Deuses Americanos

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Deuses Americanos

Minha Classificação:
Deuses Americanos goodreads
de
Publicação: em 2016
Gênero:
ISBN: 9788551000724
Título Original: American Gods
Páginas: 576
Tradução: Leonardo Alves
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Capa original

Um amigo meu é apaixonado pelo Neil Gaiman, e um dia ele me indicou Deuses Americanos, e acabei ganhando o livro de aniversário, já que estava na minha wishlist há um tempão. Não tinha noção nem de qual era a sinopse, mas li mesmo assim. Acabou que meu amigo não tinha lido o livro até o fim, me indicou porque sim e agora estou perdidamente obcecada por Neil Gaiman…

Shadow Moon é um homem de 32 anos que está preso a poucos dias de ser libertado depois de três anos atrás das grades. Por uma grande desventura do destino ele é solto mais cedo, porém sem rumo e sem perspectivas, Shadow começa a trabalhar para o misterioso Wednesday e se vê envolvido até o pescoço na guerra entre os velhos e novos deuses.

“Deuses morrem. E, quando morrem para sempre, não há luto nem memória. É mais difícil matar uma ideia do que uma pessoa, mas, no fim das contas, ideias também podem morrer.” Pág. 71

Preciso começar essa postagem com essa frase: Deuses Americanos é diferente de tudo que já li. Pronto, com isso claro, podemos prosseguir. Esse livro é uma história muito profunda sobre a alma de um país construído através de crenças de todos os tipos de povos, de todos os tempos, de todas as formas. Pondo de uma maneira mais adequada, é uma jornada. Enquanto lia, me sentia viajando e passando por todas as situações junto de Shadow e angariando conhecimento, adquirindo experiência e envelhecendo junto com ele. É meio difícil de explicar, mas a maneira que Neil Gaiman conta a trajetória de Shadow Moon entre o mundo dos deuses e dos sonhos é filosófica ao passo que é real e bem humorada a ponto de haver distanciamento e aproximação simultâneos do leitor com o protagonista e com aquele universo divino por nós ignorados e pelo universo mortal em que vivemos. Complicado, mas no bom sentido!

– […] As pessoas perigosas de verdade são aquelas que acreditam que estão fazendo o que estão fazendo única e exclusivamente porque aquela é, sem a menor sombra de dúvida, a única coisa certa a se fazer. E é por isso que são perigosas. Pág. 227

Em meio à essa história incrível, o autor faz reflexões sociais ótimas, dentre elas, a mais clara é sobre a condição humana da fé; que para existirmos, temos que acreditar em algo ou alguém superior que rege o universo e por isso, podemos culpar esse ser pelos nossos erros e acertos na vida, além de nós sermos extremamente volúveis, abrindo mão de nossos deuses e rituais e crenças assim que eles não nos são mais necessários ou cômodos. Isso está intrincado no ponto principal do livro, e para provar seu ponto, Neil Gaiman se usa de muito embasamento histórico, com capítulos sobre a origem dos deuses nos Estados Unidos. Entre as infinitas qualidades de Deuses Americanos temos um retrato extremamente crível de como as divindades trazidas para a América estariam se virando nos dias de hoje, esquecidas, no limbo: prostituição, estelionato, sub-empregos… Tudo isso apenas torna o livro mais e mais interessante.

– Não – respondeu o Sr. Nancy. – Mas só está escuro. Não se deve ter medo do escuro.
– Não tenho. Tenho medo das pessoas no escuro. Pág. 414

O mundo criado por Neil Gaiman é tudo menos previsível. A narrativa toma tantos rumos que é impossível adivinhar o que vem a seguir, e há vezes que não temos como diferenciar o real do imaginário de Shadow. Os plot twists são grandes e no final do livro é uma torrente de acontecimentos tão intensa que é impossível largar. Além disso, a história é bem louca e os elementos folclóricos usados pelo autor são tão diversos e bem articulados que até agora me vejo pensando em como tudo aquilo é possível nessa vida, nós só podemos não estar enxergando. Existe uma parte pré-textual que se intitula “Uma advertência e um alerta para os viajantes“, e quando li o último parágrafo:

Ademais, é desnecessário dizer que todas as pessoas dessa história, estejam elas vivas, mortas ou em outras condições, são fictícias ou usadas em um contexto fictício. Só os deuses são reais.

não entendi muito bem o que significava fora o óbvio, mas agora, lendo até o título dessa parte, amo cada vez mais o livro. Afora, além de ficar rasgando elogios aqui, sinto a necessidade de recomendar Deuses Americanos apenas para quem tem paciência e maturidade literárias suficientes para ler um livro denso e entender de verdade o livro, porque esse é o tipo de história que deve ser lida várias vezes em vários pontos de nossa vida e a cada vez será diferente, entende?

E dia 11 de Março estréia a adaptação desse livro como uma série do canal estadunidense Starz, com Ricky Wittle como Shadow, Ian McShane (ator maravilhoso) como Wednesday e Emily Browning como Laura; e estou super ansiosa para estrear. Você pode assistir ao trailer (CONTÉM SPOILERS DO LIVRO) clicando aqui. Agora é torcer para que seja incrível assim como o livro e ir lendo tudo que o Neil Gaiman escreveu, tocou ou respirou perto até essa adrenalina passar.

Cuidado com o hidromel!

 

        
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Santa Clarita Diet

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Santa Clarita Diet

Minha Classificação:
Santa Clarita Diet - 2017
de Victor Fresco
Status: 1 temporada
Episódios vistos: 10
Elenco: Drew Barrymore, Timothy Olyphant
Gênero: Ficção científica, Fantasia, Comédia
Canal Original: Netflix
Canal no Brasil: Netflix
Duração do Episódio: 30 minutos
Assistir Santa Clarita Diet online: Netflix

Sheila é uma corretora de imóveis que mora com o marido e a filha numa vizinhança tranquila do subúrbio americano. A vida dela é totalmente sem graça até o dia em que morre e volta com uma personalidade diferente e uma fome por carne humana.

Aja naturalmente.

Eu amo zumbis e amo Drew Barrymore. Nunca pensei que essa combinação seria possível mas acabei sendo presenteada com a série que era tudo o que eu sempre quis e não sabia. Muita gente comparou Santa Clarita Diet com iZombie, mas eu não acho que seja bem por aí. As duas podem até ter semelhanças, uma moça loira que acaba virando zumbi e “vivendo” uma vida normal, mas o humor da série da Netflix é muito mais ácido e atual. Se eu fosse comparar com alguma coisa seria um Desperate Housewives com menos drama e mais zumbis.

Além de amar incondicionalmente a protagonista, eu também me apaixonei pela Abby, filha do casal principal. Não só a personagem (que é muito maravilhosa) mas também a trama paralela em que se envolve é muito muito boa e ao invés de roubar a cena da história principal, só acrescentou mais amor ao que já estava acontecendo.

Eu me envolvi completamente com cada episódio e cada situação absurda que acontecia, devorei (olha ela) todos os episódios de uma vez só e queria muito mesmo que a temporada fosse maior. O único ponto que me desagradou um pouco foi a atuação do Timothy Olyphant como Joel, o marido de Sheila, que muitas vezes pareceu forçado e caricato. Todos os outros personagens no entanto foram tão bons que dava pra ignorar esse “problema” e ver o resto normalmente. Já falei que amei essa série muito?

Eu te deixo sozinho por cinco minutos e você faz amizade com o meu jantar?

Santa Clarita Diet ainda não foi oficialmente renovada, mas o último episódio deixou tudo aberto para uma segunda temporada. A Netflix normalmente demora pra anunciar renovação né (demorou horrores até pra anunciar o retorno de Stranger Things que foi um grande hit desde o lançamento) então só me resta esperar porque eu preciso muito de mais episódios (se possível pra ontem, por favor cadê?).

        
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Animais Noturnos

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Para conferir a resenha do livro "Tony & Susan", clique aqui.

Animais Noturnos

Minha Classificação:
Nocturnal Animals IMDb
de Tom Ford
Estreia no Brasil: 09 Dez 2016
País: EUA
Gênero: Drama, Thriller
Roteiro: Tom Ford (roteiro), Austin Wright (livro)
Elenco: Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael Shannon, Aaron Taylor-Johnson
Duração: 116 min

Esta resenha contém SPOILERS do filme e do livro. São coisas que acho que não revelam nada da história e nem impactam o aproveitamento do filme, mas de qualquer forma achei melhor sinalizar.

Depois de quase duas décadas do divórcio, Susan recebe o manuscrito do novo livro de Edward, chamado Animais Noturnos, que pede apenas que ela o leia e dê sua opinião num encontro nos próximos dias. Ela então mergulha no conto assustador que seu ex-marido escreveu enquanto relembra seu relacionamento e revive suas escolhas.

O filme é visualmente lindo. O uso de cores, o enquadramento das cenas, figurino, maquiagem e tudo o que compõe a parte visual é impecável. A história vai e volta toda hora entre a realidade de Susan, seu passado com Edward e os acontecimentos de Animais Noturnos e a paleta de cores das três partes é bem distinta conferindo ainda mais beleza ao filme.

Quando escrevi a resenha do livro eu deixei claro que não percebi o conceito de vingança durante a leitura. No filme essa ideia é apresentada de forma bem menos sutil quando Susan fica encantada com um quadro enorme que diz apenas “revenge” (que significa vingança) e com as mudanças que foram feitas na história. Mas apesar disso tudo eu ainda considero a história mais como sendo dois lados de uma verdade e lendo os comentários de outras pessoas (principalmente no Filmow) percebo que muitos tiveram o mesmo sentimento que eu. Entendo sim que certos pontos podem ser considerados como Edward dando o troco, mas se for realmente uma vingança, não deixa de ser uma bem fraca. Quando penso no tema espero algo como “O Conde de Monte Cristo”, “Kill Bill” e não essa sutileza de Animais Noturnos.

“Caso você não esteja percebendo que essa é uma história sobre vingança, te dou aqui esta dica sutil.” – FORD, Tom

A atuação dos protagonistas (Amy Adams e o crush Jake Gyllenhaal) está excepcional e acho uma grande injustiça eles terem sido ignorados na temporada de premiações. Adams interpreta Susan no passado e no presente trazendo assim duas personagens completamente diferentes e Gyllenhaal vive também dois personagens e arrasa na interpretação de ambos. Mesmo sem nenhum contexto, só de vê-lo na tela já é possível identificar de cara qual dos dois ele é no momento.

No geral Animais Noturnos é um filme muito bom e foi, para mim, superior ao livro em diversas formas. Eu pretendo com certeza assistir outras vezes tentando assim captar todos os detalhes que certamente deixei passar da primeira vez que vi.

        
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