Amor Amargo

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Amor Amargo

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Amor Amargo
de
Publicação: em 2015
Gêneros: ,
ISBN: 978858235066
Título Original: Bitter End
Páginas: 253
Tradução: Guilherme Meyer
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Capa original

[capa]

Eu juro para vocês que eu não sei bem como começar essa resenha. Fiquei muito chateada ao longo do livro e o final me deixou com uma sensação boa porém ruim, sabem?! Mas eu terminei de ler e vou falar todo o possível aqui sem dar spoiler, mas o tema do livro está tão presente na nossa vida cotidiana que a maioria já deve saber o que acontece…

Alex está no último ano do colégio e a formatura está próxima. Esse vai ser um evento muito importante na vida de Alex porque ela e seus dois melhores amigos, Zach e Bethany, vão viajar para o Colorado como presente de formatura – um presente muito muito importante para Alex já que sua mãe estava indo para lá quando sofreu um acidente de carro e morreu, deixando ela e suas duas irmãs e seu pai, que desde então se enterrou num buraco emocional tão fundo que abriu mão de todo carinho que tinha pelas filhas. Então surge Cole: aluno novo, lindo, atlético transferido de um lugar ali perto, Pine Gate. Quando ele começa a se interessar por ela, Alex não pode acreditar que tenha tanta sorte! Mas nem tudo é um conto de fadas…

O sorriso de Cole era como uma carícia. E parecia ter sido feito sob medida para mim. Pág. 43

Confesso que eu peguei meu caderninho e anotei de lápis tudo de ruim que acontecia no livro. Foram 5 páginas e no meio do livro eu já estava sentindo enjoo e náuseas por conta do desenrolar da história, porque nossa, o Cole é um babaca babaca babaca. Vou listar só alguns pontos que eu pus no caderno porque não quero dar spoiler para quem vai ler o livro, tá bem? Então tá bem. Lembrando sempre que esses pontinhos também podem servir de guia para saber se você, que está aí me lendo, está envolvida (o) num relacionamento abusivo ou não. No começo do relacionamento Cole é um príncipe, tudo que uma garota quer, mas já é possessivo e chama Alex de “minha garota” ou qualquer coisa que tenha a palavra “minha” antes; Cole alega que a ex-namorada dele é louca, perturbada da cabeça e só ela, Alex, é diferente e a mais perfeita das mulheres; desde o começo, Cole manipula Alex para se afastar de seus melhores amigos Zach e Bethany (e é quando eles estão presentes que os momentos mais legais do livro se desenrolam) e ele apenas quer tomar conta de TODOS os aspectos da vida dela, ele não pode deixar espaço para ninguém porque ela pertence a ele; ainda nisso, ele a segue em todos os lugares o tempo todo; o tempo todo a Alex se lembra de que o Cole é maravilhoso incrível tudo de mais lindo do mundo e é um milagre, além de uma lisonja, ele estar com uma garota que nem ela; assim como todo abusador, ele faz besteira – ele a agride verbal e fisicamente –  e depois chega na Alex falando que a ama, que não pode viver sem ela e não quer perdê-la; Cole a faz questionar a própria sanidade e leva todas as discussões a se virarem contra Alex, de modo que ela se sinta culpada até depois das agressões – ela começa a inventar desculpas por ele; e por fim, todas as pessoas próximas de Alex comentam que ela está muito mudada e parece triste, mas ela entende isso como inveja, porque a relação dela é maravilhosa, mas não é né galera?!

Ainda que estivesse magoada, constrangida, humilhada e indignada pelo que tinha feito comigo, continuava louca de amor por ele. Pág. 141

Eu sei que agora existem vários livros sobre isso, mas há pouco tempo atrás, relacionamento abusivo era um assunto que ninguém levantava – e muita gente nem mesmo sabia que existia e/ou que estava em um. Sabe aquele velho ditado que “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”? Mais ou menos isso. Daí me vem um livro desse numa época muito importante para o feminismo e para as mulheres em geral (porque a maioria esmagadora dos abusadores são homens, mas não se sintam excluídos do post) e trata de uma forma maravilhosa sobre o assunto. Ano passado a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (o homônimo ENEM) foi sobre a persistência da violência doméstica no Brasil e esse vídeo aqui da Jout Jout viralizou na internet de uma maneira tão positiva que eu não pude deixar de colocar ele aqui no post, porque esse assunto é muito importante. Ah, além disso, uma das minhas séries preferidas (que já cansou de ser citada aqui no blog) The Mindy Project, discutiu o assunto na primeira metade da temporada atual, a quarta. Eu até pensei em fazer um post aqui no blog sobre isso, mas esses dois posts que a Cibele me mandou (clique aqui e aqui para ler os posts) tratam bem do assunto. Tá vendo como é realmente grande coisa?

Era como se a dor não fosse minha. Como se a Alex que estava ali não fosse eu, mas outra pessoa, perdendo os sentidos um a um. Pág. 170

O livro é muito forte porque é narrado em primeira pessoa, então temos a visão da Alex do que está acontecendo e vemos como ela pensa e como ela está presa ali naquele relacionamento e os motivos que ela tem. Na nota, a autora explica o porquê de ela ter escrito o livro em primeira pessoa e eu super entendo (ao fim do livro, temos uma sessão de perguntas e respostas sobre relacionamento abusivo que são respondidas por um psicólogo PhD e que são de muita ajuda para quem está com esse problema). É para a gente se colocar ali no lugar da Alex e tentar compreender o que se passa na cabeça de uma mulher abusada e porque ela não deixa seu agressor e etc. Jennifer Brown mesma fala que a maioria das mulheres que ela conhece falam que “se ele levantasse a mão para mim, eu saía fora na hora!”, mas depois que a gente lê o livro, entendemos um pouco que sermos extremistas assim de nada adianta porque um relacionamento abusivo pode acontecer com todo mundo. Ninguém, independente de ser heterossexual, homossexual, bissexual, pansexual e etc. está livre disso. 


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