certo para a “dependência de estímulo” de que se trata o livro) que qualquer apetrecho de “empoderamento” e “libertamento” seria uma ameaça. Aí junta isso com o dono da marca sendo homem, toda a tecnologia de hoje em dia e temos escravidão mundial de mulheres. Isso aí. Por isso que eu fiquei com medinho, quando vocês lerem o livro, vocês entenderão.

“A superestimulação artificial parecia ser a maneira perfeita de sufocar uma geração de jovens que queria mais em um mundo que havia cada vez menos.” Pág. 129

O livro não é dividido em capítulos e acho que isso ajuda muito a criar a tensão que permeia o livro desde o começo. Ah, falando nisso, desde o início da história vemos que Clímax é uma sátira carregada de ironia desses livros eróticos que romanceiam o relacionamento abusivo que estão para lá de presentes no mercado *cof cof Cinquenta Tons de Cinza cof Belo Desastre*, só que com conteúdo ao mesmo tempo divertido e sério. E Palahniuk também debocha bastante de livros de vampiros, rs. Penso que o autor tenha posto esses fatores e algumas coisas bem absurdas para quebrar um pouco da tensão que eu disse ali em cima, porque poxa, escravidão mundial de mulheres através do prazer é um tema sério e a forma como o autor trata disso no livro me fez pensar loucamente no “e se fosse verdade?”. Nesse momento que vivemos aqui no Brasil atualmente, não a escravidão sexual em si, mas a misoginia do ato te faz parar pra rever os acontecimentos atuais, sabe?! Além disso, também tem um pouquinho de crítica à impaciência dos jovens de hoje e todo um contexto que nos ensina a aprender e respeitar os mais velhos – fora a heroína forte e sexualmente liberta que é Penny! Ah, Palahniuk, quanto amor!


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