O Inferno de Gabriel – O Inferno de Gabriel 1

por • 6634 Acessos

    Livros da série O Inferno de Gabriel:

  1. O Inferno de Gabriel
  2. O Julgamento de Gabriel
  3. A Redenção de Gabriel
O Inferno de Gabriel – O Inferno de Gabriel 1

Minha Classificação:
O Inferno de Gabriel (Gabriel's Inferno, #1) goodreads
de
Publicação: em 2013
Gênero:
ISBN: 9788580411263
Título Original: Gabriel's Inferno
Páginas: 512
Tradução: Fabiano Morais
Compre em lojas confiáveis:
saraivafnacculturasubmarinobwbkobo
A compra pode render comissão ao blog.

Capa original

Depois de muita espera e muita expectativa, finalmente fui agraciada com meu exemplar de O Inferno de Gabriel, me presenteado pela linda Cibele. Mas sabe quando as suas expectativas são muitas e você dá com a cara na parede? Exatamente o que me aconteceu com esse livro. Decepção define.

[capa]

Julia Mitchell é uma aluna de mestrado da Universidade de Toronto, que quer se especializar em Dante. Ela chega na sua primeira aula e já é constrangida por seu professor, Gabriel Emerson, que se demonstra um grosso e soberbo acadêmico perto de outras pessoas. Como ele é o único especialista em Dante da faculdade, Julia se vê num impasse pois somente ele pode ser seu orientador. Mas além disso, ela tem um passado com Gabriel – além de ser apaixonada por ele -, só que ele parece não se lembrar disso e a trata como se ela fosse menos do que nada, o que é claro, muda ao longo do livro, quando ele se lembra  quem ela é. A partir disso eles se veem numa relação perigosa, que pode ser denunciada (por ele ser professor e ela aluna) e têm de deter seus desejos e segredos para quando puderem se amar completamente.

O livro é muito bem escrito, a narrativa é muito interessante, de verdade (é em terceira pessoa). Mas poxa, só porque uma garota parece com a Beatriz de Dante e um dia (há seis anos atrás) vocês se beijaram não significa que quando você vê-la novamente vai estar perdidamente apaixonado por ela. E é exatamente o que acontece aqui. Ele trata Julia friamente, e do nada (do nada MESMO), quando descobre quem ela é, ele está loucamente apaixonado. Desse jeito. Eu sei que é um livro de ficção mas por favor né? Não acredito no propósito de Julia, que depois de ser desprezada por Gabriel, corre para os braços dele só porque ele pede desculpas – tudo bem que ela é loucamente apaixonada por ele, mas cadê orgulho, gente?

– Não espero que entenda. Você é um ímã para desastres, Srta. Mitchell. Eu sou um ímã para pecados. Pág.56

E Julia, ah Julia. Como definí-la? Complicada? Não. Confusa? Não. Chata? Bastante. “Mimizenta” (com o perdão da língua portuguesa) é o mais perto que consigo chegar dessa personagem. Submissa, porém inteligente, com um senso depreciativo gigante (o motivo disso você entende ao longo do livro, e é bastante justificável), caridosa mas nem um pouco orgulhosa. Eu sou bastante feminista e ela é tudo que uma mulher não deve ser: submissa, além de ser de uma estereotipação gigante. Sendo um homem que escreve o livro, fiquei completamente boquiaberta com o jeito que ele vê uma moça em plenos 23 anos e fazendo mestrado numa universidade super boa, além de ser bonita. Mas o que mais me incomodou, honestamente, foi o jeito do autor tratar de sexo. Para mim, em pleno século XXI isso não seria mais um tabu, mas ele trata a virgindade de Julia como se fosse uma coisa de outro mundo, como se a castidade dela fosse influenciar a 3ª Guerra Mundial. Sério.

Ele poderia tê-la perdido. Deitado ao seu lado, estava consciente de que aquela noite poderia ter acabado de forma muito diferente. Ela não precisava tê-lo perdoado. Não precisava tê-lo aceitado. Mas fez as duas coisas. Talvez ele pudesse ousar ter esperanças de que…   Pág.328

Outra coisa que eu achei quase inacreditável foi o fato de Gabriel (que pegava todas as mulheres do mundo) ter abdicado completamente de sua vida sexual – sendo que ele mesmo frisa no livro que o maior pecado que o acomete é a luxúria – para respeitar a castidade de Julia e não fazer nada com ela até o fim do semestre (relação professor-aluna aí) sendo que ele não tem pressa, não tem deslizes, nada. Eu até poderia me apaixonar pelo personagem (alô Christian Grey), mas nesse livro a idealização de príncipe encantado é tanta que parece que qualquer outro homem no mundo é desprezível perto de Gabriel, e isso meio que já anda muito batido. A única coisa que eles fazem é se beijar até perderem o fôlego e olhe lá: essa parte me incomodou de verdade porque pela frasezinha atrás do livro (“A salvação de um homem. O despertar da sexualidade de uma mulher.”) dá a entender que o livro seria quente, eu estava esperando uma coisa mais Cinquenta Tons de Cinza com relação ao conteúdo adulto mas tudo que li, que poderiam despertar essa categorização, foram palavrões. Outra semelhança com Cinquenta Tons é que  esse livro é muito machista.

Em suma: o livro é bem escrito, mas eu li na expectativa de acontecer alguma coisa e o que aconteceu? Nada. A única parte mais emocionante do livro é quando a Julia se encontra com ele novamente. Ah, o livro também cita várias músicas, o que eu adoro (inclusive citou The Killers – All The Pretty Faces que eu super amo) e tem essa presente relação com o Inferno de Dante, que é bem interessante. Fora isso, tristeza. Cansei de me pegar pensando “Se eu tivesse comprado esse livro eu ia querer me matar” mas graças a Rá ele foi cortesia kekekeke não me agridam. Eu vou ler o segundo livro da série sim, mas só porque quero ver se vai acontecer alguma coisa (espero não me frustrar novamente).

Espero que tenham gostado da resenha!
Mil beigos!

Se gostou do post não deixa de compartilhar nas redes sociais ou comentar ali embaixo ♥


Você leu esse livro? Avalie também!
1 estrela2 estrelas3 estrelas4 estrelas5 estrelas
(1 votos, média: 1,00 de 5)




  • Ana Lopes
    23/04/2013 # 12:38:22

    Muito boa sua resenha , mas acho que não me interessaria em ler o livro depois de tudo que você disse. Quando vi a capa pensei : nossa vai me surpreender com algo quente. mas pelo visto é só capa…

    Responder

  • Lívia Martins
    23/04/2013 # 17:47:31

    Apenas uma coisa a dizer:

    “Eu sou um ímã para pecados.”

    AHHAHAHAHAHAHA /eterno

    Responder

  • Raquel Araujo
    24/04/2013 # 23:56:16

    Oi Mayra, tudo bem?

    Adorei a sua resenha! Nossa, passo fora de livros machistas, tenho verdadeiro horror a isso! Mas antes mesmo de ler a sua resenha ou de saber exatamente do que esse livro se trata, ele já estava na minha lista de “não me chamou a atenção”. E pelo jeito, vai continuar assim =P

    beijos
    Kel

    Responder

  • Mary
    07/08/2013 # 11:05:09

    Li os dois primeiros livros da trilogia e gostei muito. O livro não é erótico, mas tremendamente sensual. Há algumas coisas surreais ou inacreditáveis, mas é ficção e na ficção pode tudo, desde que a história seja bem escrita e prenda a atenção do leitor e na minha opinião, é isso que acontece nesse romance.

    Responder

  • Thiago
    27/08/2013 # 18:53:05

    Acabei de comprar esse Livro… e pelo visto, já é um “Cinquenta tons de cinza” em critério de Submissão. Pela sua Resenha só me veio a Crítica sobre a trilogia, e que tem certa aparência – Não quero comparar! Mas aparentou – bem parecida.
    Espero que distraia bem… Não quero Julgar. Mas me decepcionei.
    Nem tive tempo de pesquisar sobre, se soubesse, tinha comprado outro.

    Mas… Fazer o quê?!

    Responder

Trackbacks/Pingbacks

  • Os Impostores | Estante Lotada
    08/05/2015 # 20:43:04

    […] livro e pensei: “Quero!” Ainda bem que eu gostei bastante, não foi uma decepção como O Inferno de Gabriel que me encheu de expectativas e se mostrou um livro com conteúdo extremamente machista. Os […]

    Responder

Deixe um comentário

*